O menino dos olhos verdes 71
Mais uma semana havia se passado. Estávamos no começo de abril. E hoje estava sendo um dia extremamente difícil para mim. Lembra que eu havia dito que já estava na fase da aceitação do meu término com o Rafa? Pois é… fora só impressão. Hoje, eu tinha acabado de voltar um passo e, pelo visto, estava no auge da minha depressão. Eu tinha acabado de descobrir que o Rafa estava ficando com o Giuliano. Sim, isso mesmo.
Não que alguém tivesse me contado, mas… não era difícil você estar caminhando pela escola e ouvir esse boato rodando por aí. Confrontei Miguel, para que ele me dissesse a verdade e, muito relutante, ele confirmou o que eu mais temia… sim… realmente estava acontecendo… o boato não era mentira… os dois estavam ficando por aí…
Eu achei que estivesse bem… eu achei que estivesse superando-o, mas não… no fundo, eu ainda tinha esperanças de que a gente ia voltar, mas… pelo visto ele estava seguindo em frente… e eu não estava sabendo lidar com isso… eu não conseguia simplesmente não me importar… toda a dor que eu sentira nos primeiros dias que terminamos voltou a me atacar.
O que eu mais queria no momento era saber o que o Rafa estava pensando. Se ele estava ficando com esse menino pra me machucar, ou se ele estava ficando com ele porque simplesmente tinha me superado… eu realmente estava muito confuso com essa situação.
Eu não estava bem. Eu precisava conversar com alguém urgente. Para ser bem sincero, não sei se essa era a melhor ideia do mundo, mas…
Eram oito horas da noite de sexta quando minha mãe me deixou na porta da casa dele com a mochila nas costas. Bati e, alguns segundos depois, a porta se abriu e dona Renata me recebeu surpresa.
― Lucas!? Que surpresa! O Arthur não me disse que você vinha… ― ela disse se aproximando para me dar um beijo.
― Boa noite, dona Renata… me desculpe… eu não avisei que vinha…
― Ah… tudo bem…
― Ele está?
― Está sim, entra aí…
Ela me recebeu em sua casa e me levou até a sala.
― Ele está terminando de jantar… ARTHUR! ― Ela o gritou. ― Seu amigo tá aqui!
Caminhei até a cozinha e dei de cara com uma figurinha sem camisa jantando enquanto assistia algum vídeo no celular. Foi difícil não encarar. O garoto não vestia nada além de uma bermuda e chinelos. Devorei seu corpo de ponta a ponta com os olhos, e um forte impulso percorreu o meu, me fazendo perceber o quanto eu me sentia atraído por ele. Prendi o folego quando ele me olhou, tão surpreso quanto sua mãe, diga-se de passagem, e levou seu dedinho até os óculos, empurrando-os para ajeitá-los em seu rosto angelical e ter certeza de que quem estava ali era realmente eu. Ele pausou o vídeo, se ajeitou na cadeira e disse:
― Olhos Verdes? O que você tá fazendo aqui?
― Oi… desculpa aparecer sem avisar… ― eu disse enquanto deixava minha mochila no chão e ia me sentar na mesa com ele.
Era quase que impossível não admirar seu torso nu, que agora ele deixava à mostra e exibia um tanto quanto envergonhado junto com suas curvas perfeitas de menino, que se estendiam de seus ombros até seus braços e abdômen.
― Quer jantar? ― Ele perguntou.
― Não, valeu… ― eu disse piscando duas vezes para tentar focar minha atenção para a conversa.
― ―
816
Ele acelerou a velocidade com que comia, para que pudesse terminar e ir conversar comigo.
― Precisa de alguma coisa? ― Ele perguntou e me olhou, esperando pelo motivo da minha visita.
― Não… ― eu disse com calma. ― Eu só… precisava conversar…
― Hum… entendi… mas sobre algum assunto em específico?
― Não… ― menti.
― Entendi… ― ele disse ainda sem entender o que eu queria.
― É sobre o Rafa… ― Confessei.
― Ah… ― ele disse terminando de comer e se levantando para levar seu prato até a pia. ― O que ele fez dessa vez?
― Eu acho que ele me superou… ― eu disse encarando a mesa para não olhar diretamente para ele.
― Ah… sinto muito… chega aí…
Segui ele até seu quarto que, como sempre, estava muito organizadinho. Me sentei em sua cama e observei o ambiente. Em sua escrivaninha, tinha um livro aberto e mais quatro empilhados ao seu lado. Os seus cubos mágicos estavam todos montados e organizados por ordem de tamanho. Sua cama estava arrumada e, ao lado dela, estava o tênis que ele usava todo dia. Apesar de seu quarto ser muito bonito, o que mais me chamava atenção nele era o seu cheiro. Cheirava a Arthur e, sendo bem sincero, era um cheiro que eu achava extremamente agradável.
Assim que ele entrou no quarto, abriu seu guarda-roupa e vestiu uma camiseta assim que possível. Uma pena ele não se sentir tão à vontade com seu peito nu perto de mim. Eu me sentei em sua cama e ele veio se sentar ao meu lado.
― E então? ― Ele perguntou e me encarou, esperando que eu falasse.
― Ele tá ficando com outro menino…
― Putz… ― ele disse sem saber o que dizer para me consolar.
― Pois é… é o Giuliano, da sua sala…
― Ah… desculpa… ― ele disse. ― Eu… meio que ouvi o pessoal da sala comentando… eu só não quis te dizer, porque… desculpa… eu não sabia como te contar isso…
― Tudo bem… mais cedo ou mais tarde eu acabaria descobrindo mesmo…
― É… e como você tá levando?
― Levando… ― eu respondi. ― Não é como se eu pudesse fazer nada a respeito…
― Entendi… você ainda gosta dele, né?
― Sim… muito… mas não sei se eu quero voltar… e nem sei se ele quer voltar comigo… não depois do que eu fiz… ― eu confessei.
― Você conversou com ele? Depois?
― Não… acha que eu devia?
― Não sei… ― ele respondeu pensativo.
― É só que… as coisas que eu fiz… as coisas que ele fez… eu estou profundamente magoado… e não acho que eu tenho cabeça pra conversar com ele… pelo menos não agora…
― Sinto muito… ― ele lamentou.
― Valeu… ― eu disse. ― Foi mal… eu precisava conversar com alguém…
― Sem problemas…
― É só que… eu sinto muita falta dele… ― eu disse encarando o chão.
― Eu imagino… ― ele disse tentando ser complacente.
― ―
817
― Às vezes eu acho que ele só está ficando com esse outro menino pra me fazer ciúmes… e isso é o que me deixa mais puto… eu tenho medo de que ele esteja fazendo isso só pra me dar o troco… por causa daquilo que aconteceu entre a gente…
― Se ele fizesse isso, ele seria a pessoa mais idiota do mundo, Lucas… ― ele disse e se levantou.
Quando ele disse isso, olhei para ele. Ele estava calmo, até porque não tinha motivos para estar desesperado, diferente de mim. Ele ouvia atentamente a cada palavra que eu dizia e eu me sentia extremamente grato por isso. Olhar para ele me fez perceber que eu possuía um grande amigo… algo raro, hoje em dia… ele gostava de mim tanto quanto eu gostava dele… eu sentia que ele era uma pessoa que ficaria do meu lado em qualquer situação… e gratidão foi tudo que eu senti… a carga emocional que eu sentia diminuiu consideravelmente depois desse olhar, pois agora eu sabia de verdade que podia contar com ele para qualquer coisa.
― Lu… ― ele disse andando pelo quarto. ― Com todo respeito, mas… eu sempre o achei meio idiota… você conhece ele… sabe como ele é mimado e tem o ego inflado… não precisa de muito tempo perto dele para perceber… e eu não acho nenhum pouco justo ele te tratar assim por causa do que aconteceu com a gente… ele tem o direito de ficar chateado com isso, tudo bem, mas… se ele te amasse tanto quanto diz, não te largaria por causa disso… a questão é… me desculpe se eu estiver errado, mas… às vezes eu acho que ele não te trata do jeito que você merece… pronto, falei…
― Eu sei… ― eu disse triste por ouvir a opinião que o Arthur tinha construído acerca do Rafa.
― Se você realmente quiser voltar com ele, vai conversar com ele… tenta se acertar, mas… se não der certo… ele que se foda… você merece mais que isso… ― ele disse e parou na minha frente.
― Acho que você tem razão… ― concordei com sua colocação.
― Estou falando sério… eu nunca fui muito com a cara dele… só não quis deixar isso muito claro porque eu sei o quanto ele é importante pra você, mas… cara… bola pra frente… fala com ele… tenta se acertar… mas, se não der certo, paciência… ele vai estar perdendo muito mais que você… ― ele disse e botou a mão no meu ombro.
― Valeu… ― eu agradeci um tanto quanto surpreso pelo toque.
Sentir sua mão em meu ombro fez meu coração se acelerar. Seu toque era quente e aconchegante. Olhei mais uma vez para seu corpo, que, apesar de estar vestido, eu ainda conseguia enxergar seu peito nu através da imaginação, graças à memória fresca. Olhei para seus olhos e pude sentir o quão sincero ele estava sendo.
Nessa hora, me levantei e me aproximei dele, para lhe dar um abraço. Ele foi pego de surpresa e precisou de dois segundos para me abraçar de volta. Botei a cabeça no seu ombro, fechei os olhos, apertei seu corpo e disse:
― Obrigado. De verdade.
― Sem problemas… ― ele disse e me abraçou mais forte.
Nosso abraço não demorou muito, até porque não tínhamos motivos para ficar abraçados. Se demorássemos mais um pouco, começaria a ficar estranho. Então eu o soltei. Voltei a me sentar na cama e me puis a pensar.
― Tava foda lá em casa… ― eu confessei. ― Sem ter ninguém pra conversar… tá sendo horrível ficar sozinho…
― Erm… então por que você não dorme aqui hoje? ― Ele sugeriu enquanto se sentava ao meu lado.
Olhei para ele, tentando buscar motivos para um convite como esse.
― A gente pode assistir um filme… falar merda… jogar… vai ser legal…
― ―
818
― E-Eu… ― eu disse sem saber o que dizer. ― Eu não sei… eu adoraria, mas…
― Mas o que!? ― Ele insistiu pronto para derrubar qualquer argumento que eu dissesse.
― Pode ser, mas… eu não trouxe nada… além da minha escova de dentes…
― E você precisa de mais o que? ― Ele perguntou rindo da minha cara.
― Ah… pijamas… não sei…
― Pode pegar um dos meus emprestado, se quiser…
― Tá… valeu… ― eu disse. ― Mas preciso avisar minha mãe, de qualquer forma…
― E eu a minha… quer ligar pra ela? ― Ele perguntou.
― Pode ser…
― Tá… vou avisar minha mãe, então…
Arthur saiu do quarto e, enquanto isso, eu aproveitei para ligar para a minha. Ela deixou de boa, até porque ela sabia como eu estava mal e achou que seria uma boa que eu passasse um tempo com um amigo.
Arthur voltou e disse que sua mãe também tinha autorizado. Daí, voltamos a conversar.
― E com você? ― Eu perguntei. ― Como vão as coisas?
― Ah… eu estou melhor… ― ele disse.
― Parou de beber? ― Perguntei repreensivo.
― Sim… ― ele disse um tanto quanto envergonhado. ― Não estava ajudando…
― E como você tá com todo o lance do seu pai?
― Ah… eu ainda sinto muita falta dele, mas… acho que já estou começando a aceitar…
― Entendi… ― eu disse tentando ser compreensivo.
― Você sabe que ele viajava muito e tal… passava muito tempo fora de casa… mas ele sempre voltava… hora ou outra ele sempre aparecia e me trazia vários presentes… e era bom ter a casa cheia novamente…
Ouvi em silêncio, tentando fortalecer o nosso tipo de amizade.
― No começo… quando ele se foi… às vezes eu acordava e pensava por um instante que o fato de ele ter morrido tinha sido tudo um sonho e… que ele uma hora voltaria… mas, logo depois eu me despertava e me dava conta de que isso não ia acontecer… e que tudo que estava acontecendo era real… e eu voltava a ficar triste… sem esperanças… mas agora já estou lidando melhor com tudo… a viagem que eu fiz com minha mãe me ajudou… mas, quando voltamos e entramos em casa e percebemos que estávamos sozinhos de vez… foi bem foda…
― Sinto muito…
― Tudo bem… como eu disse, agora eu já estou melhor… tenho os estudos pra ocupar minha mente…
― E o que você anda estudando? ― Perguntei tentando não deixar a conversa muito negativa.
― Ah… pois é… tô começando a estudar física agora… que é uma matéria que a gente tem no nono ano… então tô adiantando umas coisas…
― Entendi… ― eu disse. ― É difícil?
― Um pouco… mas é só estudar que fica fácil… como tudo na vida…
― É… acho que sim… ― eu disse e ri do seu comentário.
― Também tô lendo bastante… então… no mais, acho que é isso…
― Saquei… ― eu disse.
― E você? ― Ele perguntou.
― Eu… bom… além do fato de eu estar trabalhando no mercado, como você sabe, também voltei a ter aulas com o professor Tales. ― Quando eu disse isso, me lembrei no ocorrido no Bloco Leste semana passada, com Caio.
― Não diga… ― ele disse surpreso.
― ―
819
― Pois é… eu tava mal, por causa de todo esse lance com o Rafa… e isso afetou minhas notas… e agora eu preciso recuperar nesse próximo bimestre…
― Se precisar de ajuda, sabe onde me encontrar… ― ele se pôs à disposição.
― Obrigado… ― agradeci.
Continuamos conversando sobre as nossas vidas pelos próximos trinta minutos. No fim, acabei confessando que eu ainda não tinha jantando. Ele riu quando eu disse que, na verdade, estava morrendo de fome, mas que tinha recusado o jantar por educação. Sua mãe me deu comida e, depois que eu jantei, nós dois tomamos banho porque já era tarde e estava quase na hora de dormir. Não tomamos banhos juntos, se é o que você está pensando, mas bem que eu gostaria. Haha.
Eu tomei meu banho e acabei vestindo um de seus pijamas emprestado. Eles tinham o cheiro do Arthur. Seu pijama era composto de uma camiseta cavada branca e de um shortinho azul escuro com luas e estrelas amarelas. Talvez sua mãe o tivesse comprado pelo gosto evidente de seu filho por astronomia. Achei fofinho.
Assim que saí do banheiro, Arthur começou a rir de ver seu pijama sendo usado por outro garoto. De acordo com ele, era como se ele estivesse vendo uma cabeça vestindo seu próprio corpo. Eu ri de sua colocação.
Sua mãe nos deixou à vontade na sala e foi para seu quarto terminar algumas coisas do trabalho. Eu e Arthur escolhemos um filme na internet e nos jogamos no sofá para assistir. Apagamos todas as luzes da casa e demos o play no filme IT, A Coisa.
Eu, particularmente, ainda morria de medo de filmes de terror, mas… acabei concordando com a ideia de sentir um pouco mais de emoção. Seria bom para distrair a cabeça.
Nós estávamos deitados no sofá muito perto um do outro, com nossos braços encostados. Eu conseguia sentir o calor que emanava de seu corpo e, provavelmente, ele também era capaz de sentir o do meu.
Nem preciso dizer que eu estava adorando o filme né? O elenco era simplesmente de tirar o fôlego e, depois de ver aquela cena em que os cinco meninos aparecem de cueca no lago, o filme já tinha me ganhado por completo. Tudo bem que o filme nos assustou com alguns jumpscare, mas, mesmo assim, eu ainda continuei adorando-o.
Foi em um dos momentos de silêncio e tensão do filme que as coisas começaram a… ficar estranhas, por assim dizer.
Um dos protagonistas caminhava em direção a uma casa abandonada e a música parou por um instante. Fez-se silêncio na sala e eu pude ouvir a respiração do Arthur se acelerar. O filme começou a dar pistas de que um outro jumpscare estava para acontecer.
― Ih… é agora… ― eu disse rindo sem conseguir tirar os olhos da tela.
E, nesse instante, senti a mão do Arthur pegar na minha. Tudo à minha volta começou a ficar em câmera lenta até que o tempo simplesmente parou. O toque de sua mão na minha fez com que meu coração batesse mais rápido. Eram informações demais contidas em um único toque para que eu conseguisse simplesmente entender o que estava acontecendo. Olhei para ele e ele estava com os olhos fechados, como se estivesse se preparando para receber o susto.
O que eu não entendia era se ele estava fazendo isso porque estava com medo do filme ou se simplesmente estava usando isso de justificativa para me tocar. Acontece que, seu toque despertou em mim inúmeros desejos. Tocá-lo era como beber da fonte do mais puro prazer. Sua mão era macia, delicada e quente. Devolvi o carinho apertando-a de volta.
Voltei a olhar para ele e ele continuava com os olhos fechados. Eles não estavam fechados com força. Eles estavam apenas fechados. Como se ele estivesse se privando do sentido da visão para que o do tato ficasse mais aguçado. Para que pudesse sentir mais a fundo a leveza do meu toque.
― ―
820
Sem me importar mais com o filme, inclinei meu corpo em sua direção e aproximei meu rosto do seu. Contemplei aquele rosto angelical que estava diante do meu, fechei meus olhos e me aproximei ainda mais. Ele respirava fundo e exalava um ar doce e inocente sobre o meu rosto. Doce e inocente o suficiente para me levar a um estado de êxtase profundo. Sem pensar mais, apenas levei meus lábios até os seus e recebi dele o doce toque de seu beijo.
Assim que eu encostei meus lábios nos seus, ele se assustou e recuou um pouco, mas, depois de entender o que estava acontecendo, ele voltou a se aproximar e, sem hesitar mais, me beijou de volta.
A princípio, apenas encostamos nossos lábios um no outro e sentimos a descarga de adrenalina que era liberada em nossos corpos. Sentimos a descarga emocional que esse gesto trazia consigo. Um turbilhão de emoções inundou a minha mente e me fez esquecer de todo o restante a nossa volta. Enquanto eu sentia seus lábios macios e suaves sobre os meus, pude sentir o inconfundível cheiro de sua respiração. Estava tão calma quanto a minha, apesar de estarmos eufóricos por dentro.
Ele levou uma de suas mãos até meu pescoço e me trouxe mais para perto. Após esse sinal de aceitação, soltei meu peso sobre seu corpo e foi a minha vez de passar minhas mãos pelo seu pescoço. Puxei ele para mais perto e nossas línguas finalmente perderam a vergonha e se tocaram pela primeira vez depois de muito tempo. Ele abriu a boca e deixou que minha língua a invadisse. Sua boca era tão quente quanto a minha e seu gosto me provocava e me levava para um estado de excitação absurdo.
Giramos nossas cabeças e sentimos nossas línguas dançarem na boca um do outro. Um estalo decorrente do beijo ecoou pela sala quando nos ajeitamos no sofá procurando pela melhor posição.
Ele acabou se deitando por baixo e eu por cima, montado em cima dele, enfiando minha língua em sua boca o mais fundo possível, buscando todo prazer que ela podia oferecer. A essa altura do campeonato, o filme tinha sido completamente esquecido e nós dois estávamos completamente entregues um ao outro.
Eu nem preciso dizer que eu estava completamente excitado, né? Fazia dias que eu não beijava ninguém e eu estava na maior seca. Acredito que Arthur também. Nós dois estávamos famintos um pelo outro. Meu pau estava parecendo uma pedra, de tão duro, e não parava de vazar.
Apesar de estarmos bem excitados e bem afim um do outro, ainda mantínhamos uma certa distância. Por exemplo, eu estava evitando o máximo possível encostar meu pau duro nele, por que eu não sabia até onde ele estava disposto a ir nessa pegação. Como eu estava por cima, eu tentava respeitá-lo o máximo possível, mantendo meu quadril para cima.
Até agora, eu estava deixando-o conduzir e dar os passos que levavam a pegação para um nível mais quente. Até o momento, a única iniciativa que eu tinha tomado era de beijá-lo. Ele que tinha botado a língua na história, ele que tinha começado a passar a mão pelo meu corpo. Tudo que ele fazia, eu respondia da mesma forma, deixando claro que eu ia com ele até onde ele estivesse disposto a ir.
No meio da nossa pegação no sofá, ele levantou um pouco a perna e sentiu, com seu joelho, que eu estava duro. Ao perceber, ao invés dele se afastar, ele continuou com seu joelho encostado no meu saquinho e tratou de enfiar a mão por dentro da minha camiseta. Eu tomei isso como um positivo e joguei meu peso em cima dele, encostando, de vez, meu pau duro sobre o dele, que também estava do mesmo jeito.
Ele abriu um pouco as pernas e deixou que meu corpo ficasse no meio delas. Sentir sua ereção com a minha fez com que eu perdesse de vez o controle sobre minha respiração e começasse a ofegar em meio aos nossos beijos.
― ―
821
Os puxões de cabelo começaram e nossos corpos, por instinto, começaram a se esfregar um no outro.
Nós dois estávamos com nossos olhos fechados, apenas sentindo nossos corpos quentes e dominados pelo desejo se tocarem, concentrados em uma intensa troca de baba que acontecia entre nossas bocas.
Sem aguentar mais resistir, levei minha mão até seu pau e agarrei seu pacotinho por cima do seu short. Interrompi nosso beijo quando ouvi ele soltar seu primeiro gemidinho.
― Awnn… ― ele soltou.
― Tuts… ― eu o chamei. ― Como você tá? ― Sussurrei baixinho perto do ouvido dele.
Nessa hora, ele me olhou com uma cara de perdido, como se estivesse completamente bêbado de tesão.
― Como eu tô? ― Ele perguntou confuso.
― É… você tá bem? ― Perguntei e sorri.
― Muito bem… e você? ― Ele perguntou rindo sem motivo.
― Também… quer ir pro quarto? ― Perguntei.
― Pro quarto?
― Uhum… ― eu confirmei.
― Mas você diz… pra gente…
― Só se você quiser… claro… ― eu confortei-o.
― Pode ser… ― ele disse sem pensar duas vezes.
― Beleza… ― eu disse e sorri.
Recebi um sorriso de volta. Nós dois nos levantamos, arrumamos nossas roupas e nossos cabelos, disfarçamos as ereções, desligamos a TV e corremos no escuro até seu quarto. Chegando lá, eu entrei, ele entrou e, em seguida, ele trancou a porta, e nós dois voltamos a nos pegar. Fomos nos beijando até cairmos juntinhos na cama. E, agora que a porta estava trancada, nós dois continuamos nossa pegação sem medo de sermos pegos pela sua mãe.
Podíamos nos beijar e nos pegar livremente. Não existia mais o peso na consciência de eu estar namorando o Rafa. Eu estava solteiro. Ele estava solteiro. A tensão sexual existia e estávamos completamente entregues a ela. Não havia restrições. Tínhamos a noite toda ao nosso lado para nos pegarmos e nos provarmos.
Era verão e o calor era evidente. Seu quarto estava quente e nossos corpos mais ainda. Socávamos a língua na boca um do outro freneticamente, desesperados por matar a sede de se beijar, que parecia ser insaciável.
Completamente entregues um ao outro, tomei iniciativa e comecei a puxar sua camiseta para cima, numa tentativa de fazê-lo ficar de peito nu mais uma vez. Ele consentiu e me ajudou a despi-lo. Em seguida, foi minha vez de tirar a minha.
Nessa noite quente de verão, nós dois nos encontrávamos deitados em sua cama, cada um vestindo nada além de um shortinho curto de malha e uma cueca por baixo, provando do gosto da baba um do outro, num nível de excitação que apenas dois pré-adolescentes em seu auge de disposição sexual poderiam alcançar.
Em questão de segundos, pois o tesão era demais, perdemos a vergonha e resolvemos abandonar de vez qualquer peça de roupa que cobria nosso corpo. E pronto. Eu e Arthur estávamos completamente pelados se pegando como nunca havíamos se pegado antes.
Em meio a nossos beijos, nossas ereções se tocavam e melecavam nossos corpos com toda pré-porra fina e quente que vazava livremente. O cheiro de porra subiu pelo quarto, deixando o ambiente ainda mais excitante.
Seu corpo era quase do mesmo tamanho que o meu. Ele não tinha o porte atlético do Rafa, mas era magro o suficiente para que os músculos de seu abdômen fossem ligeiramente
― ―
822
visíveis. As curvas do seu caminho da felicidade eram bem definidas e começavam logo acima de sua cintura e desciam e apontavam para a parte mais chamativa de seu corpo. Seus doze centímetros de carne branca estavam eretos e eram realçados por uma cabecinha rosada e cheinha. Seu pau era quase do mesmo tamanho que o do Rafa, um pouco maior, talvez, e bem mais grossinho, o que me deixava com ainda mais vontade de senti-lo dentro de mim.
Na sua base, alguns cabelinhos muito finos e quase que imperceptíveis davam o ar de sua graça, indicando que ele já estava atingindo a puberdade. Seu pau era retinho e tinha a pele fina o suficiente para que não fosse capaz de cobrir a cabecinha por completo quando este estivesse integralmente duro.
Seu saco não era muito grande, mas estava bem cheio, demonstrando que ele estava sentindo uma grande tensão naquela área.
Fora seus míseros pentelhos, Arthur não apresentava mais nenhum pelo em seu corpo. Suas pernas eram lisinhas assim como suas axilas. A beleza de seu corpo era evidente e seu rosto angelical fazia-o uma criaturinha extremamente atraente.
Interrompi nosso beijo molhado e disse:
― Um minuto… acho que eu trouxe o KY…
Saí de cima dele e caminhei até minha mochila, que estava em cima de sua escrivaninha. Enfiei minha mão no bolso que eu costumava guardar meus produtos íntimos e retirei de lá de dentro o tubinho de KY e duas camisinhas.
Voltei para a cama e subi em cima dele, que se ajeitou levantando o corpo e se apoiando com os cotovelos. Botei as camisinhas do nosso lado e abri o tubinho de lubrificante. Ele me olhou atentamente e depois pegou uma camisinha para ver de perto.
― Você carrega isso na mochila? ― Ele perguntou.
― Sim… nunca se sabe, né? ― Eu disse rindo.
― Você é maluco… ― ele disse rindo.
Posicionei o tubo em cima da sua virilha e o apertei, deixando que uma gota generosa de lubrificante escorresse e atingisse a cabeça do seu pau e seu saco.
― Aawwnnn… ― ele gemeu. ― É geladinho…
Em seguida, meti minha mão na região mais sensível de seu corpo, que ficava logo abaixo do seu saco. Ele soltou um suspiro e jogou a cabeça para trás, curtindo o prazer que um toque amigo podia proporcionar. Fiquei satisfeito só de ver o prazer estampado em sua cara. Continuei subindo com minha mão e espalhando o gel pelo seu saco até alcançar seu pau. Envolvi minha mão nele e comecei a fazer movimentos de vai e vem para deixá-lo bem lubrificado. Ele não conteve seus gemidos.
― Awnnn… awnnn…
Continuei masturbando-o por alguns minutos só para mimá-lo um pouquinho. Ele pareceu curtir bastante. Daí, sem conseguir mais aguentar, eu botei o tubo de KY em sua mão e disse:
― Toma… passa um pouco em mim…
Enquanto ele abria os olhos, fui ficando de quatro em sua frente. Ele se ajeitou na cama e ficou ajoelhado na minha frente. Daí ele abriu minhas nádegas, posicionou o tubinho na entrada do meu cú e o apertou. Senti o gel me atingir e escorrer pelo meu cuzinho até alcançar minha perna. Ele levou sua mão até o interior da minha coxa e começou a deslizar a mão para cima, espalhando o lubrificante em mim. Com seu dedo indicador, ele começou a fazer movimentos circulares no meu anelzinho. Nem preciso dizer que fiquei completamente maluco né?
― É pra eu botar a camisinha? ― Ele perguntou.
― Você que sabe… ― eu respondi. ― O que você preferir…
― ―
823
― Tá… ― ele respondeu.
― Vai botar? ― Perguntei.
Daí ele me segurou pela cintura, me puxou para perto e me fez sentir algo pontudo, quente e macio tocando meu cuzinho. Ele começou a esfregar seu pauzinho na minha entrada e disse:
― Não…
― É… imaginei… ― eu disse rindo.
Depois de esfregar mais um pouco seu pintinho em mim, ele começou a forçar a entrada. Ele foi enfiando até onde o lubrificante permitiu. Quando percebeu que precisava de mais, o retirou de dentro de mim, o lambuzou mais um pouco e voltou a meter. Dessa vez, ele conseguiu enfiar com mais facilidade. Eu percebi que ele tinha conseguido enfiar tudo quando senti seu saco quente tocar minha bunda. Ele estava pegando fogo, de tanto tesão. Seu gemido também denunciou que ele tinha conseguido meter tudo.
Com suas mãos melecadas de lubrificante, ele me segurou pela cintura e começou a me comer, fazendo os deliciosos movimentos de vai e vem.
― Awwnn… ― gemi delirando de prazer.
Ele, percebendo que eu estava adorando estar ali, se inclinou e se deitou em cima de mim, que estava de quatro. Com uma mão, ele continuou segurando minha cintura e ditando o ritmo e, com a outra, ele agarrou meu pau e começou a me masturbar. O lubrificante que ainda residia em sua mão só deixou tudo mais gostoso. Ele alcançou meu pescoço com a boca e começou a me chupar, deixando minha pele toda cheia de baba.
A intensidade dos movimentos aumentou assim como nossos gemidos. Apesar de estarmos sozinhos no quarto, não estávamos sozinhos em casa, então nos atentamos a não gemer tão alto, para que sua mãe não passasse em frente ao seu quarto e acabasse ouvindo coisas que não devia.
Ele continuou me comendo por alguns instantes até me agarrar pela barriga e me puxar para trás. Nós dois levantamos nossos troncos e continuamos colados um no outro. Ele, que estava atrás, continuou movimentando seu quadril e fazendo os movimentos de vai e vem. Também comecei a cavalgar junto com ele para ajudar na penetração. Ele me abraçou por trás e, depois de me dar uma chupada deliciosa no pescoço, botou a mão no meu rosto e, gentilmente, girou minha cabeça para que eu voltasse minha boca para ele. Ele enfiou a língua na minha boca o mais fundo o possível e eu retribuí chupando-a. Continuamos nos beijando e fodendo por alguns minutos nessa posição.
Percebi que ele estava prestes a gozar quando ele me fez voltar a ficar de quadro, para que pudesse me comer mais agressivamente. Sem discutir, me abri completamente para ele e deixei que ele metesse o seu pau em mim o quanto quisesse. Ele me agarrou pela cintura com firmeza e intensificou os movimentos de vai e vem.
Confesso que nessa hora eu quase explodi, mas tentei segurar meu gozo o máximo possível para soltar tudo junto com ele, mas estava difícil, ainda mais com a mão dele esfregando lubrificante na cabeça do meu pau.
― Quando for gozar avisa… ― eu pedi.
― Beleza… ― ele disse entre os gemidos de prazer. ― Tô quase…
― Tá…
Ele continuou me comendo por alguns minutos até não aguentar mais e explodir num orgasmo fantástico. Percebi que ele tinha começado a gozar quando ele me segurou com mais força e meteu tudo o que podia o mais fundo dentro de mim, enquanto soltava um gemido que soava como música para os ouvidos.
― ―
824
― Estou gozando… ― ele disse gemendo enquanto sentia toda onda de prazer tomar conta de seu corpo.
Depois de ouvir isso dele, eu parei de resistir e botei minha mão em cima da dele, que segurava meu pau. E eu comecei, junto com ele, a fazer movimentos de vai e vem em mim, ditando a frequência que me levaria o mais rápido possível para o orgasmo. E cá estava ele.
Assim que consegui gozar, conduzi sua mão para baixo, para que ela arrastasse a pelinha do meu pau e descobrisse por completo a minha cabecinha. E pronto. Senti a porra sair do fundo do meu saco, percorrer meu pau e escorrer pela ponta. Meu gozo foi escorrendo por nossos dedos até atingir sua cama… e pior que eu gozei pra caralho… fez a maior sujeira no seu lençol.
Ele continuou com seu pau dentro de mim, sentindo as sensações mágicas que só o pós-orgasmo podia proporcionar. A medida que seu pau foi perdendo volume, pude sentir seu gozo vazar pelo meu cú e escorrer pela minha perna, foi aí que ele finalmente retirou seu pau de dentro de mim e nós dois caímos exaustos na cama, um do lado do outro, sujos de lubrificante, suor e porra.
― Meu deus… ― ele disse olhando para o teto.
― Eu sei… ― eu disse enquanto suspirava de alívio.
Depois disso, ficamos em silêncio. Não que não tivéssemos muito o que conversar, mas… não tínhamos… tínhamos muito mais o que pensar… depois de toda tensão sexual passar, eu pude voltar a mim e pensar direito no que tinha acabado de acontecer.
Eu não sabia se tinha sido uma boa ideia fazer sexo com ele, mas… tinha sido uma experiência simplesmente incrível… eu estava completamente sem palavras. Acredito eu que ele também tenha gostado, senão ele não teria gemido tanto…
Apesar de eu estar solteiro, uma parte de mim ainda ficava insistindo que eu estava traindo o Rafa. Não fazia sentido eu sentir isso. A gente não estava mais junto. Por que eu simplesmente não conseguia aceitar? Por que eu me sentia culpado por ter ficado com o Arthur, mesmo não estando mais namorando ele? Por que eu não me sentia livre? Muitas perguntas as quais eu ainda não tinha uma resposta. Talvez, no fundo, por imaginar que ainda teria alguma chance com o Rafa, parte de mim não queria que eu fizesse nada que pudesse comprometer nossa volta em um futuro incerto. Dificil dizer. Eu estava confuso. A única coisa que estava clara para mim era que eu tinha gostado de transar com o Arthur. E muito. Para caralho.
― Erm… ― ele disse um pouco sem graça. ― Vou vestir minha cueca, se não se importa…
― Ah… claro… ― eu disse me levantando para alcançar a minha.
Vesti minha cueca e, em seguida, meu pijama. Ele fez o mesmo. Daí nós dois trocamos um olhar estranho.
― É… tá tudo bem entre a gente… né? ― Ele perguntou enquanto arrumava o cabelo.
― Hum… ― pensei a respeito. ― É… acho que sim… ― eu concordei com ele. ― Por que não estaria?
― Ah… não… nada… é que tipo… ― ele disse. ― Não foi… não foi nada demais… o que acabamos de fazer… certo?
― É… acho que não… ― eu concordei. ― Por que? Era pra ser?
― Ah… não é isso que estou dizendo… ― ele se esquivou da pergunta. ― É só que… ainda somos amigos… certo?
― Se você ainda quiser ser meu amigo, sim… ― eu disse rindo da pergunta boba que ele me fizera.
― Tá… ― ele disse pensativo.
― Arthur… ― eu o chamei.
Ele olhou para mim atentamente e esperou que eu dissesse alguma coisa.
― ―
825
― Tá tudo bem contigo? ― Perguntei.
― Ah… sim… claro…
― Qual a crise, então?
― Não sei… ― ele disse se sentando na cama. ― Não sei como reagir ao que acabou de acontecer…
― Ei… ― eu disse me sentando ao seu lado. ― Você gostou?
― Sim… ― ele confessou. ― Você?
― Também… muito, pra falar a verdade…
― É… eu também… ― ele disse e sorriu timidamente.
― Você mandou muito bem. Andou praticando, foi?
Quando eu disse isso, ele começou a ficar muito vermelho. Acho que consegui deixá-lo muito sem graça. Me aproximei e dei um beijinho em sua bochecha.
― Tô brincando… ― eu disse rindo. ― Quer terminar de ver aquele filme agora?
― Pode ser… ― ele disse tímido. ― Depois de um banho, né?
― Claro… depois de um banho… ― eu concordei e sorri.
Nós dois tomamos banho. Não tomamos banhos juntos, se é o que você está pensando. Haha. Depois que toda a excitação do sexo passou, nos acalmamos e voltamos a agir normalmente, ou pelo menos tentar. Terminamos nosso banho e fomos assistir o final do filme. Quando este acabou, já estávamos demasiadamente cansados e acabamos indo dormir. Não transamos de novo, não foi por falta de vontade minha… se eu pudesse, transaria com esse garoto a noite inteira… só não rolou clima mesmo… tentamos levar tudo só na amizade… e que amizade colorida…
⏩ O melhor site de desenhos animados pornô do 🇧🇷, HQs eróticas🔥
👁️ 0 visualizações