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O menino dos olhos verdes 62

📅 Publicado em: 10/10/2022 16:35

👤 Autor: greenbox-amigobc

📂 Categoria: Gays

🏷️ Tags: #PreTeen
************** Episódio 62 ― Pôr do Sol **********************

O sol nasceu radiante neste dia. Não nasceu nem mais cedo, nem mais tarde, que o previsto, demonstrando a indiferença celeste perante a vontade humana. O amarelo forte inundou o céu com boas energias e com um calor que, se fosse um pouquinho menor, seria ideal, mas nem tudo era perfeito.

Acordei, mas estava sozinho na cama. Aparentemente, o Gatinho tinha pulado da cama mais cedo que eu. Estranho. Isso não era de praxe. O preguiçoso aqui era ele.

― Bom dia!!! ― Ele saudou-me.

Como foi bom ouvir sua voz. Era como se eu não a ouvisse há dez longos meses, apesar de tê-la ouvido ontem.

― Está preparado para o último dia? ― Ele perguntou tentando me passar um pouco de sua energia.

Sim, este era o nosso último dia de viagem. Amanhã, cedinho, pegaríamos o avião e voltaríamos para casa. Só tenho a dizer que nossa viagem tinha sido sensacional. Mas, sinceramente, eu senti que ela passou voando, assim como todas as coisas boas da vida.

Rafael Mackenzie estava parado em pé, encostado na porta do banheiro, me olhando com os braços cruzados e com um sorriso safado no rosto. Ele usava uma camiseta polo amarela clara e uma bermuda branca. Estava bem arrumado. Seus cabelos dourados estavam penteados em uma franja que ornamentava de forma sublime seu rosto angelical. Suas bochechas rosadas se destacavam em seu rosto cor de leite e combinavam com seus lábios finos e perfeitos. Mas, sua característica mais marcante era, de longe, seus olhos. Não existia nada no mundo que fosse melhor que olhar para eles. Eles transmitiam paz e serenidade. E não existia outro azul como aquele na natureza. Era único. Lapidado especialmente para ele e só para ele.

― Passou tão rápido. ― Eu disse melancolicamente ainda com sono.

― Não é? Devíamos fazer isso mais vezes. ― Ele disse se referindo à viagem.

― Quais os planos para hoje? ― Eu perguntei enquanto coçava os olhos.

― Não sei… ainda estamos pensando… o que você quer fazer? ― Ele perguntou se aproximando de mim até se sentar na cama.

― O que eu quero fazer? ― Eu disse rindo. ― Sexo! ― Respondi.

― Ah-rum. ― Uma voz do outro lado do quarto pigarreou, sinalizando que nós não estávamos sozinhos.

PUTA QUE PARIU!! QUE VERGONHA!! Eu não tinha me tocado de que Gabriel também estava no quarto. Putz… putz… nossa cara… que vergonha… aff… não acredito que tinha feito isso! Parabéns, Lucas! Seu jumento! Mais uma gafe para o currículo. Como é que você consegue? Ah, mas quer saber, foda-se… minha imagem com o Gabriel já estava mais queimada que a minha rosca.

― Querem ficar a sós? ― Gabriel perguntou zoando a gente.

― Ah… bom dia, Gabriel! ― Eu disse sem graça. ― Não vi que você tava aí… foi mal… eu… eu estava só brincando…

― Ah… sei… sem problemas… pelo menos sou eu que estou aqui, e não nossos pais…

― Né!? ― Eu concordei.

― Mas enfim… ― Rafa disse. ― Lu, você quer dar uma volta na praia hoje? Quem sabe sair para comprar algumas coisas na feirinha…

― Ah… que bom que você me lembrou! ― Eu exclamei. ― Eu prometi para a minha mãe que compraria uma lembrancinha para ela… e também queria aproveitar para levar alguma coisa para meu tio. ― Eu completei.

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― Tudo bem, então… podemos fazer isso. ― Ele disse. ― Mas, se apronta aí que já está na hora do almoço. Papai e mamãe querem almoçar com a gente hoje. Combinamos de sair meio dia. Já são onze e meia. Tudo bem para você? ― Ele perguntou.

― Ah… claro… sim… okay… ― eu disse.

A partir daí, me levantei e fui me arrumar. O sono já tinha passado, até porque eu tinha dormido muito bem… mas também… com uma noite como a de ontem, não tinha como não dormir bem. Tinha sido incrível. Tinha sido maravilhoso. Com certeza era uma das lembranças que eu levaria para sempre na vida.

Tomei um banho, penteei meu cabelo, vesti uma roupa, me perfumei adequadamente e calcei um tênis. Pronto! Estava pronto para o almoço em família com meus sogros.

Bem… o que posso dizer… o almoço aconteceu em um restaurante bem chique… e, por chique, entenda-se caro. Mas eu nem me surpreendi, o poder aquisitivo da família Mackenzie não era segredo para ninguém. De acordo com o pai do Rafa, era tradição um almoço assim para encerrar a viagem com chave de ouro. E, como em boa parte da viagem, nós seis não tínhamos ficado juntos o tempo todo, era um ótimo momento para botar a conversa em dia. Assim que os pedidos foram feitos ao garçom, seu Danilo disse:

― Então… Lucas… como foi? O que é que você e o Rafa fizeram de bom aí nesses dias?

Sexo. Pelo menos essa foi a primeira coisa que eu pensei. Haha. Mas lógico que eles nem desconfiavam. Fui pego de surpresa pela pergunta e, portanto, estava difícil tirar uma resposta da manga, pois, não importava o quanto eu me esforçava, eu só tinha lembranças do sexo.

Pior foi a cara que o Gabriel fez quando ouviu essa pergunta. Ele se segurou para não rir, pois sabia exatamente o que eu estava pensando e o porquê de eu ter ficado sem jeito com pergunta do pai dele. Filho da mãe. Haha.

Ainda bem que o Rafa me salvou nessa. Ele foi mais esperto que eu e conseguiu responder o pai dele a tempo.

― Ah, nós fomos no shopping que tem aqui na praia… nós tentamos andar de skate…

E ele foi desenrolando com o pai dele. Conforme ele ia falando, as outras memórias que não eram ligadas à sexo iam voltando para mim.

― É, também assistimos um show de dança que rolou do nada na praia… ― eu acrescentei.

― Muito legal! ― O pai do Rafa disse. ― E aí, e qual parte da viagem você gostou mais? ― Ele me perguntou.

Do sexo! Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Droga! Por que ele estava me enchendo com esse tipo de pergunta?

― Ah… ― eu disse sem jeito novamente.

Dessa vez Gabriel não se aguentou e começou a rir.

― O que foi? ― Seu Danilo perguntou.

― Nada! ― Gabriel disse. ― Só me lembrei de uma piada. ― Ele disse disfarçando.

Rafa riu também.

― Então… ― eu disse. ― Acho que o que eu mais gostei foi… hmm… foi… deixa eu pensar… ah… foi bom passar um tempo com vocês… eu gosto muito da família de vocês… ― eu disse sendo esperto.

― Awnt! ― Gabriel disse rindo.

― É sério… ― eu disse. ― Foi muito bom conhecer vocês melhor. E eu só tenho a agradecer este presente que vocês me deram. Tenho certeza de que vou levar isso para o resto da vida. Pretendo retribuir um dia, quando e como puder.

― Não precisa, Lucas! Você já faz parte da família! ― Ele disse gentilmente.

― ―

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― Obrigado! ― Eu agradeci. ― Mas a parte que eu mais gostei… hmm… deixa eu pensar… ― sexo, pensei. ― Acho que foi o nosso primeiro dia aqui… quando eu conheci o mar pela primeira vez… eu não imaginava que fosse ser tão bonito…

― Ah! Que legal! ― Seu Danilo disse contente.

― É… também teve isso… ― eu disse e mostrei minha aliança para os pais do Rafa.

― Hum… nós percebemos mesmo que vocês dois apareceram de anéis… ― Dona Olivia disse rindo. ― Gabriel contou pra gente o que o Rafa fez.

― Mãeeee… ― Rafa reclamou com vergonha.

Eu, sinceramente, não sei do que ele estava reclamando. Minha mãe, com certeza, falaria uma coisa muito pior e infinitas vezes mais inapropriada. Os pais dele, pelo menos, ainda achavam que éramos dois santos.

― E qual parte você mais vai sentir falta? ― Seu Danilo perguntou para mim.

Nossa, que saco, parecia até que ele tinha cismado comigo… era como se hoje fosse o dia do interrogatório ao coitado do genro. Advinhe qual foi a primeira coisa que me brotou na cabeça! Exatamente: Sexo!

Óbvio que isso seria o que eu mais ia sentir falta! Quando é que eu poderia dormir com o Rafa de novo? Uma coisa era a gente tirar uma tarde pra dar uma boa de uma transada… outra coisa era dormir e acordar com ele, sem nenhuma mãe pra encher o saco. Isso não tinha preço. Com certeza isso seria o que eu mais sentiria falta. Mas, claro… eu respondi uma coisa mais apropriada.

― Ah… ― eu disse. ― Acho que o que eu mais vou sentir falta é da comida de graça…

Todos riram. Tinha sido uma boa oportunidade para fazer uma piada e ganhar uns pontinhos com os sogros.

― E você, Juliana? ― Seu Danilo disse.

E ele fez as mesmas perguntas que fez para mim, só que dessa vez, para a Juliana. Fiquei aliviado pelo interrogatório ter terminado. Era difícil responder esse tipo de pergunta na frente de todo mundo. Era bem constrangedor, mas fazia parte da viagem… acho que era o preço a se pagar…

O almoço continuou normalmente. Conversamos bastante, demos bastante risada, botamos o papo em dia, comemos bastante, falamos sobre as coisas que mais tínhamos gostado, que menos tínhamos gostado, enfim… foi um típico almoço em família com os Mackenzie.

Depois do almoço, Rafa avisou aos pais que iria na feirinha comigo, para fazermos as compras das lembrancinhas. Eles aceitaram numa boa. Combinamos que, durante a noite, arrumaríamos todas as malas e dormiríamos cedo, pois o nosso voo era de manhã.

Quando o almoço terminou, voltamos para o nosso chalé e, de lá, eu e meu Gatinho saímos para a feirinha que ficava a uns quatro quilômetros do hotel, seguindo pela orla da praia.

Eram umas três da tarde quando chegamos lá. O lugar estava bem movimentado. Imaginem minha surpresa quando senti o Gatinho pegando na minha mão. Eu olhei para nossas mãos e, em seguida, olhei para ele.

― Tudo bem pra você? ― Ele perguntou. ― Andarmos de mãos dadas aqui?

― Ah… tá… ― ele tinha me pego de surpresa, mas eu concordei. ― Tudo bem sim… por que não?

― Que bom que você já está ficando mais confortável com isso.

― É… estou sim… graças a você… me obrigando a fazer putarias em lugares públicos… agora andar de mãos dadas parece coisa de criança… ― eu brinquei.

― De nada. ― Ele disse rindo.

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― O meu receio não é nem por sermos ambos meninos. ― Eu disse. ― Isso eu já superei. É por sermos ambos meninos e extremamente novos. Você conhece as pessoas. Elas julgam. ― Argumentei.

― Eu sei… mas eu tenho você e você tem a mim. Estamos muito melhores que elas. Não importa o que elas pensam. Além do mais, estamos de saída. Nunca mais voltaremos aqui. Nunca mais veremos essas pessoas novamente.

― É… eu sei… e concordo com você. Você tem total razão. ― Eu disse.

― E aí… já sabe o que comprar para sua mãe? ― Ele perguntou.

― Não… na verdade não… estava pensando em levar uma concha… ou alguma coisa assim… sei lá… algo para ela deixar decorando a casa…

― Hmm… entendi… e para o seu tio?

― Hmm… também não sei… talvez algo para decorar a casa também… não sou bom com presentes, okay? É pra isso que você tá aqui! ― Eu afirmei.

― E eu lá sou bom com presentes? ― Ele se esquivou. ― Ainda mais para pessoas que eu não conheço?

― Você conhece minha mãe. ― Eu disse.

― É ai que você se engana. ― Ele explicou. ― Ela me conhece muito mais do que eu conheço ela.

Eu ri da referência dele ao fato dela ter pegado a gente transando.

― É… e, por causa disso, eu acho que você também devia levar um presente para ela.

― Só se você entregar, porque eu já te disse que nunca mais vou olhar na cara dela novamente.

― Ah, qual é, não foi tão ruim assim! ― Eu tentei argumentar inutilmente.

― E para quem mais você quer levar presentes? ― Ele perguntou.

― Ah… tava pensando em levar um para o Arthur…

― Arthur? Sério? E ele lá merece?

― Ah, qual é… ele merece sim! É nosso amigão!

― Leva uma garrafa de cachaça para ele.

― Hahaha! Até que não é uma má ideia… ― eu disse rindo.

― Ou então leva um pinto de borracha, pra ver se sacia o fogo daquele menino.

― Hahaha! ― Eu ri. ― Até parece… também queria levar alguma coisa para a Giovana, para o Matheus, para o Miguel e para o Igor.

― Nossa… vai ser difícil arrumar presente para esse pessoal todo, hein? ― Ele disse.

― Ah não… pra esse povão ai eu vou dar chaveiro. Não sou obrigado a gastar intelecto com eles não. Só para minha mãe e para o tio Humberto que eu vou tentar achar alguma coisa especial.

― E pra mim? O que você vai dar? ― Ele perguntou com uma voz safada.

― Aff… pra você eu já dei um monte de coisa. Já te dei um colarzinho. Já te dei minha ilustre companhia durante essa semana. Já te dei até minha bunda, pra não falar cú. Quer mais o que?

Ele começou a rir histericamente quando eu disse isso.

― Estou namorando um idiota. ― Eu disse.

Ele apertou minhas bochechas e disse:

― Coisa fofa.

Enfim. Sem querer entrar em muitos detalhes, até porque foi um passeio bem desinteressante, passamos a tarde na feirinha. Rodamos, rodamos e rodamos até eu encontrar tudo que me agradasse. Rafa gostou de me fazer companhia. Nos divertimos muito. Comemos

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algodão doce juntos, tiramos várias fotos, brincamos de conversar com uma estátua, enfim, foi uma tarde muito legal.

Para minha mãe, acabei comprando uma concha mesmo. Eu gostava de conchas. Elas escondiam dentro de si vários mistérios do mar criptografados em barulhos de ondas. Era legal a mensagem que elas passavam.

Para o seu Humberto, eu comprei um daqueles quadros de areia, em que você vira o quadro de cabeça para baixo e a areia escorre sobre a água para formar uma nova paisagem. Era bem legal também, e carregava consigo um significado fascinante. Não importava quantas vezes você virasse aquele quadro, nunca se formaria uma paisagem igual. Da mesma forma como um instante nunca era igual ao outro, aquele quadro nunca se repetia. A única certeza de que se tinha, era da magnifica incerteza do futuro. Algumas paisagens eram bonitas. Outras eram feias. Mas todas igualmente misteriosas, interessantes e, acima de tudo, complexas.

Para o Arthur, comprei uma pulseira, que carregava consigo um pingente de coruja. Desde que eu me conheço por gente, aprendi a relacionar corujas com inteligência, portanto, assim que vi aquela pulseirinha, não pude deixar de me lembrar dele. Não sei se ele era de usar pulseiras, provavelmente não, mas comprei mesmo assim. Achei que fosse combinar com ele.

E, para o resto do pessoal, comprei chaveiros mesmo. Não por serem menos especiais, mas simplesmente porque eles eram… menos especiais.

Feliz da vida com minhas compras, eu e o Rafa resolvemos dar mais uns passeios pela praia. Aproveitar a companhia um do outro neste último dia de viagem. A partir de amanhã, voltaríamos para as nossas vidas de sempre, seja para o bem ou seja para o mal.

Essa viagem tinha sido incrível, em inúmeros sentidos. Aproveitei muito. Estava para ser a melhor semana da minha vida. Durante todo tempo que fiquei aqui, tive zero preocupações. Quer dizer, preocupações eu tive, até porque rolou muita coisa nessa viagem. Teve a nossa aposta, teve o nosso sexo à noite na praia, teve a nossa entrada no mar durante a noite, etc. Eu digo zero preocupações com a vida no geral. Eu não me preocupei com o meu pai. Eu não me preocupei com minha mãe. Eu não me preocupei com a Giovana. Eu não me preocupei com o Arthur. Eu não me preocupei com o Matheus. Enfim, acho que já deu para entender. Foi ótimo tirar esse peso das costas. Infelizmente essa sensação estava para acabar e tudo isso ia voltar com tudo. Ou não. Eu espero que não.

Depois de passearmos a tarde toda, eu e o Rafa resolvemos assistir ao nosso último pôr do sol em Porto de Galinhas. Estávamos em uma praia bem vazia. Não totalmente vazia, se é o que você está pensando, não ia rolar sexo. Ainda era de dia. E, além do mais, não estávamos no clima. Estávamos mais para um namorico mesmo.

Atravessamos a calçada e caminhamos pela areia até a metade da praia. Eu e ele nos sentamos lá e ficamos apreciando o sol se pôr. O sol se pôs majestosamente neste dia. Não se pôs nem mais cedo, nem mais tarde, que o previsto, demonstrando a indiferença celeste perante a vontade humana. Desta vez, foi a vez do laranja inundar o céu e a temperatura estava absolutamente perfeita. As coisas nem sempre são perfeitas, mas, às vezes, e somente às vezes, elas são sim. Não tinham muitas nuvens no céu e, as que tinham, eram suficientes para refratar a luz e transformar um céu bonito em um céu perfeito. A mistura de laranja, azul e cor de rosa era de se tirar o folego.

― É… foi bom… ― ele disse pegando minha mão.

― E como… ― eu concordei.

Ele encostou a cabeça no meu ombro e eu me virei para dar um beijinho em seus cabelos. Aproveitei para sentir seu cheiro, que agora estava diferente. Ele cheirava a sal, praia e menino, não era minha combinação preferida, mas era bastante agradável.

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Não tínhamos muito o que conversar. Eu estava disposto a abrir a boca só para soltar um ‘eu te amo’ ou coisa parecida, mas não senti necessidade no momento. Eu sabia que ele sabia disso, assim como eu sabia que ele sentia o mesmo por mim e que ele sabia que eu sabia disso. Então, ao invés de conversar, ficamos apenas nos curtindo ali. Era bom demais ficar ao seu lado. Era bom demais ser amado por ele. Era bom demais. Bom demais.

É, caros leitores, aquele pôr do sol foi inesquecível… foi neste tom de laranja, azul e cor de rosa que nossa viagem se encerrou. Ficamos assistindo aquele espetáculo até que a última gota de luz se desvanecesse no céu. A noite caiu e, infelizmente, nós tivemos que voltar para o hotel. Mas ambos estávamos extremamente satisfeitos. Ir embora não era motivo de tristeza.

A luz do dia seguinte bateu na nossa porta anunciando que era hora de acordar. Sem muita cerimônia, como já tínhamos arrumado nossas coisas na noite anterior, pegamos nossas malas e levamos para fora do chalé. Gabriel foi na frente, carregando tudo que podia até o saguão do hotel. Eu parei na porta da nossa cabaninha e olhei para dentro.

― O que foi? ― Rafa perguntou.

― Nada… só estou olhando pela última vez.

― Ah… ― ele disse comovido.

― Vai deixar saudades. ― Eu disse.

― Muitas… ― ele concordou e parou ao meu lado para ver também.

Ele passou o braço pela minha cintura e botou a cabeça no meu ombro.

― Podemos voltar aqui no futuro… ― ele disse me consolando.

― No futuro quando?

― Sei lá… quando estivermos mais velhos e quisermos relembrar os velhos tempo…

― Pode ser… ― eu disse contente.

― Talvez até trazer nossos filhos… ― ele disse rindo.

― Filhos? Oi? ― Eu disse rindo. ― Só vamos ter filhos se você aceitar pari-los. Porque eu não vou perder minha barriguinha sexy para botar criança no mundo não! ― Eu disse brincando.

― Ah… nem vem… o passivo aqui é você! ― Ele disse e me abraçou mais forte.

― Oi? Desde quando? ― Eu me fingi de bravo.

― Desde que você admitiu que prefere me dar que me comer. ― Ele disse tentando parecer lógico.

― Eu nunca admiti isso! ― Eu reclamei.

― Admitiu sim. ― Ele respondeu.

― Eu admiti e logo em seguida disse que era mentira.

― Mas admitiu.

― Você é ridículo! ― Eu disse e abracei ele mais forte. ― Mas sério que você quer ter filhos? ― Eu perguntei.

― Sério. Você não quer?

― Sei lá! ― Eu disse rindo. ― Eu tenho doze anos. Não é como se eu pensasse em ter filhos, caralho! Eu ainda sou um filho!

Ele riu da minha colocação.

Terminamos de contemplar o chalé pela última vez, fechamos a porta e seguimos em direção à recepção do hotel. Fizemos o check-out e, sem muita cerimônia, nós seis pegamos um taxi até o aeroporto.

Nosso voo estava marcado para meio dia. Chegaríamos em casa por volta das quatro da tarde. Quando estávamos prestes a embarcar, Rafa disse:

― E aí, como tá o coração? ― Ele disse se referindo a nossa viagem de ida para cá, em que eu surtei com o medo de avião.

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― Ah… não estou mais com medo. ― Eu disse confiante.

― Eu sabia que era só charme. ― Ele disse rindo.

― Não foi charme daquela vez! ― Eu me defendi. ― Eu realmente estava com medo… mas agora não estou mais…

― Quero só ver… ― ele disse duvidando. ― Tenta não fechar os olhos dessa vez, senão você vai perder a decolagem, que é a parte mais legal do voo!

― Não vou fechar. ― Eu prometi.

Entramos no avião e os pais do Rafa me deixaram sentar do lado dele. Rafa fez questão de que eu fosse na janelinha de novo. Desta vez, para não perder a decolagem, como eu fizera da última.

― Está preparado? ― Ele perguntou.

Eu fiz que sim com a cabeça e segurei sua mão. O avião ligou suas turbinas e um barulhão ecoou pelos ares que nos circundavam. Era a hora de decolar. Era a hora de partir. Era a hora de voltar para casa.

Senti a força de reação do avião agir sobre a minha inércia e me jogar com tudo para trás. Desta vez não fechei os olhos. Fixei-os na pista e vi ela ficar para trás, conforme o avião subia e se aventurava no ar.

― Tá vendo! ― Rafa disse empolgado. ― Olha só o que você perdeu da última vez.

Tinha de concordar. Era fantástico. Pude admirar as casinhas e os prédios ficando cada vez menores, parecia coisa de filme. Era incrível! Olhei para o Rafa e sorri. Não me aguentei e tasquei um beijão na boca dele. Era muita felicidade. Eu não tava nem aí se as pessoas iam ver ou se iam julgar. Eu amava ele e era isso que importava!

Pois é… como eu estava dizendo, desta vez eu não fechei os olhos. O Lucas que embarcou no avião aquele dia já não era mais o Lucas que partia hoje. O tempo fez questão disso. Eu tinha amadurecido nessa viagem. Podia até não ter amadurecido muito, mas eu já estava mais velho. Eu já estava mais forte. Eu era menos garoto. Eu era menos criança. Eu era menos inocente. Eu era menos bondoso. Eu era, simplesmente, mais adulto.

Fizemos uma boa viagem. Liguei para minha mãe antes de decolar, como prometido, e, em seguida, botei o celular no modo avião. Fizemos uma boa viagem. Eu conversei bastante com o Rafa no caminho. Viemos lembrando de todas as coisas que fizemos nessa viagem inesquecível. Tinha sido maravilhoso. Eu só tinha a agradecer por ter tido uma oportunidade dessas.

Passadas três horas de voo, chegou a hora de aterrissar. E eu também não tive medo. Muito pelo contrário. Encarei a descida sem nem lembrar que fechar os olhos era uma opção. Me senti bastante orgulhoso por isso. Pode até não parecer grande coisa, mas para mim era, e era isso que importava.

Tivemos uma aterrissagem tranquila e sem problemas. Descemos do avião e, assim que botamos os pés em solo, Rafa se espreguiçou e gritou:

― CHEGAMOS VIVOS! UHUUL! ― Eu ri dele e ele veio me dar um abraço.

Enfim… continuamos caminhando pela passarela até chegarmos no terminal de desembarque. Enquanto caminhávamos, tirei meu celular do modo avião e resolvi ligar para minha mãe. Mas meu coração se apertou quando vi que tinham quatro ligações perdidas. Me assustei e Rafa logo percebeu minha reação. Tinha acontecido alguma coisa nesse meio tempo em que estávamos voando. Meu coração se acelerou, pois, as ligações perdidas eram de uma pessoa que eu não esperava. Eu tinha recebido quatro ligações de ninguém mais, ninguém menos que Arthur.

― Aconteceu alguma coisa? ― Rafa perguntou preocupado assim que se dirigiu a mim e eu fiz que sim com a cabeça.

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Ele correu ficar ao meu lado para tentar entender o que estava acontecendo. Eu também tinha recebido mensagens de texto do Arthur. Elas diziam:

― Arthur: Lucas! Lucas! Lucas! Preciso muito muito de você! Me atende, por favor! É urgente!

Eu olhei para o Rafa, que me olhou preocupado.

― LIGA PRA ELE! ― Rafa disse desesperado.

Nisso, a família Mackenzie percebeu que tinha algo de errado e eles vieram ver o que estava acontecendo conosco. Enquanto eu discava o número do Arthur, Rafa explicou para a família que poderia ter acontecido alguma coisa, pois eu tinha recebido mensagens preocupantes do Arthur. Botei o telefone na orelha e esperei alguém do outro lado da linha anteder.

― Alô!? ― Eu disse preocupado.

Arthur atendeu imediatamente e ele estava com uma voz de choro que eu jamais tinha ouvido dele. Foi quando ele disse:

― Lucas! Lucas… meu pai se foi… preciso de você…

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Comentários

K

Keno comentou:

Eu também me surpreendi com o final desse capítulo assim como ti estou ansioso pelo próximo capítulo dessa saga, ainda bem que o Arthur tem esses dois para contar em todas as horas, eles são tão unidos

21/10/2022 21:44
G

greenbox amigobc comentou:

Meus amigos ja esta postado contos 63 e 64 terça vou postar a quinta temporada

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

Aeeee, obrigado Green estou ancioso para ler. Se quiser conversar sobre qualquer coisa, você sabe onde me encontrar, pode chamar a qualquer hora

21/10/2022 21:44
G

greenbox amigobc comentou:

pessoal eu preciso de bastante comentarios vamos trabalhar com os dedinhos ai vou postar amanha fica tranquilo tesão gay chora não

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

Pode deixar, que vamos comentar bastante kkkk

21/10/2022 21:44
T

tesão gay comentou:

kkkkkkkkkk, é bom postar mesmo hem kkkkkkk

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

Tesão gay, se ele não postar o capítulo amanhã,eu posto. Mas por mim ele já postava todos os capítulos restantes kkkkk.

21/10/2022 21:44
T

tesão gay comentou:

seila…NNNÃÃÃÃAÕOOOOO por favor, isso foi ele quem começou, por favor não faça isso.

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

Não vou fazer nada tesao gay, não se preocupe kkkk. Era apenas uma brincadeira

21/10/2022 21:44
T

tesão gay comentou:

porra cara…uma historia tão bonita e emocionante tem que terminar com um final triste, pelo amor de tudo que é mais sagrado, quero ver a proxima parte amanhã bem cedinho hem.

21/10/2022 21:44
K

Keno comentou:

Eu entrei antes de eu ter indo para a aula, depois cheguei em casa eum entrei para ler, mas não tinha postado então fui lendo os anteriores, não fique assim não tesão gay, quando tiver afim de conversa só mandar mensagem para eu pq estamos juntos lendo cada capítulo

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

Fica triste não tesão gay, se quiser conversar um pouco sobre alguma coisa, pode me chamar no aplicativo Wickr me, o meu nome lá é raikoua1. Aliais eu convido a todos que queiram bater um papo, podeme chamar a hora que quiserem

21/10/2022 21:44
T

tesão gay comentou:

olá pessoal, obrigado pelos carinhos e preocupação, mas não tenho nada o que falar, minhas historias de vida são só tragedias, é muito triste, não quero compartilhar isso com ninguém, tenho medo, mas mesmo assim meu muito obrigado a todos.

21/10/2022 21:44
K

Keno comentou:

Terminei mais um capítulo, um dos mais fofos, como nosso olhos verdes falou tudo que é bom acaba, assim como a viajem com a família Mackenzie, agora tem outro problema, agora com nosso dez, um dos melhores amigos espero que o próximo capítulo que pode ser um choque para todos mesmo assim estou ansioso e também esparso com que tudo dê certo para o Arthur e lhe desejo força para passar por tudo isso é espero que nosso gatinho e o olhos verdes conseguirem dar forças para ele. Obrigado greenbox

21/10/2022 21:44
S

Seila comentou:

esse final sempre me pega de surpresa quando eu leio, coitado do arthur

21/10/2022 21:44
M

Megafãdogreenbox comentou:

Hj passei o dia lendo alguns capitulos, e eu sei q muita gente aqui ja falou isso mas, estou ficando meio depressivo em saber q essa historia linda vai acabar daqui a pouco. Sei tbm o tanto de trabalho q é colocar tudo isso em palavras tão bem escritas como essas, mas por outro lado fico muito feliz. Feliz por ter lido essa história, feliz por ter conhecido esses trez garotos lindos e feliz por ver o amor do Lu e do rafa dar certo. Ah, la no primeiro capitulo eu postei um comentario com tres links de fotos, de como eu acho q os garotos são, pelo menos na minha visão, deem uma olhada la.

21/11/2022 21:44