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O menino dos olhos verdes 76

📅 Publicado em: 15/10/2022 03:50

👤 Autor: greenbox-amigobc

📂 Categoria: Gays

🏷️ Tags: #PreTeen
************* Episódio 76 ― Anistia ****************

Tinha alguma coisa de errado. Eu estava começando a acordar, mas não me lembrava de ter ido dormir. Estranho. Eu não sabia onde eu estava… e nem como tinha ido parar ali… eu não me lembrava dos últimos acontecimentos… era como se estivesse faltando um pedaço enorme da minha memória.

Ouvi alguns bipes. Será que um despertador estava tocando? Abri meus olhos e não consegui identificar onde eu estava. Estranho… parecia ser um quarto de um hospital…

Espera! Um hospital? Por que eu estava aqui? O que será que tinha acontecido comigo? Será que eu tinha sofrido um acidente? Será que eu tinha sido atropelado? Espera! As memórias estavam voltando.

Senti uma forte dor aguda percorrer todo meu corpo. Minha barriga doía muito, assim como meus braços, pernas, quadris e rosto. Lorenzo! Meu deus! Agora eu estava me lembrando…

Quando percebi que eu estava consciente e onde eu estava, bateu o desespero. Levantei meu tronco e puxei o ar para respirar e tentar me acalmar. Assim que me levantei, senti todo meu corpo doer e desisti. Me joguei pra trás de volta para a cama. Espera… de relance, percebi que tinha alguém no quarto, e era impossível não reconhecer sua silhueta. O que ele estava fazendo aqui?

Rafa veio até mim correndo me acudir.

― Ei… se acalma… tá tudo bem…

― Onde eu estou? ― Eu perguntei ainda desorientado.

― Você tá no hospital… você tá bem… não aconteceu nada de grave…

Nessa hora, me lembrei do que tinha feito e das consequências do meu ato e comecei a me desesperar. Tinha acontecido algo grave sim.

Rafa se sentou do meu lado na cama e passou um braço em volta de mim. Senti uma pontada de dor quando ele encostou no que parecia ser um de meus machucados, mas nada que fosse impossível de suportar.

― Ei… tá tudo bem… tá tudo bem… ― ele disse tentando me acalmar mais uma vez.

Mas era impossível ficar calmo. Eu estava desesperado. Eles não tinham ideia do que tinha acontecido comigo… e nem do porquê… e eu não sabia como contar, até porque Lorenzo tinha me ameaçado a não dizer nada. Eu não conseguia reagir… senti meus olhos se encherem de lágrima. Aquela sensação de se ter o peito carregado quando se precisa chorar tomou conta de mim. Era como se uma enorme tristeza emergisse de dentro pra fora.

Afundei minha cabeça no seu peito e passei meus braços em volta dele. Eu sentia que eu tinha o direito. Era tão bom abraçá-lo depois de tanto tempo. Era tão bom senti-lo, tocá-lo, cheirá-lo.

― Rafa… ― eu disse conforme o meu choro se intensificava.

― Ei… relaxa… tá tudo bem… ― ele disse mais uma vez e me abraçou mais forte.

Mas não estava. Segundos depois, ouvi alguém entrando no quarto. Olhei para a porta e Arthur, seu Humberto e uma mulher de jaleco entraram. É… tava todo mundo aqui comigo… todos esperando para saber o que tinha acontecido. Me soltei do Rafa e olhei para os três. Me senti mal por estarem todos me vendo nessa situação deplorável.

― Oi, Lu… ― Arthur me saudou.

― Como você tá, Luquinha? ― O tio perguntou se aproximando da gente.

Não respondi que estava bem, até porque não estava. Apenas dei de ombros e olhei pra baixo, sentindo muita vergonha do que tinha acontecido.

― ―

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― Boa noite, Lucas… ― a doutora me saudou. ― Me chamo Julia e sou a médica responsável por você. Está sentindo dor? ― Ela perguntou enquanto se aproximava para me examinar.

― Um pouco… ― eu respondi. ― E a bebê? ― Perguntei para o tio, curioso para saber em que pé o parto estava.

― Deu tudo certo… ― ele respondeu. ― Ele e sua mãe estão descansando agora… os dois estão bem…

― Ele? ― Eu perguntei confuso e olhei para o Rafa.

― É… sobre isso… ― Ele disse sorrindo. ― Você ganhou um irmão…

Seu sorriso era reconfortante.

― É sério isso? ― Eu perguntei sem acreditar. ― É possível isso? Espera… mas…

Mas eu nem tinha o que dizer. Fui pego de surpresa tanto quanto eles, imagino eu. Nessa hora, a doutora segurou meu rosto.

― Com licença… ― ela disse e apontou uma lanterninha para meus olhos.

― Ele está nesse hospital também? ― Perguntei enquanto a doutora terminava de me checar e anotava alguma coisa na prancheta.

― Sim… ― respondeu o tio. ― Estamos no São Lucas. Mesmo hospital onde você nasceu…

― Posso ir vê-lo? ― Perguntei.

― Doutora? ― Meu tio perguntou.

― Depende… consegue se levantar? ― Ela perguntou. ― Tente, mas sem se esforçar muito.

― Acho que sim… ― eu disse e mexi meu corpo.

Mas uma dor insuportável me fez desistir.

― Argh… ― gemi.

― Ei… vai com calma… ― Rafa disse. ― Se preocupa em ficar melhor… você pode ir vê-lo depois, okay?

― É, fique calmo Lucas… ― a doutora orientou. ― Agora você precisa repousar e… amanhã você já vai se sentir muito melhor…

― Okay… ― eu concordei com desânimo de ter que esperar. ― Tiraram foto, pelo menos?

― Tiramos… ― o tio respondeu. ― Mas, eu realmente acho que você devia esperar para conhecê-lo pessoalmente primeiro… você vai amá-lo…

― Tudo bem… ― eu consenti.

― Ele é a sua cara… ― Arthur disse rindo.

― Os olhos? ― Eu perguntei.

― Vai ter que esperar pra ver… ― Arthur disse se divertindo com minha impaciência e curiosidade.

― Que seja… ― eu disse e revirei os olhos.

― Bom, Lucas… sua situação não é grave… acredito que dentro de dois ou três dias você já recebe alta… leve o tempo que precisar pra se recuperar… amanhã à tarde a gente vem pra trocar seus curativos, okay?

― Sim, senhora… ― eu disse.

A doutora preencheu mais algumas coisas na prancheta e se despediu, nos deixando a sós.

― E minha mãe? ― Eu perguntei. ― Como ela está?

― Ela está bem… deu tudo certo com o parto… ― o tio respondeu.

― E… ela tá muito brava? Comigo? ― Perguntei com medo da resposta.

― ―

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― Erm… meninos… vocês podem me dar um minuto com o Lucas? ― Tio Humberto pediu.

Eu olhei para o Rafa, que olhou para Arthur, que o olhou de volta. É… ela devia estar furiosa. Os dois meninos então deram licença e saíram do quarto.

― Estou encrencado, não estou? ― Eu perguntei para o tio, que me olhava preocupado.

― Não, Lucas… claro que não… relaxa… ― ele tentou me acalmar.

― Você deve estar se perguntando o que foi que eu fiz dessa vez, não? ― Eu disse olhando para minhas mãos.

― Na verdade… eu já sei sobre o Lorenzo…

Olhei para ele meu coração disparou. Como era possível?

― O que!? ― Eu perguntei surpreso. ― Como é que…

Ele suspirou antes de continuar… como se estivesse prestes a me dar uma péssima notícia.

― Os pais dele… vieram nos procurar…

Nessa hora, meu chão caiu. Se os pais do Lorenzo vieram procurar os meus… de duas, uma: Ou eles sabiam o que eu fiz, ou eles sabiam o que o Lorenzo fez. Não consegui e comecei a chorar… de novo.

― Ei… calma, Lucas… ― o tio disse e veio me dar um abraço. ― Ei… relaxa… está tudo bem…

― Não está, tio… ― eu disse soluçando entre as lágrimas. ― Não está…

Afundei minha cabeça no seu peito e desabei. Eu não queria mais continuar. Minha vida estava destruída. Eu estava simplesmente sem chão.

― Sua mãe ainda não sabe…

Nessa hora, interrompi meu choro e olhei para ele.

― O que!?

― Eu ainda não contei pra ela… o estresse não ia ajudar com o parto.

― Mas…

― E, eu queria conversar com você primeiro… pra tentar entender o que de fato aconteceu…

― Eu sinto muito, tio… ― eu me desculpei com ele.

― E aí… ― ele disse. ― Quer conversar a respeito?

Dei de ombros.

― Por que não começa me contando o que aconteceu na casa dele?

― Tio… ― eu supliquei misericórdia.

― Vamos lá, Lucas… eu sou seu amigo… você pode me contar o que quiser… não tô aqui pra te julgar… nem pra te punir pelo que você fez… só quero entender o que aconteceu pra gente trabalhar em cima disso… só quero que você se abra comigo… acredite, vai ser bom pra você…

Olhei para o lado, com os olhos lacrimejando e pensei se devia contar ou não. Aff… que diferença ia fazer…

― Você sabe o… ― comecei dizendo.

― Heitor? ― Ele acertou. ― Sim… estou ciente do que aconteceu… mas quero ouvir sua versão da história…

― Eu não sei o que deu em mim, tio… ― continuei dizendo. ― Eu só… eu nunca devia ter feito aquilo…

― Então você realmente…?

Eu não respondi, apenas fiz que sim com a cabeça e me senti envergonhado. Envergonhado por ter feito aquilo e por estar tendo que contar isso para meu tio.

― ―

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― Entendi… ― ele disse enquanto processava o que estava acontecendo pensativo.

― Eu estava mal… e, eu realmente não sei porque fiz aquilo… eu tinha acabado de brigar com o Rafa e com o Arthur… e não pensei nas consequências… agi por impulso…

― Entendi… ― ele disse mais uma vez.

Na verdade, eu sabia bem o porquê de eu ter feito aquilo… eu só não era capaz de verbalizar que eu sentia atração naquele garotinho de oito anos. Era demais dizer isso em voz alta, ainda mais para meu tio.

― Quem mais sabe disso? ― Perguntei.

― Até o momento… eu, você, Lorenzo e seus pais… eles me disseram que não contaram para o Heitor que você apanhou…

― Entendi… ― eu disse pensativo. ― Covardes…

― Não contei para seus amigos, também, se é o que você quer saber… ― ele disse. ― Achei melhor deixar você à vontade… pra contar o que quiser…

― Obrigado… ― eu agradeci. ― E minha mãe? ― Perguntei.

― É… aí você me pegou…

― Vai contar pra ela? ― Perguntei.

― Não sei…

― Tio! Por favor… ― implorei.

― É que as coisas não são tão simples, Lucas… ― ele começou dizendo.

― É só não contar… ― eu pedi. ― A gente inventa alguma coisa… ― tentei convencê-lo.

― É que… a história não termina aí…

― Tem mais!? ― Eu exclamei preocupado.

― Os pais do Lorenzo… não te querem mais no Nova Aliança…

― É O QUE!? ― Eu gritei desesperado. ― NÃO, TIO!

E eu comecei a chorar tudo de novo. Não que eu amasse aquela escola, nem nada do tipo, mas… lá era onde todos os meus amigos estavam… eu não saberia lidar com uma expulsão… minha mãe ficaria uma fera… o ensino lá era muito bom… muitos professores gostavam de mim… a escola tinha muitas atividades extracurriculares pra gente escolher… sem falar que era um dos melhores colégios da cidade e que eu estava estudando com uma bolsa de estudos integral…

É… minha vida estava mesmo se desmoronando. Tudo estava caindo aos pedaços. Pouco a pouco…

― Eles disseram que… se você prestar queixas contra o Lorenzo, eles vão te expulsar e te expor… e, se você deixar o Nova Aliança e deixar barato pro Lorenzo, eles não vão fazer nada contra você… disseram que assinam sua transferência e a história morre aí…

Eu nem me dei ao trabalho de responder… apenas ouvi atentamente ao que meu tio falava… eu lá tinha escolha?

― Mas… no Nova Aliança você não fica… e, a não ser que arrume uma boa desculpa pra dar pra sua mãe, eu sugiro apenas dizermos a verdade…

― Que seja… ― eu disse irritado cruzando os braços. ― Ela vai me matar.

― Se quiser, eu posso falar com ela, Lucas… é melhor ela ouvir a verdade da gente, do que eventualmente dos pais do Lorenzo, eu posso contar de uma forma amenizada, se estiver okay com isso…

― Faça o que quiser… ― eu respondi emburrado. ― Posso falar com o Rafa, agora?

― Claro… eu o chamo pra você… tem mais alguma coisa que quer conversar? ― Ele perguntou.

― Não… ― eu disse me virando na cama pra ficar de costas pra ele.

― ―

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― Tudo bem… ― ele disse botando a mão no meu ombro. ― Lucas… vai ficar tudo bem… vamos todos superar isso, tá bom?

― Que seja… ― eu disse e me encolhi.

― Bem… vou chamar o Rafa pra você… qualquer coisa que precisar, me chame…

Não me preocupei em respondê-lo. O tio se levantou e deixou o quarto. É… realmente eu estava fodido. As coisas tinham saído do controle e eu estava desesperado. Não havia mais nada que eu pudesse fazer a não ser esperar. Esperar e contemplar a destruição que acontecia aos poucos a minha volta. Meu corpo ainda doía e eu não podia fazer nada a respeito. Tudo bem que a dor poderia ser muito pior se eu não estivesse tomando anestésicos, mas ainda assim eu conseguia senti-la.

Dentro de alguns minutos, o Rafa deu as caras no quarto. Ele bateu na porta e botou seu rostinho pra dentro.

― Seu tio disse que você tava me chamando… posso entrar? ― Ele perguntou.

― Claro… entra aí… ― eu permiti.

Ele entrou, fechou a porta atrás de si e se aproximou.

― Posso me sentar? ― Ele pediu.

― Uhum… ― eu disse chegando para o lado.

Ele se sentou na cama do meu lado e me olhou.

― Como está?

Dei de ombros.

― Sinto muito… ― ele disse.

― Valeu… ― agradeci sua empatia.

― Obrigado por me chamar… pra ver sua irmã… no caso seu irmão nascer…

― Sem problemas… ― eu disse.

― Estamos bem? ― Ele perguntou.

Dei de ombros novamente.

― Se você quiser… ― respondi.

― Você quer?

Eu fiz que sim com a cabeça.

― Então estamos bem… ― ele disse.

― Valeu… ― eu agradeci.

― Me desculpa… por tudo… fui um idiota… ― Ele disse sentimentalmente.

― Eu também… ― eu disse e peguei na sua mão.

Trocamos um olhar e ele levou sua mão livre até o meu rosto. Gentilmente, ele passou o polegar pela minha boca e parou quando chegou no machucado.

― O que houve contigo? ― Ele perguntou.

Nessa hora, meus olhos começaram a lacrimejar só de lembrar do que tinha acontecido… e eu suspirei de tristeza.

― O tio me disse que o Lorenzo te bateu… por que ele fez isso? ― Ele perguntou.

― Eu… ― mas eu acabei balbuciando de nervoso só de pensar em contar pra ele. ― Eu fiz uma coisa muito errada, Rafa…

― Eita… ― ele disse sem saber como reagir ao meu comentário.

Quando ele percebeu minha dificuldade ao falar, se comoveu.

― Ei… você pode me contar qualquer coisa… ― ele me confortou. ― Não vou ficar magoado com você… e dessa vez eu prometo… ― ele disse e passou a braço em volta do meu pescoço.

― Promete?

― Prometo. ― Ele disse e passou a mão no meu ombro.

― ―

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― É que… ― eu comecei.

Mas, realmente, era muito difícil dizer isso em voz alta. Contei até três e continuei dizendo:

― É que… eu fiz algo que não devia… não devia mesmo…

― Algo que não devia? Com o Lorenzo?

― Não… não é o que você tá pensando… ― eu o interrompi. ― Eu fiz algo que não devia… com seu irmão…

― Com o Heitor? O que você fez? ― Ele perguntou.

Nessa hora, não precisei responder, minha cara de vergonha me entregou.

― Espera… com o Heitor? Ele não tem tipo… seis anos?

― Oito. ― Corrigi-o.

― E vocês…?

― Não! ― Eu o interrompi. ― Não… não foi isso que aconteceu… quero dizer… eu tava na casa dele… eu já tinha conhecido ele no passado, mas… nunca tinha ido na sua casa… a dona Lúcia que me chamou pra ir lá… porque… ele tinha gostado de mim… gostado de brincar comigo da última vez que nos encontramos… e ela me chamou pra ir lá passar um tempo com ele…

― Sim… ― ele disse ouvindo atentamente.

― Chegando lá… a gente começou a brincar e tal… mas… eu comecei a me sentir atraído por ele…

― Pelo Heitor?

― Sim, pelo Heitor… e eu não sei onde eu estava com a cabeça, mas… eu meio que comecei a deixar aquilo tomar conta de mim… e… uma coisa levou a outra e…

― Vocês ficaram? ― Ele perguntou.

― Não ficamos… ― eu disse. ― Eu toquei nele…

― Ah… ― ele fez uma cara de confuso. ― Tocou nele? Como?

― Eu toquei nele, Rafa! ― Eu disse e levei minha mão até o seu pau, sinalizando o que eu tinha feito.

― Ahhh… ― ele disse entendendo o que tinha acontecido.

― Mas só eu toquei nele… eu não pedi que ele fizesse nada comigo… eu nem abaixei minhas próprias calças, se é o que você quer saber… e depois ele contou para o irmão… e pronto…

― Entendi… ― ele disse processando as informações.

― Eu não sei o que deu em mim… ― eu me defendi. ― Eu sei que ele é só uma criança, mas… na hora eu não estava pensando… foi muito difícil, Rafa… foi muito difícil…

― Ei… está tudo bem… ― ele disse e me abraçou, quando percebeu que eu estava prestes a surtar.

― Não está! ― Eu exclamei. ― Agora Lorenzo contou para os pais dele e, provavelmente eles contaram para dona Lúcia, que foi quem me levou pra casa do Heitor… e eles não me querem mais no Nova Aliança…

― O que!? ― Rafa gritou de indignação. ― Eles não podem fazer isso! ― Ele disse.

― É claro que podem… se eu não sair por livre e espontânea vontade, eles vão me expulsar e me expor! E minha vida vai ser muito pior! Eu nunca mais vou ser aceito em nenhuma escola!

― Se eles fizerem isso, a gente expõe o Lorenzo! Denunciamos ele! ― Rafa tentou raciocinar.

― Não tem nada que possamos fazer, Rafa… se fizermos qualquer coisa contra Lorenzo, eles vão me expor… temos que deixar barato pra ele… senão seria muito pior…

― ―

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― Você não pode deixar que eles te chantageiem! Olha pra você… precisamos fazer justiça!

― Não adianta, Rafa… ― eu disse mais uma vez. ― Esquece isso… eu também não quero voltar pra lá…

― Mas… ― ele disse.

― Não me faria bem… voltar pro Nova Aliança…

― Mas… e a gente? ― Ele perguntou.

Foi a primeira vez que ele citou a gente.

― A gente? ― Eu perguntei surpreso.

― O que? Você não quer voltar? ― Ele perguntou preocupado.

Olhei para ele e eu podia sentir o seu sofrimento crescendo à medida que ele esperava pela minha resposta.

― É o que eu mais quero… ― eu confessei.

― Eu também… ― ele disse aliviado.

― Obrigado… ― agradeci.

Ele me olhou nos olhos e eu botei minha mão em seu rosto, puxando-o para mais perto. Fechei meus olhos e, delicadamente, lhe dei um selinho na boca. Assim que nos afastamos, ele me olhou sorrindo e riu.

― Senti falta disso… ― ele confessou.

Eu suspirei e ri do seu comentário.

― Eu também…

Ele me beijou mais uma vez, para matar sua vontade, tomando cuidado para não me machucar e afastou-se novamente.

― Eu não ligo para o que você fez… ― ele disse. ― Você teve seus motivos… tudo bem?

― Obrigado… ― eu agradeci.

― E foda-se a escola! ― Ele disse. ― Se eles quiserem te expulsar, vão ter que me expulsar também!

― Não seja idiota… ― eu disse. ― Lá é a melhor escola possível pra você… todos nossos amigos estão lá…

― Eu não ligo… ― ele disse.

― Eu ligo! ― Eu disse. ― Não quero que você faça nenhuma burrice, Rafa…

― Mas… ― ele disse.

― Mas nada! Não vamos discutir isso agora, pode ser? Não tô com cabeça pra isso…

― Desculpa… ― ele disse. ― Mas… não se preocupa com o que aconteceu, Lu… vamos contornar essa situação…

― Obrigado… agradeço sua ajuda… de verdade…

― Sem problemas… ― ele disse.

Ele veio até mim, beijou minha bochecha e sussurrou no meu ouvido:

― Te amo…

Nessa hora, eu envolvi meus braços em seu pescoço e o abracei. Eu estava cagando para meus machucados. Abracei ele com força e o puxei pra perto. Ele retribuiu o abraço e passou a mão pelos meus cabelos. Continuamos abraçados por alguns instantes, até ele me soltar e perguntar:

― Tá com fome?

― Agora que mencionou… estou faminto… ― Eu disse quase que conseguindo ouvir minha barriga roncar.

― Quer que eu busque algo pra você comer? ― Ele perguntou.

― ―

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― Na verdade… ― eu disse. ― Eu queria falar com o Arthur primeiro… tudo bem pra você?

― Ah… ― Ele disse surpreso pelo meu pedido. ― Acho que sim… quer que eu vá chamar ele?

― Por favor… ― eu pedi.

― Tá… mas mais tarde eu volto, então… com sua comida… ― ele disse rindo e beijou minha cabeça.

― Valeu… ― agradeci.

Ele se levantou da cama e deixou a sala. Joguei minha cabeça para trás, no travesseiro, e respirei fundo. Era como se eu tivesse tirado um grande peso das costas, agora que estava conseguindo reatar com o Rafa. Tudo na minha vida estava dando errado, mas pelo menos isso parecia estar dando certo. Eu ainda tinha que conversar com Arthur e com a minha mãe. Conversar com eles não seria nada fácil. Uma coisa era contar para Arthur que eu tinha voltado com o Rafa… eu sabia que ele ficaria magoado… e vê-lo triste me faria triste. Agora… outra coisa era olhar para minha mãe depois de apanhar de um garoto por tocar em seu irmão de oito anos no dia em que o meu próprio irmão nasceu. Disso eu estava com medo… de verdade… espero que o tio prepare o terreno muito bem pra mim, pra eu não levar outra surra dela e vir pra cá novamente.

Alguns minutos depois, foi a vez de Arthur aparecer no quarto.

― Olá… ― ele disse ao entrar.

― E aí… ― eu disse me ajeitando na cama para ficar sentado.

Ele se aproximou e se sentou na cadeira que tinha ali.

― O Rafa disse que você queria me ver…

― É… queria sim… ― respondi.

― Fez as pazes com ele? ― Ele perguntou.

― Meio que sim…

― Que bom, Lu… fico feliz…

― Valeu… ― eu agradeci. ― E eu… sinto muito… por antes…

― Ah… eu é que sinto… ― ele disse passando a mão no rosto. ― Eu nunca devia ter ficado no caminho de vocês…

― Não diz isso… ― tentei confortá-lo. ― Eu realmente não me arrependo do que aconteceu entre a gente… achei que já tivesse te falado isso.

― É… acho que sim… ― ele disse dando de ombros. ― E quanto ao Rafa? ― Ele perguntou. ― Fizeram as pazes?

― Sim… acho que finalmente nos acertamos… estamos nos acertando, na verdade…

― Voltaram?

― Estamos tentando… ― eu disse. ― Mas, aparentemente, sim…

― Que bom… fico feliz… ― ele disse tentando parecer sincero.

― Sinto muito… ― eu me desculpei.

― Lucas, não estou mentindo… eu fico feliz… de verdade…

― Valeu… ― agradeci.

Suspirei e disse:

― Você deve estar querendo saber o que foi que aconteceu comigo, não?

― O tio me contou que um menino bateu em você… mas você nunca me contou dele… alguma treta do passado? ― Ele perguntou.

― Pior que não… ― eu disse.

― É algo que você quer compartilhar? ― Ele perguntou. ― Se não quiser, não precisa…

― ―

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― Obrigado… ― agradeci seu voto de confiança. ― Mas… eu acho que me sentiria melhor se compartilhasse…

― Tá… tudo bem… ― ele disse ouvindo atentamente. ― Sou todos ouvidos.

― Tá… você sabe que eu gosto de meninos… certo?

― Oi!? ― Ele perguntou confuso. ― Se tem alguma coisa que você gosta é de meninos, Lucas.

― É que… eu não gosto só de meninos… da nossa idade…

― Ah… ― ele disse com cara de confuso. ― Está gostando de alguém?

― Não… ― eu disse. ― Além de gostar de meninos da nossa idade, eu também gosto de meninos mais novos…

― Mais novos? ― Ele perguntou. ― Mais novos quanto?

― Não sei… sete… oito anos…

― Ah… acho que entendi…

― E… Heitor acabou sendo um deles…

― Heitor? Quem é Heitor?

― Ele é o irmão mais novo do menino que me bateu… Lorenzo…

― Ah… entendi… ― ele disse pensativo. ― Ahhh… ― ele disse como se estivesse começando a entender tudo.

― Você e Heitor? ― Ele perguntou.

― Sim… eu fiz algo que não devia com ele…

― Entendi… ― ele disse pensativo. ― E ele contou pro irmão? Que te bateu…

― Sim… exatamente… ― eu disse olhando para baixo envergonhado.

― Entendi… ― ele disse. ― Foda…

― Sim… muito… e, tanto Heitor, quanto Lorenzo, são netos da dona Lúcia, diretora do Colégio Nova Aliança. Os pais do Lorenzo já estão sabendo do que aconteceu… e eles me querem fora da escola…

― É o que!? ― Ele exclamou surpreso.

― Não tenho escolha… meus dias lá acabaram…

― Putz… sinto muito, Lu… ― ele se lamentou pela minha situação.

― Valeu. ― Agradeci. ― Mas não estou muito preocupado com isso… não é como se eu amasse aquela escola…

― É… ― ele disse. ― Ela tem suas qualidades, mas… os defeitos também são muitos…

― Principalmente… ― eu comecei.

― As pessoas! ― Ele me completou.

― Exatamente… ― eu disse rindo.

Rimos por alguns segundos até ele exibir um semblante preocupado e dizer:

― Erm… Lucas…

― Oi?

― Eu… também preciso te contar uma coisa… ― ele disse.

― Vish… lá vem…

― Não! Não se preocupe… não é nada demais… ― ele continuou.

― Arthur… ― eu disse preocupado.

― É que… ― e ele ficou pensativo. ― Não é nada… só queria dizer que… eu realmente fiquei preocupado com você… quando descobri o que aconteceu…

― Ah… ― eu disse mais aliviado por saber que não era nada demais. ― Obrigado… ― agradeci.

― E… quanto ao fato de você gostar de meninos mais novos… o Rafa sabe?

― Ele sabe que eu gosto de meninos… ― eu disse dando de ombros.

― ―

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― Conversa com ele… ― ele me sugeriu.

― Vou pensar a respeito. ― Consenti.

Ele continuou sentado na cadeira pensativo, como se estivesse processando tudo.

― O que você está pensando? ― Perguntei.

― Ah… não é nada… só estou tentando entender o que você acabou de me dizer…

― Pois é… ― eu disse morrendo para saber sua conclusão.

― É só que… acho que não importa a idade… se você ama alguém… entendeu?

Eu não respondi, apenas fiz que sim com a cabeça e olhei para baixo envergonhado. Fiquei pasmo com tamanha inteligência emocional que ele demonstrou. Ele realmente era bastante empático… pelo menos comigo…

― Pelo menos é o que eu acho…

― Eu… eu acho que concordo… ― eu disse pensativo.

― Bem… podemos conversar mais sobre isso se você quiser depois… ― ele ofereceu ajuda. ― Acho que você devia descansar agora…

― Tudo bem… obrigado…

― Bom… ― ele disse se levantando. ― Precisa de mais alguma coisa? O Rafa disse que ia buscar comida pra você… quer que eu o chame?

― Eu ficaria agradecido… ― eu disse contente.

― Tá… você se importa se eu for pra casa, agora? Minha mãe já deve estar preocupada…

― Não… claro que não… ― eu disse. ― Fique à vontade, e… obrigado por vir… de verdade.

― Sem problemas… ― ele disse se aproximando para me abraçar.

Dei um abraço nele igual eu dera no Rafa, sem me importar com a dor que eu sentia. Ele me abraçou de volta, tão forte quanto. Depois, ele se afastou e caminhou até a porta. Olhou pra trás, deu um tchauzinho enquanto e disse:

― Tchau, Lu…

― Tchau, Tuts…

― Erm… não se preocupe… seu segredo está salvo comigo… e… sobre seu irmão… ele é realmente a sua cara… você vai se apaixonar por ele…

― Valeu… ― eu disse feliz.

― Até mais… ― ele disse abanando a mão.

― Até… ― eu disse enquanto assistia ele ir embora.

Arthur realmente era um dos meus melhores amigos… se não o melhor… me senti muito mais tranquilo depois de conversar com ele. Ele me acalmou de um jeito que ninguém tinha conseguido me acalmar até então.

Alguns minutos depois, Rafa apareceu no quarto novamente. Ele trouxe comida, graças aos céus, pois eu estava faminto. Ele veio se sentar na cama comigo e ligou a televisão do quarto, para que pudéssemos assistir alguma coisa. Daí, ficamos juntinhos assistindo TV e comendo a comida horrível do hospital.

Era bom ver que as coisas estavam voltando ao normal. Tá… ao normal é forçar a barra, mas… pouco a pouco… a passos de tartaruga… as coisas estavam melhorando.

Mais tarde, nessa mesma noite, o tio apareceu e disse que ainda não tinha contado para minha mãe, mas que seria a primeira coisa que ele faria amanhã. Fiquei triste por ter que ser assim, mas… contar a verdade, gostando ou não, era para o melhor. Depois que ele saiu, eu continuei com o Rafa.

Nós passamos boa parte da madrugada conversando e colocando em dia todas as coisas que tínhamos feito enquanto estávamos separados. Nós dois confessamos um para o outro o quanto tinha sido difícil nosso término e como tinha sido bom fazer as pazes, enfim…

― ―

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Eu já me sentia melhor, psicologicamente, depois de conversar com ele. Ficamos conversando até umas cinco da manhã, quando ele já não conseguia mais ficar de olhos abertos. Ele acabou dormindo na poltrona do quarto, depois de mandar sua mãe pra casa. E eu acabei adormecendo também… pois estava exausto e dormir era o melhor remédio contra a dor.

― ―

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Comentários

T

tesão gay comentou:

é, cheguei agora de uma noitada muita boa kkkkk… os capitulos seguintes já estão postados, kkk vamos ler e torcer pra não encontrar nenhuma coi… desagravel…. kkkk

15/10/2022 21:42
T

tesão gay comentou:

tudo está se encamiando para um final feliz….. só espero que não venha mais uma bomba por ai, ai o coração não aguenta mesmo kkkk

15/10/2022 21:42
S

Seila comentou:

Sera que não vai vir uma outra Bomba maior por aí? Descubram nos próximos capítulos de O menino dos olhos verdes

15/10/2022 21:42
T

Tesão gay comentou:

Há não seila, agora vc me desanimou..já chega de sofrer pelo amor de deus

15/10/2022 21:42
1

1LZ comentou:

Kkkk seila é malvado kkkkk mas eu confiaria na fala dele viu tesaogay

15/10/2022 21:42
L

Leandro comentou:

Que história, tô com as Cataratas do Iguaçu nos olhos, … Ah, Greenbox, Feliz aniversário, atrasado, espero que tenha ganho um outro Teddy, abraço.

15/10/2022 21:42
G

greenbox amigobc comentou:

Bom dia meus amigos já estão postados os capitulos 77 eo 78 temos mais ainda no ultimo capitolo temos novidades para você que são fã da biografia O menino de olhos verdes quem gosta do rafa eo lucas só não podem chorar viuuuuu tesão gay se vocês acham que tudo é perfeito

15/10/2022 21:42
S

Seila comentou:

Infelizmente estamos chegando ao fim, mas com certeza eu vou ler novamente essa história magnífica, já até perdi as contas de quantas vezes eu li, e todas tem o mesmo sentimento. Um abraço para você meu amigo green

15/10/2022 21:42
T

tesão gay comentou:

é grennbox…voce é o cara…valeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

15/10/2022 21:42
S

Seila comentou:

Como está o coração tesão gay kkkk

15/10/2022 21:42
T

tesão gay comentou:

seila…está a mil kkkkk

15/10/2022 21:42
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Seila comentou:

Sera que aguenta até o final? Kkkkk

15/10/2022 21:42
R

Rafa comentou:

Já vamos deixar o desfibrilador do lado e vamos lá hahahaha

15/10/2022 21:42
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tesão gay comentou:

seila….vai ter que aguentar kkkkkk

15/10/2022 21:42
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1LZ comentou:

Vai precisar do desfibrilador viu tesaogay

15/10/2022 21:42
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tesão gay comentou:

há que bom, tudo se caminha para uma solução..incrivel como esta historia nos deixa desesperado tornando tudo uma bagunça e então todas as coisas de ruim vão se encaixando levando para uma solução… esse autor é magnifico…

15/10/2022 21:42
K

Keno comentou:

Sem dúvida, concordo plenamente com você tesão gay, espero pelo próximo capítulo para saber como o Arthur vai falar para o nosso olhos verdes que vai mudar de colégio e de cidadé e como o gatinho vai ajudar a superar a perca de um grande amigo como o Arthur é também como vai ser a reação da mãe do nosso olhos verdes quando souber do ocorrido, mas espero que tudo se resolva da melhor forma para que o gatinho volte de vez para nosso olhos verdes, espero que consigamos ler o próximo capítulo juntos

15/10/2022 21:42
K

Keno comentou:

Mais um capítulo concluído, ainda bem que o olhos verdes conseguiu voltar para o gatinho e também conseguiu conversar numa boa com o tio sobre o ocorrido e também com o gatinho, agora espero que o colégio Nova Aliança volte atrás e permuita que o olhos verdes continue estudando, espero também que Arthur fale para o olhos verdes que infelizmente vai mudar de colégio e de cidade e que ele consiga voltar de vez com o gatinho, nossa são tantas coisas, que venha o próximo capítulo dessa incrível saga, obrigado greenbox estarei esperando o próximo capítulo com muita ansiedade

15/10/2022 21:42
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1LZ comentou:

Em pensar que final está chegando já começo ficar triste por saber que não terá mais episódios dessa história foda

15/10/2022 21:42
S

Seila comentou:

Ancioso pelos próximos capítulos, porém já estamos na reta final e isso me deixa triste, oque será de nós sem essa história maravilhosa

15/10/2022 21:42
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Rafa comentou:

Vamos ler novamente mais 100 vezes kkkk… além de que,vou fazer uma continuação…na minha cabeça!

15/10/2022 21:42
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1LZ comentou:

Ler 100 vezes para sofremos 100 vezes nos ajude kkkkk o Green quis maltratar a gente lindamente

15/10/2022 21:42