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O menino dos olhos verdes 69

📅 Publicado em: 13/10/2022 16:24

👤 Autor: greenbox-amigobc

📂 Categoria: Gays

🏷️ Tags: #PreTeen
************** Episódio 69 – Silêncio Taciturno ************

O sol mais uma vez se pôs trazendo consigo a púrpura escuridão da noite. Me deparei mais uma vez deitado na cama ouvindo a chuva cair lá fora. Meus olhos fitavam o teto. Apesar do silêncio que predominava no quarto, eu podia jurar estar ouvindo meus próprios pensamentos dialogarem entre si. Eles brigavam, discutiam, pensavam, argumentavam, concordavam, mas acabavam discordando novamente.

Arthur, Rafa, Giuliano, Matheus, bebê, mãe, tio Humberto, e mais um monte de outras pessoas, e eu, claro. Cada uma delas contribuía trazendo consigo seus inúmeros problemas para minha cabeça. Eu estava cansado. Exausto. O dia tinha sido cheio.

Quando me dei conta, estava fazendo um exercício mental, em que, aproveitando o barulho da chuva, imaginava o quarto se encher de água. Pouco a pouco, a água ia subindo. Do chão até o teto. Escorrendo pelas paredes e inundando todo e qualquer espaço ali presente. Assim que a água passou pelo meu corpo, mais especificamente pela minha cabeça, levou todos os problemas embora, enquanto eu prendia a respiração. E, agora, eu me via embaixo d’água, contemplando meus problemas que boiavam sobre mim. Todos eles. Todos meus problemas ali, boiando no teto, bem longe de mim. E, só quando me livrei de todos eles, pude respirar fundo e pensar um pouco no Lucas.

Minha vida estava difícil. Muito difícil. Só ficava mais difícil, a cada dia que passava. Era impressionante, não dava uma folga. Pensei em como seria bom se eu fosse um Deus. Se tudo na minha vida fosse exatamente do jeito que eu quisesse. Será que perderia a graça? Acho que não. As pessoas fariam o que eu quisesse, estariam disponíveis para mim quando eu quisesse, um jeito meio egoísta de se pensar, mas… porra! Difícil não desejar algo assim quando tudo à sua volta estava dando errado. As coisas simplesmente não estavam como eu gostaria. E o que eu podia fazer a respeito? Nada… qualquer atitude minha era meramente irrelevante para o universo. Nunca me senti tão impotente. Um tanto quanto pessimista de se pensar, mas… era o que a vida me entregava… eu obtinha muito pouco em troca do muito trabalho que eu dava… para tudo… a proporção não era de um pra um… estava mais para nove contra um… uma pena… é… cá estava eu, derivando nos meus próprios pensamentos… duas e vinte um da manhã…

Assim que tomei consciência desse número, minhas pálpebras ficaram pesadas e logo eu adormeci. A água baixou e todos os meus problemas voltaram… pelo menos só me dei conta disso quando acordei…

Um mês havia se passado desde o nosso término. Para ser bem sincero com vocês, nos primeiros dias, eu não acreditei muito nessa história de terminar com o Rafa. Na minha cabeça, ele estava apenas tentando me machucar, dizendo que queria que eu me afastasse do Arthur, sendo que, no fundo, talvez, não quisesse isso de verdade. Não sei dizer o que ele estava pensando… só sei que parte de mim achou que essa fosse ser apenas mais uma briga.

Acontece que, não foi bem isso que aconteceu. Depois dessa briga, realmente ficamos mal um com o outro. Durante esse período, eu senti a introspecção crescer dentro de mim. Foi perceptível a quantidade de vezes que eu optava pelo silêncio ao invés de simplesmente interagir com as pessoas.

Me afastei um pouco de todos. Era como se eu não estivesse sabendo lidar com a realidade. Era como se eu estivesse fugindo das coisas que estavam acontecendo, fugindo para meu interior, procurando abrigo onde as pessoas não tinham acesso, me escondendo no mais profundo fundo da minha mente.

Como eu estava dizendo, no começo, achei que fosse ser uma simples briga… mas Rafa não deu para trás. Ele, realmente, queria que eu me afastasse do Arthur… e, quando viu que não ia conseguir o que queria, procurou as mais diversas formas de tentar me magoar.

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Minha ficha começou a cair quando, durante os recreios que a gente ficou sem se falar, ele começou a andar com o Giuliano. Honestamente, eu não sabia se ele estava fazendo isso apenas para me deixar com ciúmes ou se realmente queria alguma coisa com ele… no fundo, eu acho que eram os dois. Eu achei bem patético da parte dele usar isso contra mim. Ele sabia que eu tinha ciúmes dele e ele queria que eu pagasse da mesma moeda que ele estava pagando, mostrando toda sua personalidade imatura e mesquinha.

Eles faziam futebol juntos… é claro que eu me sentia mal por isso. Bem o futebol, que já fora um de nossos passatempos favoritos… e lá estava ele… se divertindo com Giuliano da forma que costumávamos nos divertir. Só de imaginar ele correndo suado com seu uniforme de futebol super sexy, desfilando com seu corpo pré-adolescente e mostrando suas coxas deliciosas que eu sempre amara tocar, eu já ficava tomado de ciúmes.

Só de imaginar tudo que já havíamos feito naqueles vestiários, todo prazer que já tínhamos proporcionado um ao outro… sim… eu estava realmente triste com o nosso término. Eu ainda tinha esperanças de voltar com ele, mas… cada dia que passava, ele arrumava um novo jeito de me magoar.

O amor é realmente um sentimento poderoso… cada dia que passava, eu ficava mais impressionado com o que nós dois éramos capazes de fazer por amor… amávamos tanto um ao outro que nos tornamos capazes de se machucar por amor… machucar a si próprio e ao outro… implicar com coisas pequenas, simplesmente porque tínhamos medo de que tudo acabasse… e o que foi que aconteceu? Tudo acabou. A incoerência era gritante, mas nossos sentimentos eram complexos demais para serem compreendidos. Agíamos por desespero… desespero por prazer… por atenção… por amor… por carinho… por medo… agíamos sem pensar, cegos, acreditando do fundo de nossos corações que estávamos fazendo a coisa certa, quando na verdade só estávamos cavando um buraco mais fundo.

De fato, as duas primeiras semanas foram absurdamente insuportáveis. Primeiro que eu já estava sofrendo demais com a nossa separação. Nunca senti tanta falta dele… sem saber se ele também sentia minha falta. Mas é claro que sentia… o problema é que o ódio também era demasiadamente grande, nos colocando numa situação enlouquecedora e imensamente triste.

Segundo que, nós dois ficamos arrasados. Não sei se isso também aconteceu com ele, mas… todo mundo que me via perguntava o que tinha acontecido, porque eu não estava normal… eu estava tão mal que não conseguia nem esconder… tive que ouvir várias vezes a mesma pergunta: Terminaram!? Mas por quê!? Vocês eram tão próximos…

Sim… éramos amigos para caralho… e nada fazia meu coração doer mais que isso. Minha mãe, o tio Humberto… todos ficaram preocupados comigo… e não era isso que eu queria. Sim, eu estava passando por maus momentos, mas eu queria enfrentá-los sozinhoa… e eles só queriam ajudar… mas eu estava tão fora de mim que acabei gritando com eles quando eles tentaram me consolar. Eu simplesmente fui incapaz de ver o quanto minha mãe e meu tio se importavam comigo e agi de forma egoísta, recusando qualquer tipo de ajuda, e remoendo todos os sentimentos ruins dentro de mim.

Minha mãe preparara minhas comidas favoritas, meu tio me comprou os vários livros que eu estava de olho, mas… não fui maduro suficiente para aceitar de bom grado os mimos… nada melhorou o meu humor… fui completamente ingrato com eles… passando dias com a cara fechada, emburrado, matando tempo dentro do meu quarto, sem vontade de fazer nada.

Certo dia, também acabei cruzando com a mãe do Rafa. Ela me disse que tanto ela, quanto seu Danilo, estavam arrasados com o nosso término. Ela disse que o Rafa não explicou bem o motivo por termos terminado, e eu tentei fugir do assunto o quanto pude. Eu gostava demais dos meus sogros para contar a verdade… que o filho deles tinha me pedido para parar de ser amigo do meu melhor amigo… eles ficariam tristes demais com isso… então, acabei

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dizendo que tínhamos brigado por causa de um mal entendido e que era questão de tempo até resolvermos nossa situação… ela ficou feliz com minha resposta, apesar de ser mentira.

Evitei de perguntar dele para ela, mas ela acabou contando… disse que ele também andava triste… e que não estava mais recebendo os amigos em casa… e que passava o dia jogando no computador… e que ela realmente sentia falta da minha presença em sua casa… ela disse que torcia demais para a gente dar certo… isso me deixou triste… triste por saber que talvez não voltaríamos.

Se eu queria voltar com ele? Claro que queria… mais do que tudo… mas a mágoa tornava tudo mais difícil. Eu não sabia se eu era capaz de perdoá-lo depois do que ele fizera comigo… talvez até fosse… mas eu também tinha medo de que ele aparecesse lá em casa buscando reconciliação e que continuasse com os termos… eu não podia fazer isso com o Arthur… Arthur não merecia meu desprezo. Arthur não merecia meu descaso. Minha amizade com ele era forte demais. E… bem, por falar em Arthur, eu eventualmente acabei tendo que falar com ele.

Durante a primeira semana do nosso término, que foi a semana que eu mais fiquei mal, evitei o quanto pude Arthur. Ele não entendeu bem o que estava acontecendo comigo, mas acho que acabou imaginando que eu precisava de um tempo.

Eventualmente, ele acabou descobrindo que eu tinha terminado com o Rafa.

― VOCÊS TERMINARAM!?

Foi a primeira coisa que ele gritou quando me viu. Tínhamos terminado há uma semana, e eu não tinha contado para ele, até porque ele tinha sido o motivo de nosso termino. Ele apareceu indignado lá em casa quando descobriu e eu fiquei um tanto quanto aliviado por receber sua visita. Como eu estava em casa, eu poderia conversar com ele sem medo de que alguém nos ouvisse, diferente do que acontecia na escola… e eu particularmente já me sentia pronto para contar tudo o que havia acontecido para ele.

Entramos e fomos para meu quarto. Eu me sentei em minha cama e ele se sentou na cadeira do meu computador.

― Pois é… desculpa se eu estou meio fora de mim essa semana… ― eu comecei dizendo. ― Tem sido uma semana difícil…

― Por que você não me disse nada? ― Ele perguntou se mostrando preocupado.

― Porque eu contei para ele sobre o nosso beijo… ― eu confessei.

― Ah… ― ele ficou sem palavras e sem reação. ― Sinto muito…

― Isso não foi o pior… ― eu continuei. ― A gente já não tava bem… estávamos brigando por causa de algumas outras coisas que aconteceram… daí, numa tentativa de sermos francos um com o outro, eu acabei dizendo a verdade… eu já ia contar de qualquer forma… não queria ficar escondendo isso dele… então, ele ficou meio mal comigo…

― Entendi… eu sinto muito… de verdade… ― ele disse se arrependendo do que tínhamos feito.

― Não foi culpa sua… é isso que eu quero que você entenda… ― eu disse. ― Eu não te contei porque tinha medo de que você fosse achar que terminamos por causa disso… o que não aconteceu… brigamos por muito mais coisas…

― Tudo bem… eu entendo… ― ele disse tentando me compreender. ― Mas… sobre o que mais vocês brigaram? Algo que você pode compartilhar? ― Ele perguntou.

― Ah, cara… ele tava sendo meio imaturo com algumas coisas… daí a gente resolveu dar um tempo pra pensar melhor em algumas coisas e resolver algumas questões… no fim, terminamos meio que para pensar com a cabeça fria mesmo, porque juntos a gente tava brigando muito… seja por causa de ciúmes, ou por causa de coisas mesquinhas… esse tipo de coisa…

― Entendi… ― ele disse.

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No final, não contei para ele que tínhamos terminado porque o Rafa tinha pedido para que eu me afastasse dele. É claro que eu não contei isso. Não tinha porque contar. Ele ia ficar com raiva do Rafa para sempre. E eu não queria isso. Eu não queria que eles nunca mais se falassem na vida. Eu gostava dos dois, e queria os dois na minha vida… mas, pra isso, eu precisaria trabalhar bastante…

Conversar com o Arthur foi bom. Foi um alivio esclarecer as coisas com ele. Nós não chegamos a falar sobre a nossa relação em si, no sentido de um dar em cima do outro. Não sei se ele pensou a respeito, mas… eu pensei… até porque agora eu estava solteiro. Mas, mesmo gostando muito dele e achando ele muito sexy, eu estava com zero psicológico para ficar com ele. Não que eu não quisesse… eu queria… mas minha atenção estava toda voltada para o Rafa…

Era como se, enquanto eu estava com o Rafa, eu tinha muita vontade de fazer algo com o Arthur, mas… agora que eu estava solteiro… essa vontade tinha passado. Eu não tinha cabeça pra isso. Eu não tinha cabeça pra começar outra relação e muito menos pra começar outra relação com o Arthur. A cabeça dele já estava bastante bagunçada para que eu fizesse isso com ele. A minha também, de qualquer forma. Eu estava um caco emocional.

Mas, como eu estava dizendo, não sei se o Arthur pensou em começar alguma coisa comigo… talvez ele tenha, ou talvez não… ou talvez tenha percebido que eu não estava bem para isso… e que não seria uma boa partir para esse lado… ou talvez ele estivesse lidando com seus sentimentos melhor que eu. Difícil dizer.

As coisas na escola também não ficaram nada fáceis. Primeiro que eu tinha que ver o Rafa todo dia naquela maldita sala de aula. A cada dia que passava o filho da puta ficava mais bonito. Eu ainda me sentia mal por ouvir sua risada… eu me sentia mal porque não era eu quem o estava fazendo rir. Não era eu quem estava fazendo alguma palhaçada, como nos velhos tempos, que tirava dele uma risada gostosa e confortável… não… era mais alguém… outra pessoa.

Miguel acabou ficando puto com a gente, pois… nós começamos a brigar por sua companhia… quando ele ia ficar com o Rafa no recreio, eu ficava de mal dele… quando ele ficava comigo no recreio, o Rafa ficava de mal dele… ele encheu tanto o saco disso que disse pra gente que só ia ficar conosco no recreio se ficássemos os três juntos… o que não aconteceu.

Na busca por alguém para passar tempo no recreio, com um medo dos olhares que julgavam os alunos isolados, eu acabava indo procurar o Arthur. Quando eu estava com ele, era como se nada disso importasse. Era como se estivéssemos sozinhos num grande deserto. Conversávamos e nos divertíamos, como bons amigos que nunca tiveram nenhuma faísca entre si, apesar de isso não ser verdade.

O medo de se isolar não era um problema para o Rafa… ele sempre conseguia se enturmar com quem quer que fosse… e isso me incomodava… me incomodava de uma maneira que vocês não podem nem imaginar… ele nunca ficava sozinho no recreio se não quisesse… conhecia todo mundo… era legal com todo mundo… todo mundo era legal com ele…

Enfim… estávamos no sétimo A… eu até tinha pensado em pedir transferência para o sétimo B, mas… se já era difícil ficar perto do Rafa, imagine ficar longe… tá… eu sei que isso não faz muito sentido, mas… apesar da dor que eu sentia ao olhar para ele, eu também sofria quando estava longe… e eu não queria superá-lo… eu não estava pronto para isso… eu queria, de alguma forma, que a gente voltasse a ficar juntos, mas sem a problemática do Arthur envolvida…

Se eu pensei em me afastar do Arthur? Sim… pensei… mas isso não fazia sentido algum… eu não seria feliz se fizesse isso, mesmo sabendo que ganharia o Rafa de volta… eu queria os dois… eu não queria ter que escolher um… não! Eu não podia terminar minha amizade com o Arthur… o problemático era o Rafa… não era certo eu sacrificar tudo que tinha com o Tuts a troco de besteira… o problema estava presente na minha relação com o Rafa, e não na minha

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relação com o Arthur. Não era certo. Eu já tinha tomado minha decisão. Arthur era meu amigo. O Rafa teria que lidar com isso se me quisesse de volta.

Como já deu pra perceber, eu estava sofrendo muito com essa situação. Não fazia sentido algum!

O mês, apesar de passar voando, teve cada um de seus dias vividos por mim. Sim. Dia após dia, eu acordava, lidava com meus problemas, dormia bastante para evitá-los, mas, eventualmente, eles acabavam me acordando através de um susto ou de um pesadelo. Às vezes eu chorava sozinho… sem nem saber o porquê. Eram tantas coisas numa só cabeça.

Às vezes eu refletia como era absurda a quantidade de informações que me compunham. Como era absurda a quantidade de informações que me rodeavam, a quantidade de informações que consolidavam o universo…

Certo dia, peguei uma folha de papel e comecei a numerar meus problemas… um por um… ali, despejei tudo o que tinha guardado, tudo que eu sentia que estava me fazendo mal e que eu precisava resolver. Listei trinta e oito problemas. Inacreditável… como um garoto de doze anos poderia ter trinta e oito problemas lhe fazendo mal? Eles eram compostos por problemas amorosos, familiares, financeiros, estudantis, psicológicos e por aí vai… muita informação para uma só pessoa.

Mas, como eu estava dizendo, o mês passou voando. Me tornei mais introvertido, de fato… pensar nos meus problemas era meu novo passatempo, agora que meu entretenimento favorito tinha terminado comigo.

Minhas notas na escola pioraram e eu não tinha o mínimo de motivação para me importar.

O fato de eu me tornar mais introvertido não estava só ligado à minha preocupação perante os meus problemas. Eu havia simplesmente perdido o interesse em conversar com as pessoas. Quando eu chegava na escola, eu tinha zero vontade de puxar papo com qualquer um. Todos pareceram se tornar tão entediantes… só de ouvir as pessoas falando sobre coisas mundanas já me dava vontade de me matar. “Ah… você viu quem pegou quem na festa de não sei quem?”. Quem se importava? Quem se importava com quem pegou quem quando a intolerância e o desrespeito andavam de mãos dadas pelas ruas? Quem se importava com qualquer coisa quando o mundo se mostrara tão injusto?

As pessoas eram chatas. Ninguém era interessante. E eu não suportava mais aquela escola. Era óbvio que estava rodeado de pessoas imaturas e mimadas. Todos ali eram como o Rafa. Todos ali nadavam no dinheiro. Ganhavam tablets, consoles, bicicletas, enquanto eu me matava de trabalhar na porcaria de um mercado pra poder juntar dinheiro pra minha irmã! Eu não aguentava mais aquele ambiente. Estava me fazendo mal. Eu me sentia deslocado. As pessoas ali não eram como eu. As pessoas ali pensavam de forma diferente. E eu estava sofrendo com isso. Eu estava sofrendo muito.

Sim. Sofri muito durante esses primeiros dias, mas, com o passar do tempo fui me acostumando com a situação. Me arrastei durante esse mês para conseguir ficar perto das pessoas sem chorar… e posso dizer que isso foi muito difícil.

Mais um final de semana chegou. Era noite quando eu terminei um dos meus melhores banhos em dias. Durante o banho, fiz um acordo comigo mesmo. Eu daria um jeito nessa situação. Do jeito que estava não dava para continuar. Eu estava muito triste e infeliz comigo mesmo. Resolvi chorar tudo o que podia enquanto a água quente do chuveiro escorria pelo meu corpo e, depois que eu terminasse de me esvaziar, eu tomaria uma atitude perante a minha vida. Eu não me conformava com a situação. Algo mudou depois desse banho. Uma faísca me fez ver uma luz no fim do túnel. Não foi nada específico… mas… era como se finalmente eu estivesse alcançando o estágio da aceitação… a última etapa de Kübler-Ross.

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Acabei me dando conta de que eu já tinha passado pela fase da negação, quando não queria acreditar que meu namoro tinha terminado. Também já tinha passado pela fase da raiva e da negociação… e a depressão nem se fale… foi basicamente nisso que meu mês se resumiu. Agora, finalmente, eu estava começando a aceitar. Aceitar tudo o que estava acontecendo comigo… e começando a me preparar para lutar e enfrentar a situação de uma maneira mais madura, sem pegar muito pesado comigo mesmo… era exatamente isso que eu ia fazer.

Liguei meu computador para tentar me distrair um pouco, botei uma música pra tocar e abri aquele pacote de Cheetos que era capaz de enxugar qualquer lágrima.

― Lucas, como você é idiota… ― eu disse para mim mesmo enquanto abria o Minecraft. ― Chega de sofrer… caguei.

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Comentários

F

Fênix negra comentou:

Meu Deus que capitulo 😢😢

21/10/2022 21:44
V

Vitinhovipvp comentou:

Capítulo super consciência. Nada como projetar uma volta por cima.

21/10/2022 21:44
K

Keno comentou:

Mais um capítulo concluído, já passei por essa fase e veja ainda não consegui sair dela, espero que nosso olhos verdes consiga, não só por ele mas sim pelo nosso gatinho, sei que é uma parte difícil espero que ele chegue em uma boa solução até pq estou ficando preocupado, obrigado greenbox porçamento mais um capítulo dessa saga, espero que o tesão gay não tenha passado mau, agora vamos para o próximo capítulo enquanto da tempo de não bater a bat kkk

21/10/2022 21:44
T

Tesão gay comentou:

Partindo para ler o próximo capítulo….estou muito triste com isso…

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

fica triste nao

21/10/2022 21:44