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O menino dos olhos verdes 43 & 44

📅 Publicado em: 28/09/2022 14:54

👤 Autor: greenbox-amigobc

📂 Categoria: Gays

🏷️ Tags: #PreTeen
Episódio 43 ― A Dama e os Três Vagabundos | Episódio 44 ― O que pesa mais, um segredo ou uma confissão?

― Hummmmmm… ― gemi enquanto acordava aos poucos.

Senti algo quente e molhado encostando no meu pescoço. O Rafa tinha montado em cima de mim e agora estava chupando meu pescoço.

― Nossa… bom dia…― eu disse surpreso por acordar assim.

E quando eu digo surpreso, eu quero dizer de pau duro mesmo…

― Oi… ― Ele disse sem desgrudar a boca do meu pescoço.

― Que horas são? ― Perguntei enquanto me espreguiçava.

― Já passou do meio dia…

― Pode ir mais para baixo, por favor? ― Eu pedi.

Nessa hora, ele se desgrudou do meu pescoço e subiu um pouquinho, até ficar cara a cara comigo. Então me olhou nos olhos e disse:

― Como é que você ainda aguenta… depois de ontem?

― Já se olhou no espelho? ― Eu respondi rindo. ― E do que você está falando? O que é isso aqui?

Eu disse enquanto enfiava a mão entre nossos corpos e sentia um voluminho dentro do seu shortinho.

― Isso daí? Isso daí não é nada…

― Não é nada?

― Não… não é nada perto disso…

Daí eu senti uma mãozinha agarrar minhas partes íntimas com força.

― Auch! Auch! Solta! ― Pedi e ele soltou. Eu ainda sentia um pouquinho de dor… por causa de ontem.

Ele encostou o dedo na minha bochecha e começou a acariciá-la, enquanto me olhava nos olhos.

― Vamos nadar? ― Ele me convidou.

― Vamos… mas o que tem pra comer? Tô morrendo de fome…

― Como é que você ainda aguenta… depois de ontem? ― Ele disse e eu ri.

― Aí… como é que você consegue ser tão sem vergonha na cara assim? É do seu bumbum que estamos falando…

Daí ele colocou o dedo na minha boca.

― Shhhh! Quietinho. Quietinho.

Tentei morder o dedinho dele, mas ele foi mais rápido e se esquivou.

― Não menti quando estava com fome. ― Eu disse rindo.

― Mas isso não é motivo pra comer meu dedo!

Ele estava em cima de mim. Seu rosto estava a dois centímetros do meu. Ele estava vestindo seu pijaminha azul claro composto por um shortinho minúsculo de pano e uma camisetinha cavada. Detalhe que ele não estava usando cueca por baixo do shortinho de pijama, então dava para sentir sua ereção quase que naturalmente.

― Tem pizza de ontem… serve? ― Ele ofereceu.

― Pode ser…

Nos levantamos da cama e ele disse:

― Trouxe roupa pra nadar?

― Não… você pode me emprestar algum short?

― Nada de cueca, ué… ― ele sugeriu.

― Ah não…

― Por que não?

― ―

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― Não! Tá doido? Sua prima tá aí!

― E daí?

― E daí que tenho vergonha!

― Vergonha de que? De cueca, você fica tão…

― Eiii! ― Reclamei.

― Aff… como se ela fosse te ver de cueca… você tira o short lá na piscina, ué!

― Mas você não tem nenhum short aí para me emprestar?

― Tá fazendo esse drama todo só porque tá de cuequinha fio dental?

― Não é fio dental! Já disse! ― Reclamei bravo.

O que foi? Não era! É sério! Não era!

― Tá, se quiser eu te empresto… não precisa chorar.

― Valeu, babaca. ― Eu agradeci.

Depois disso, nos vestimos apropriadamente, escovamos nossos dentes e descemos as escadas. Na sala, encontramos a prima do Rafa e seu namorado, deitados no sofá, assistindo um filme.

― Oi meninos! ― Ela disse. ― Dormiram bem?

― Sim! ― Rafa respondeu. ― Dormimos demais, isso sim…

― Olha, eu e o Rô estamos aqui na sala, qualquer coisa que vocês precisarem, estamos aqui…

― Tá… obrigado, Carol. Eu e o Lu vamos estar na piscina. ― Rafa disse.

― Ah… tá bom… cuidado para não se afogarem.

― Ouviu, Lu? ― Rafa disse.

― Babaca! ― Xinguei ele de novo.

Daí fomos até a cozinha, para comer. Rafa pegou a caixa de pizza e a colocou em cima da mesa. Daí ele abriu a caixa, retirou um pedaço de frango catupiry e deu uma mordida faminta.

― Eita, porra! Você não vai nem esquentar? ― Perguntei.

― Não… fria é melhor. Você quer esquentar?

― Quero.

― Vou esquentar pra você, pera.

Ele pegou um pedaço de pizza, botou no prato e depois botou no micro-ondas.

― Tá um ótimo dia pra nadar, não acha? ― Ele disse.

― Pois é… ― eu concordei.

― E pra assistir um filminho também…

― Aham…

― E pra depois dar aquela dormidinha… né?

― Dormidinha…? Só lembra que hoje marcamos de sair com o Igor. ― Eu o lembrei.

― Puuuuuuuutz! Não… não… não… que merdaaaaa! ― Ele reclamou. ― Ah cara… que droga!

― Ei! Não fala assim, gatinho. Ele é seu amigo, não é? É importante pra ele. ― Eu tentei ajudar.

― Importante pra ele? Isso é coisa da Sarah!

― Você não sabe. Às vezes ele só ficou com vergonha de dizer que era o que ele queria… você e o Miguel cagaram na cara dele, poxa…

― O Igor? Igor, Igor? Marcar um encontro duplo? Com nós dois? Sério?

― Tá! Tudo bem… isso só pode ser coisa da Sarah, mas mesmo assim, gatinho! Ela também é nossa amiga, certo? Não estamos todos juntos nisso?

― Ah… sei lá, mano…

― Então… e vai ser divertido!

― ―

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― Divertido? Em que universo? O que vamos conversar com eles?

Nesse momento, a minha pizza ficou pronta. Tirei o prato do micro-ondas para comer.

― Sei lá… coisas de adolescentes normais… você que é o adolescente normal aqui, o que sugere? ― Eu disse.

― Eu sugiro que cancelemos e aproveitemos o final de semana… só nós mesmo… isso sim.

― Não, vai ser legal, você vai ver.

Depois disso, terminamos de comer e fomos até a piscina. Chegando lá, o Rafa já foi tirando a camiseta.

― Pega lá um short pra mim! Não posso molhar esse.

― Aff… nada de cueca mesmo! ― Ele disse abaixando seu short.

― Não, gatinho… vai, por favor, pega lá pra mim…

― Minha prima nem tá aqui! Ela tá lá na sala! Ela não vai nem te ver! ― Ele insistiu.

― Aff.. tá bom! ― Cedi aos desejos pervertidos dele.

Tirei minha camiseta e botei ela em cima da mesinha que ficava em baixo do guarda-sol. Nessa hora, o Rafa foi correndo até a piscina e deu um pulo. Eu abaixei meu short e fui correndo até a piscina, para dar um salto bomba.

Agora nós dois estávamos na água. Nadamos e brincamos por uns trinta minutos. Brincamos de jogar água um na cara do outro, de apostar corrida, de prender o fôlego por mais tempo, etc. Nadamos e brincamos até eu cansar e encostar na borda da piscina. Nessa mesma hora, o gatinho veio por trás e colou sua boca no meu pescoço enquanto me dava uma encoxada.

Estávamos na parte funda da piscina, então, como não dava pés para mim, eu estava me segurando na borda. Ele veio por trás e passou as mãos em volta da minha barriga, me abraçando. Daí ele encostou suas coxas nas minhas e começou a morder meu pescoço.

― Ei… ― eu disse.

Daí ele começou a passar as mãos na minha barriga e isso foi me deixando excitado.

― Hum… ― Ele gemeu enquanto arranhava meu pescoço com os dentes.

Não teve como, fiquei duro no mesmo instante. Ele foi descendo as mãos até alcançar a parte da frente da minha cueca. Ele deu uma apertadinha na minha ereção enquanto me presentava com um chupão delicioso no pescoço.

Depois que ele deu umas três apertadinhas em mim, ele levou suas mãos para minha cintura e agarrou o elástico da minha cueca pelos dois lados. Daí ele foi abaixando minha cueca por trás, deixando meu bumbum exposto.

Quando ele deu uma mordidinha mais deliciosa ainda no meu pescoço, eu não resisti e empinei minha bunda para trás. Ele me segurou de jeito, me encoxou e foi passando as mãos pela minha barriga. Eu estava ficando doidinho de tesão.

― Ah… ― soltei um gemidinho sem querer.

Ele foi na parte da frente da minha cueca e deu mais uma apertadinha em mim. Daí ele segurou o elástico pela parte de frente e começou a abaixar também. Quando vi, já estava peladinho sendo completamente dominado por ele. Estava tão bom, ele me segurava firmemente e me encoxava de um jeito que só ele sabia fazer. Aqueles dentes no meu pescoço… nossa… estava tão bom…

No próximo segundo, ele estava fora da piscina me olhando com um sorrisinho sádico enquanto segurava minha cuequinha com o dedo indicador.

― EIII! ― Eu exclamei.

― Vem pegar! ― Ele disse rindo e rebolando.

― RAFAEL! NÃO SE ATREVA!

― ―

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Nessa hora, ele saiu correndo até o guarda-sol, pegou minhas roupas e minha toalha e olhou para trás.

― VEM PEGAR! ― Ele me desafiou chorando de rir.

― GATINHO! PORRA! NÃO FAZ ISSO! ME DÁ!

Daí ele foi correndo para dentro de casa com as minhas roupas nas mãos.

― RAFAEL! RAFAEL! ― Eu gritei.

Mas ele me ignorou.

― Filho da puta! ― Eu disse para mim mesmo.

Agora eu estava sem roupa nenhuma no meio da piscina dele. Como eu poderia sair correndo pelado atrás da minha cueca com a prima dele em casa? Olhei para os lados e eu estava sozinho. Ele tinha me deixado ali. Droga… só tinha uma coisa a se fazer.

Coloquei minhas mãos na borda da piscina e comecei a fazer força para subir e tentar sair. Mas, nesse mesmo instante, a prima do Rafa apareceu junto com o seu namorado na porta que dava para dentro de casa. Era o destino conspirando contra mim… e agora, de fato, eu estava fodido. O Rafa com certeza não esperava que sua prima fosse vir aqui agora. Pelo menos eu estava bem na borda da piscina, então… eles não podiam me ver completamente… ainda.

Carol virou para o namorado e disse:

― Nossa! A gente podia nadar também né?

― Pode ser. ― Ele respondeu.

― Ei, Lucas! ― Ela me chamou.

― OI! ― Eu respondi nervoso.

― A água tá quentinha? ― Ela perguntou.

― NÃO! ― Eu respondi imediatamente. ― TÁ BEM FRIA, NA VERDADE!

― Sério? ― Ela perguntou. ― Nossa, deixa eu ver…

Quando ela disse isso, ela começou a se aproximar da piscina. Fodeu, eu pensei. É agora que ela me vê pelado.

― Ei, mô! ― Rodrigo disse.

Nessa mesma hora, Carol se virou para ele.

― Eu gosto de água gelada… vamos lá para dentro, pra gente se trocar?

― Tá, pode ser! ― Ela disse.

Quando eu olhei para a porta que dava para dentro de casa, eu vi o rostinho do Rafa. Ele estava escondido atrás daquela maldita porta com um sorriso de orelha a orelha, enquanto assistia eu me fodendo aqui sozinho!

Quando os dois se viraram para irem embora, o Rafa voltou a se esconder atrás da porta. O casal, por fim, entrou para dentro de casa e eu fiquei esperando o gatinho vir me devolver minhas roupas… mas ele não deu nenhum sinal de vida. Filho da puta! Será que ele ia mesmo me fazer ir até lá? Droga!

Meu tempo estava se acabando. Daí eu me apoiei na borda da piscina e subi. E cá estava eu. Sem nenhuma roupa no corpo, tampando minhas partes íntimas com as duas mãos e correndo feito um louco em direção àquela maldita porta. Uma cena engraçada… se não estivesse acontecendo comigo.

Quando eu estava exatamente no meio do caminho, o namorado da Carol voltou e apareceu na porta.

― Eita, caralho! ― Ele exclamou quando viu pré-adolescente de doze anos correndo nu pela casa.

CARALHO, RAFAEL! Eu pensei comigo mesmo. ISSO TUDO É CULPA SUA!

Rodrigo tampou os olhos com as mãos e disse:

― Eu não vi nada.

― ―

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― Porra! ― Eu xinguei. ― O Rafael roubou minhas roupas!

Nessa hora, o Rafa apareceu rindo na varanda com uma toalha nas mãos. Ele correu até mim e a me entregou.

― Droga, Rafael! Vai tomar no seu cú! ― Eu xinguei.

Rodrigo e Rafa começaram a rir.

― Desculpa! ― Rafa tentou se desculpar e veio em minha direção tentar me beijar.

Eu dei um chute na sua canela que o fez gritar.

― Ei, meninos! Eu juro que não vi nada! ― Rodrigo estava tão constrangido quanto eu.

― Só não conta pra Carol, por favor. ― Eu pedi. ― Senão ela vai contar pra mãe do Rafa.

― Tá… pode deixar… ― Ele concordou rindo.

― Desculpa, meu Luluquinha! ― Rafa disse com voz fofa e veio em minha direção mais uma vez.

― Sai, seu babaca! Nunca mais nado com você!

Depois dessa cena constrangedora, Carol e seu namorado acabaram indo para a piscina. Não sei se ele chegou a contar o que aconteceu, mas eu espero que não. Ia ser constrangedor demais. Eu e o Rafa subimos para o seu quarto e ficamos vagabundeando pelo resto do dia.

Quando foi por volta de sete e meia da noite, começamos a nos arrumar para o encontro duplo com Sarah e Igor.

― Amissi ristorante? Que porra é essa? ― Rafa disse enquanto lia as mensagens do Igor.

― Cadê? Deixa eu ver…

Peguei o celular dele e li a mensagem do Igor. Estava escrito para nos encontrarmos no Amici Ristorante às 20hrs.

― A pronuncia correta é Amitchi, seu bobo. Amitchi Ristorânté. E significa Restaurante Amigos.

― Ah… agora você fala francês? ― Ele perguntou para mim.

― Não… e isso é italiano.

― Isso é veadagem, isso sim. Por que não vamos logo na porra do Burguer King!?

― Gatinho! Tenha fé! Vai ser legal!

― Sei… ― ele disse.

Terminamos de nos arrumar e posso dizer que o Rafa estava… uau. Ele tinha vestido uma calça jeans escura e uma camisa polo. Seus cabelinhos dourados estavam penteados e se fechavam em um topetinho perfeitamente alinhado no topo de sua cabeça. Cabelinhos tão finos e macios quanto os de um bebê recém-nascido. Suas bochechas estavam rosadinhas e seus olhos estavam com um tom de azul diferente do normal, mais bonito e mais misterioso, talvez por conta da iluminação. Ele era realmente perfeito. A manifestação mais pura da beleza. Um anjinho em forma de garoto. Eu era um filho da puta de sortudo, por estar com ele.

― O que foi? ― Ele perguntou quando percebeu que eu não desgrudava os olhos do seu corpo.

Eu pisquei duas vezes e balancei a cabeça, para tentar voltar à realidade.

― Nada… é só que… você tá muito… gatinho…

― Ah… você também tá muito gatinho, então! ― Ele respondeu rindo enquanto amarrava os sapatos.

Eu sorri e olhei para baixo. Estávamos prontos. Descemos as escadas e pedimos para a Carol nos levar até o bendito endereço. Ela pegou o carro e dirigiu até chegarmos num bairro nobre daqui de Ribeirão Preto.

Carol parou o carro em frente ao restaurante e esperou eu e o Rafa descermos. Ela perguntou se tínhamos dinheiro e o Rafa confirmou que sim. Daí ela foi embora.

― ―

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Se tínhamos dinheiro? Tínhamos… se seria o suficiente? Aí eu já não sei. Não precisava ser um Arthur da vida para perceber que esse restaurante, se não fosse o mais, era um dos mais chiques da cidade. Assim que eu e o Rafa botamos o pé dentro daquele ambiente, fomos recebidos por um garçom de terno e gravata da terceira idade que disse:

― Buona notte, mio signores. Mesa para dois?

― Oi… boa noite… na verdade, estamos em quatro… não sei se meu amigo já chegou. ― Rafa disse.

Foi quando avistamos um garotinho loiro lá dentro do restaurante abanando a mão. Era o Igor e ao lado dele estava Sarah.

― Ah! Eles estão bem ali! ― Rafa disse para o garçom enquanto apontava para o Igor.

Nós dois fomos até eles e, durante o caminho, eu disse discretamente para o Rafa:

― Gatinho! Vamos falir! Olha esse lugar!

― Eu disse que o Burguer King era melhor! ― Rafa reclamou baixinho para mim.

― Tudo bem que o lugar é romântico, mas olha pra isso! ― Eu disse enquanto admirava o local… mais especificamente a fonte de água que ficava bem no meio do restaurante.

― Qualquer coisa eu tenho um cartão de crédito que meu pai fez para que eu usasse em casos de emergência… ― Rafa disse.

― Tá… ― eu disse mais aliviado. Isso com certeza era uma emergência.

Chegamos até a mesa onde Igor se encontrava e nos cumprimentamos.

― Oi gente! E aí! ― Rafa disse apertando a mão do Igor.

― Oi! ― Eu disse enquanto dava um beijo no rosto da Sarah.

― E aí! Ah… sentem aí! ― Igor disse.

Daí nós nos sentamos na mesinha para quatro. Eu fiquei de frente para Sarah e o Rafa ficou de frente para o Igor.

― Chegaram faz tempo? ― Rafa perguntou.

― Não, faz uns dez minutos! ― Igor disse.

― Ah… ― Rafa disse.

Igor também estava bem gato essa noite, meu deus do céu… ele usava aquele topetezinho tradicional dele e vestia uma camisa social azul escura. Sarah estava com o cabelo produzido e usava uma maquiagem discreta e sutil, provavelmente teria ido a um salão de beleza hoje. Ela usava um vestidinho azul bebê e uma tiara com uma flor cor-de-rosa na cabeça.

― Lugarzinho maneiro, hein? Quem descobriu? ― Eu perguntei gentilmente.

― Ah… eu sempre venho jantar aqui! ― Sarah disse.

Claro que vem, pensei. Tá sobrando dinheiro, né?

― Daí a gente pensou… porque não comemorar o nosso primeiro mês de namoro aqui, não é mesmo, Guiguinho? ― Ela disse e olhou para o Igor.

― É sim… ― ele disse um pouco constrangido por ser chamado assim em público.

O Rafa começou a rir quando ouviu o Igor ser chamado de Guiguinho. Nesse mesmo instante, o garçom trouxe os cardápios.

― Hum… o que tem de bom aqui, Sarah? ― Perguntei.

Quando bati o olho no cardápio, quase caí da cadeira.

― Filet Enzo…? Filet Mignon Alto ao molho balsâmico, uvas passas e mel, acompanha parpadelli tartufado… cento e dezenove reais? Isso é sério? ― Perguntei rindo.

― O que tem? ― Sarah perguntou sem entender. ― Eu já comi, é bem gostoso… mas não sou muito fã de uvas passas…

― Cento e dezenove reais? Isso serve quantas pessoas?

― Uma, ué! ― Sarah respondeu ainda sem entender onde eu queria chegar.

― ―

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― Olha esse, Lu! ― Rafa disse. ― Esse é pra você… Filet Lucca… Filet Mignon alto com molho de três formaggi, acompanha parpadelli no próprio molho.

― Cadê? ― Eu perguntei. ― Ah… achei! Esse daqui de cento e vinte e sete reais?

― Sim! Esse mesmo!

― O que é formaggi, Sarah? ― Eu perguntei.

― Formaggi é queijo… ― ela respondeu.

― E o que é parpadelli? ― Rafa perguntou.

― Parpadelli é macarrão… ― ela respondeu.

― Eca… carne com molho de macarrão? ― Rafa disse. ― Que nojo!

― Eiii! É uma delícia! ― Sarah tentou defender o cardápio.

Procurei a coisa mais barata do cardápio e achei um tal de Cubo di Formaggi… trinta e dois reais e noventa centavos. Justo. Embora fosse caro, era isso que eu ia pedir. Não tinha escolha, era a coisa mais barata que tinha ali!

O garçom chegou para anotar nossos pedidos e o Igor disse tudo.

― Então será uma Lagosta do Henrique para a Sarah, um Cordeiro Al Tullio Jr para mim, um Filet Cremona para o Rafael e um Cubo di Formaggi para o Lucas.

― Io scritto. Mais alguma coisa? ― Disse o garçom.

― Não… ― Igor respondeu e o garçom se retirou.

― Tem certeza de que você só vai comer um Cubo di Formaggi, Lucas? ― Sarah perguntou para mim.

― Ah, sim! ― Eu respondi. ― Tô de boa!

Daí ficamos em silêncio por um momento. Foi estranho. Eu, o Rafa e o Igor éramos superamigos. Podíamos conversar infinitas bobagens quando estávamos a sós… mas agora a Sarah estava ali… não podíamos ficar falando sobre coisas de garotos… ela ia se entediar rapidamente. Tínhamos que falar sobre coisas de adolescentes crescidinhos.

― Ei… Igor! ― Rafa disse. ― Você viu o novo jogo que a Naughty Dog vai lançar?

Aff… claro! Vamos falar sobre jogos eletrônicos, então! Os garotos começaram a discutir sobre um jogo aleatório, daí eu resolvi conversar um pouco com a Sarah.

― Então… Sarah… o que seus pais fazem? ― Perguntei.

― Ah… meu pai é gerente de uma concessionária da Toyota. E minha mãe é dona de uma franquia de padarias.

― Ah… jura? ― Eu disse nenhum um pouco surpreso.

― Pois é… e os seus?

― Ah… ― Eu disse. ― Meu pai também trabalha com carros, e… minha mãe… é corretora de seguros…

― Corretora de seguros? ― Ela perguntou. ― Ah… e o que uma corretora de seguros faz?

― Ah… é complicado… pra falar a verdade, nem eu sei muito bem…

― Ah… entendo. ― Ela disse.

― E você tem irmãos? ― Perguntei.

― Tenho uma irmã mais nova. Estela. Tem nove anos. E você?

― Minha mãe tá grávida…

― Jura? Vai ter um irmãozinho ou irmãzinha?

― Espero que seja irmãozinho… ― Eu disse rindo.

― Que legal! Eu lembro quando minha irmãzinha nasceu… foi muito bom aquele dia…

― Imagino. ― Eu disse tentando imaginar o dia que meu irmão nascesse.

Eu continuei conversando com a Sarah e o Rafa continuou conversando com o Igor até nossos pedidos chegarem.

― ―

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Primeiramente, o garçom colocou um prato contendo uma lagosta na frente da Sarah. Ele também trouxe arroz branco e macarrão. O próximo a ser servido foi o Igor. O garçom botou um prato repleto de costelinhas de cordeiro banhadas a molho de churrasco e ervas. O cheiro estava ótimo. Em seguida chegou o Filet do Rafa. Era um pedaço de carne enorme temperado com molho e especiarias italianas. Dava para se comer com os olhos.

E, por fim, o garçom trouxe o meu Cubo di Formaggi. Ele botou um prato na minha frente contendo um único quadradinho de queijo cujas arestas mediam nada mais, nada menos que três centímetros. Era exatamente isso. Um quadradinho de queijo regado com um molho que parecia ser de laranjas e ervas. Trinta e dois reais em uma porra de um quadradinho de queijo… puta que pariu!

Quando o Rafa viu meu prato, ele começou a rir.

― Pode deixar que já estou dividindo meu bife ao meio, Lu… ― ele disse rindo.

― Sério que isso é o Cubo di Formaggi? ― Eu perguntei pra Sarah.

― Ué! Cubo de queijo… ― ela disse parecendo lógica.

― Deixa eu experimentar essa porra… ― eu disse.

Eu peguei minha faca e parti o queijinho ao meio. Metade ficou grudado na lâmina da minha faca, daí eu levei até a boca e experimentei.

Nessa hora, eu tive que fechar os olhos. Tudo começou a ficar colorido, mágico e lindo. Era a melhor coisa que eu já tinha comido na vida. O queijo não tinha gosto de queijo… parecia mais um cheesecake… era ao mesmo tempo doce, suave e salgado. Tinha a mesma textura que um pudim de brigadeiro. A combinação entre molho de laranja, liquor de frutas vermelhas e mel era simplesmente a coisa mais perfeita que eu já tinha provado. Eu viajei longe quando experimentei essa porra.

― Uau! Rafa! Você tem que experimentar isso!

Espetei a outra metade com o garfo e levei até a boquinha do Rafa. Ele a abriu e eu enfiei o garfo lá. Ele mastigou esse tal de Cubo di Formaggi enquanto esboçava um sorriso discreto.

― Caralho! Isso é gostoso! ― Ele concordou.

― Né!? ― Eu exclamei.

E pronto! Minha janta tinha acabado. A galera nem tinha começado a comer e eu já tinha terminado meu prato. Ainda bem que o Rafa repartiu seu filet ao meio e me deu uma metade. O Filet era grande o suficiente para dois. Daí deu para jantarmos tranquilamente.

Depois que terminamos de comer, o Igor se levantou e disse:

― Ei, gente, vou no banheiro rapidinho.

Daí o Rafa disse:

― Ah… também estou precisando… vou contigo!

Daí ele também se levantou e os dois foram ao banheiro. Nessa hora, a Sarah me olhou e disse:

― Ei… Lu… posso te perguntar uma coisa?

Eu fiz que sim com a cabeça. Ela se aproximou de mim e fez sinal para que eu me aproximasse também. Eu cheguei mais perto dela, daí ela disse baixinho:

― Olha… que isso fique só entre nós… tá?

Eu fiz que sim com a cabeça de novo, já começando a ficar preocupado.

― Tá… o que foi…? O que houve? ― Eu perguntei.

― É que tipo… o Igor…

― Sim… o que tem ele?

― É que tipo… às vezes eu acho que ele quer levar as coisas rápido demais… sabe?

― Estou ouvindo… ― eu disse.

― ―

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― Tipo… eu acho que não estamos na mesma frequência, sabe? Ele quer dar passos maiores que as pernas…

― Sarah… ― eu disse preocupado. ― O que foi que o Igor fez?

― Olha, Lu… o que eu falar aqui não pode sair daqui, tá?

― Tudo bem. ― Concordei com os termos dela.

― Ele quer dormir comigo… mas eu não sei se estou preparada…

― Eita porra! ― Eu disse surpreso.

Agora eu estava entendo tudo. Igor queria perder a virgindade e Sarah não estava preparada para isso.

― E por que você acha isso? ― Eu perguntei.

― É porque ele… ele… meio que me pediu…

― Te pediu? Te pediu que jeito?

― Ah… ele chegou pra mim e perguntou se eu gostaria de dormir com ele…

― E o que você respondeu?

― Eu disse que não. Que ia pensar. Mas que se fosse naquele dia, a resposta era não. O que você acha que eu devo fazer? ― Ela perguntou.

― Olha… assim… eu não sei bem como está o relacionamento de vocês, mas… tipo… a coisa mais importante é você, certo? Se você não estiver okay com isso, nem tente. Vai dar muito errado… entende?

― Sim…

― Tipo… se você não estiver preparada, a primeira vez de vocês pode acabar sendo um desastre… sabe? E, dependendo do tamanho do desastre, vocês podem até terminar… entende?

― Sim…

― Então… tipo… o mais importante é você estar preparada… beleza? A segunda coisa mais importante é vocês saberem se proteger… porque tipo… menina-menino é bem diferente de menino-menino… pegou?

― Acho que sim…

― Então… se for fazer, preservativo no bichinho dele… tá?

― Sim, claro… eu sei… mas tipo…

― O que foi?

― Você acha que eu devo? Preciso da sua opinião de menino. Você acha que ele quer muito? Você acha que ele ficaria chateado se eu não quisesse?

― Olha, Sarah, vou ser sincero com você… eu que vivo com os meninos, posso te garantir uma coisa: eles só pensam em sexo. Sério. Ainda mais meninos como o Igor… eles pensam nisso o tempo todo… eles só querem saber disso… e, se você pegar um menino virgem, como o Igor, ele deve sonhar com… perdoe-me o vocabulário… mas ele deve sonhar com bucetas todas as noites.

― Mas você acha que ele ficaria chateado se eu não quisesse?

― Olha… você quer?

― Não sei… eu não sei se vale tanto a pena… eu não sei se é tão bom quanto falam…

― Tá… posso te fazer uma pergunta íntima? ― Eu disse. ― Não precisa responder se não quiser…

― Claro… diz aí…

― Você já… enfiou alguma coisa aí?

― Não, Lucas! Também sou virgem, poxa!

― Eu sei! Eu sei! Mas não é isso que tô perguntando… tô perguntando se você já se masturbou…

― ―

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― Não… nunca.

― Tá… olha… acredita… é bom…

― Foi o que minhas amigas disseram… ― ela confessou.

― Agora… fazer sozinho é bom… mas fazer com outra pessoa… é a melhor coisa do mundo, sabe? ― Eu disse. ― Depois que eu e o Rafa começamos a…

― Espera! Você e o Rafa…?

― Sim… direto… quase todo final de semana…

― Jura?

― Sim…

― Não estou acreditando… ― ela disse.

― Pois é… acredite…

― Nossa… ― ela disse rindo.

― O que foi?

― É que vocês são muito fofos… eu nunca imaginei vocês…

― Pois é… acontece que… brincamos direto…

― Entendi… e você acha que eu devo também?

― Olha, depois que eu e o Rafa começamos… a nossa relação melhorou muito… ficamos muito mais íntimos, sabe? Parece que os segredos e a timidez somem completamente. Você passa a ser cumplice da outra pessoa, sabe? Vocês fazem o que não devem juntos… acaba que, no final das contas, só fortaleceu nossa amizade… entende?

― Aham…

― Então… não sei se você deve… tipo… se você não quiser, okay. Vocês vão esperar até a hora certa chegar, se chegar, entende? Agora, se você quiser… saiba que além de ser muito gostoso, vocês vão ficar bem mais próximos. Vai melhorar a relação de vocês… certo?

― Tá… acho que entendi… mas será que dói?

― Se ele for cavalheiro… dói nadica de nada.

Nessa hora, imaginei o Igor de cueca por cima da Sarah. Ele estava lambendo o pescoço dela enquanto segurava suas coxas com força.

― Vai doer? ― Ela perguntou.

― Se eu for cavalheiro… não vai doer nadica de nada… ― ele respondeu.

― E você vai ser cavalheiro? ― Ela perguntou.

― Não posso prometer nada… ― Igor respondeu a olhando nos olhos.

Daí ele arrancou a calcinha dela e saiu de dentro de sua cueca, deixando seus treze centímetros de juventude perfeita à mostra. Na minha imaginação, o pintinho dele era maior e mais grossinho que o do Rafa… e, em sua pontinha, escorria uma gotinha de pré-porra.

Igor, sem preservativo e sem pensar duas vezes, agarrou Sarah pela cintura e a foi penetrando lentamente. A primeira vez que a garota recebeu um pênis a fez delirar de tesão.

― Ah… ― ela gemeu.

― Viu… viu como tá gostoso?

E o corpo quente de Igor a abraçou e os dois começaram a se descobrir de uma forma nunca experimentada antes. E o encaixe era perfeito. Ela já tinha abraçado ele com suas pernas e agora movimentava os quadris para cima e para baixo, a fim de melhorar a transa.

E agora os dois estavam com os corpos suados e não economizavam nos chupões e nos beijos. Eles sentiam a necessidade de dizer o nome do outro em voz alta. E a intensidade com que o Igor enfiava toda sua meninice nela só aumentava.

E sua bucetinha estava toda molhadinha… molhadinha de prazer… molhadinha de tesão. E eles continuavam num movimento intenso enquanto se deleitavam com o prazer que seus corpos podiam proporcionar. E não demorou muito até que Sarah sentisse pela primeira

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vez o que era o orgasmo. O que era o sexo. O que era se enroscar na cama com um menino. E ela começou a gemer muito… gemer mais do que jamais gemera um dia. E, nessa onda de prazer, Igor também gozou e encheu toda bucetinha dela de porra. E ele também nunca tinha sentido uma sensação tão boa quanto essa.

― Lucas? ― Sarah me chamou.

― Oi? ― Eu respondi prontamente.

Eu devia ter viajado um pouquinho nesses últimos segundos. Só sei que parecia que meu pinto ia furar a cueca.

― O Igor e o Rafa estão demorando, não estão? Você não quer ir lá dar uma olhadinha neles?

― Tá… pode ser… ― eu concordei.

Assim que ia me levantar, avistei os dois saindo do banheiro masculino. Eles estavam bem grudados e rindo muito.

Assim que eles voltaram a se sentar na mesa, Igor passou o braço em volta dos ombros da Sarah e o Rafa fez o mesmo comigo. Eu o abracei e coloquei minha cabeça no seu ombro. Depois encostei meu nariz no seu peito e inspirei. O seu cheirinho era tão bom…

Depois levei meu nariz até seu pescoço e depois até sua bochecha. Ele virou seu rosto e ficamos nos encarando por dois segundos. Fechei os olhos e dei um selinho nele.

― Te amo. ― Eu disse.

― Também te amo. ― Ele respondeu.

Quando nos viramos, Igor estava abraçando o pescoço de Sarah e a enchendo de beijos.

― Eu também te amo, meu bombomzinho! ― Ele disse para ela.

― Awnt! Eu também te amo, meu Guiguinho.

Nessa hora, eu olhei para o Rafa e acho que pensamos a mesma coisa. Será que éramos tão ridículos assim também? Quando ficávamos juntos?

Parei para pensar sobre isso um pouquinho e cheguei à conclusão que sim. Realmente éramos ridículos quando estávamos juntos. Gatinho? Meu amorzinho? Isso só fazia sentido na nossa cabeça… na visão dos outros, isso devia ser no mínimo hilário. Não é à toa que a mãe do Rafa riu da nossa cara quando descemos aquelas escadas de mãos dadas. Devíamos ser tão ridículos quanto esses dois aí… Igor e Sarah… ou melhor… o Guiguinho e a Bombomzinho.

Finalmente nosso encontro duplo romântico chegou ao fim. O garçom trouxe a conta e…

― Seiscentos e quarenta Reais!? ― Eu exclamei quando vi o preço absurdo da conta.

― Né!? ― Sarah exclamou. ― E eu achando que ia passar de mil!

Ah… claro… acabou que dividimos a conta em dois. O Igor pagou uma metade, relativa ao consumo dele e da Sarah e o Rafa pagou a outra metade, relativa ao nosso consumo. Claro que eu devia ter me tocado de que a Sarah não ia pagar porra nenhuma… ela era a dama, no final das contas! Não é à toa que ela nos trouxe no restaurante mais caro da cidade! Mulheres…

Só fiquei chateado de não poder pagar a conta meio a meio com o Rafa… eu só não tinha dinheiro… devíamos ter ido ao Burguer King… além dele ter pago tudo, eu ainda saí com a fama de ser a mulherzinha do casal… na minha cabeça, pelo menos, pareceu assim.

Fora isso, o encontro foi bem legal. Eu sabia que seria. Depois disso, nos despedimos do casal de pombinhos e fomos embora. A prima do Rafa nos buscou e nos levou de volta para casa.

Chegando lá, tratamos de subir logo as escadas e fomos até o quarto do Rafa. Eram mais ou menos onze horas da noite.

Assim que entramos no quarto do Rafa, ele já foi tirando a camiseta.

― Cara… você sabe que eu ainda tô com fome, né? ― Eu disse rindo.

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― Mas também! Você foi logo pedir um cubinho de queijo! ― Ele disse enquanto vestia a camiseta do pijama.

― Eu lá ia saber que aquilo era um cubo de queijo! Trinta e dois reais! Em que universo um cubo de queijo custa trinta e dois reais?

― Hahaha… eu disse que devíamos ter ido ao Burguer King… ainda teríamos uma coroa de papel!

― Pois é… por que será que ninguém quis ouvir as palavras do famoso sábio Rafael Cabeça de Vento?

― Pois é!

― Mas você tem que admitir que foi legal… ― eu disse.

― Claro que foi legal! E o rombo na minha conta bancária também foi legal!

― Ah… eu te pago quando puder… ― eu disse.

― Já conversamos sobre isso.

― O que? Eu vou te pagar!

― Não precisa, Lucas! Você sabe que não precisa!

― Você vai achar que eu estou te usando!

― Para de falar bobagens… se você estivesse me usando, eu saberia dizer.

― Mas eu vou pagar.

― E eu vou recusar. Olha, você pode pagar os milk-shakes, quando formos tomar, pode ser?

― Fechado! ― Eu disse rindo.

Ele abaixou as calças e, logo em seguida, vestiu seu shortinho de pijama.

― Por que você e o Igor demoraram tanto no banheiro? ― Eu perguntei.

― Ah… tá… quanto a isso… olha… não é nada do que você está pensando! Eu sei que você sabe que eu gostava dele, e tal… e você tem todo direito de perguntar e de ficar com ciúmes.

― Não tô com ciúmes. ― Eu disse enquanto me sentava em sua cama.

― Tá… não tô dizendo que você está com ciúmes… mas, se estivesse, você tem o direito, tá bom? ― Ele disse enquanto se sentava ao meu lado.

― Ei! Quietinho! Eu não pensei nada! Eu confio em você!

― Tá… eu sei que confia… e eu também confio em você, tá bom? Você sabe disso, né?

A primeira coisa em que eu pensei, quando ele disse isso, foi no Matheus… mas tratei logo de expulsá-lo dos meus pensamentos.

― Sei. ― Eu concordei.

― Então… o Igor disse que já fazia um tempinho que ele vinha tentando comer a Sarah…

― Eita… ― eu disse surpreso.

― Pois é… e ele tava me pedindo ajuda… porque ela não estava se abrindo pra ele… sabe?

― Aham… e o que você disse? ― Perguntei curioso.

― Ah… eu disse pra ele tentar ir mais devagar… que talvez ela não estivesse pronta pra isso, sabe? E que era para ele sempre tentar conversar com ela antes de tentar qualquer coisa… é diferente pra eles, sabe?

― Sim… tem todo aquele risco de engravidar…

― Exatamente… e você sabe como o Igor é um tonto. Pra ele se enrolar na hora de botar uma camisinha… já sabe, né?

― Hahaha… ― eu disse.

Eu fiquei com o pinto duro depois que ouvi Igor e camisinha na mesma frase. Confesso que eu não tinha parado de pensar naquela cena do Igor com a Sarah em nenhum momento

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depois daquela minha conversa com ela. Aquilo estava girando na minha cabeça já fazia um tempinho… e eu estava completamente excitado imaginando uma cena dessas.

O Rafa me abraçou, encostou a cabeça no meu ombro e disse:

― Ainda bem que a gente deu certo, né?

Enquanto isso, na minha cabeça, Igor e Sarah transavam loucamente. A Sarah estava segurando os braços do Igor enquanto ele mandava ver para dentro. E os dois, sem nenhuma peça de roupa no corpo, experimentavam os prazeres do sexo.

Nessa hora, eu não resisti e deixei o Lucas selvagem tomar o controle. A primeira coisa que fiz foi empurrar o Rafa para a cama. Eu montei em cima dele e já fui retirando a camiseta.

― Eita… dá onde veio isso? ― Ele se perguntou.

Agarrei a parte de baixo da camiseta de pijama que ele acabara de vestir e a puxei, deixando sua barriguinha exposta. Comecei a enchê-la de beijos.

― Tá bom, né… ― Rafa disse sem entender nada.

― Hoje eu vou mostrar pra você, senhor Rafael, o que é prazer de verdade!

― Então tá, né… ― Rafa disse com um sorriso de orelha a orelha.

No próximo instante, estávamos ambos sem roupa nos agarrando freneticamente na cama.

Eu tomei controle da situação e o coloquei deitado de barriga para cima. Montei em cima dele e colei minha virilha à sua. Segurei seus pulsos e os prendi na cama. Daí comecei a lamber todo peito dele.

― Ah… cara… isso é bom… ― ele gemeu.

Com minha língua, lambi toda sua barriguinha, depois os mamilos e depois fui direto para o umbiguinho. Meti a língua lá dentro, coisa que o fez delirar de tesão.

Ele agarrou meus cabelos, fechou os olhos, jogou sua cabeça para trás e gemeu.

― Aaaahhhhh…

Depois de mais alguns chupões em seu abdômen, eu me virei de modo que ficássemos meio que na posição meia nove…

Cheguei meu rosto bem perto de sua virilha e inspirei. A fonte do seu cheiro de menino estava a centímetros do meu rosto. Agarrei seu pintinho durinho com meu indicador e com meu polegar e comecei a esfregar a língua na sua cabecinha.

― Ahhhhh… ― Ele gemeu.

Não demorou nem mais um segundo para eu sentir meu pintinho também sendo abocanhado por uma boquinha quentinha e gostosa. Aí eu caí de boca no seu peruzinho e me deliciei com sua melhor parte.

Mas não era isso que eu queria. Eu queria mais. Eu queria ele. Levei minha mão até a sua gaveta, que ficava ao lado da cama, e tirei de lá de dentro o nosso tubinho de lubrificante KY, valeu mãe.

Segurei ele pela cintura e puxei. Ele entendeu o que eu queria fazer e já foi ficando de quatro. Espremi o tubo sobre o meu pintinho e fui lotando ele de lubrificante. Esfreguei meu pinto para espalhar o gel e depois afastei os dois glúteos dele, deixando o seu buraquinho à mostra.

Mirei o tubo de creme em cima do seu cuzinho e apertei. O gel viscoso escorreu e o atingiu bem em cheio.

― Auuu! Essa porra é gelada pra caralho! ― Ele reclamou.

― Relaxa… daqui a pouco fica quente… ― eu respondi rindo.

Com meu dedo médio, comecei a esfregar o gel no cuzinho dele e o senti contrair.

― Tá gostoso? ― Perguntei.

― Sim… muito… ― ele respondeu.

― ―

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Enfiei algumas vezes meu dedo no cuzinho dele pra lubrificar lá dentro também. Depois, me posicionei atrás dele, o segurei pela cintura e comecei a enfiar devagarzinho. Eu estava doido de tesão. Milhares de coisas cruzavam minha cabeça. Meu coração estava acelerado e minha respiração estava ofegante.

Assim que o penetrei por completo, vi vários unicórnios correrem pelo quarto soltando arco-íris. Era a melhor sensação do mundo. Sentir aquele cuzinho me apertar daquele jeito… sentir ele sem restrições… nossas respirações estavam descontroladas… nossas mentes só conseguiam se focar no momento e no prazer… nada mais importava.

E os movimentos de vai e vem começaram a se intensificar cada vez mais… e as gemidas… e os nomes ditos em voz alta… e logo eu já podia sentir o suor de seu corpo em contato com a minha pele. Era demais… era a melhor coisa do mundo. Eu estava doidinho de tesão.

E nossa fodinha continuou por pelo menos mais vinte minutos, até eu ter um dos melhores orgasmos da minha vida e encher o cuzinho dele de porra.

― Aaaaaaaaaaaaa! ― Eu gemia enquanto tremia com a sensação poderosa do orgasmo.

Caí destruído na cama enquanto sentia a sensação de alívio tomar conta do meu corpo.

― Isso foi bom… ― eu disse.

― De onde veio isso? ― Ele perguntou rindo enquanto se deitava ao meu lado.

― Sei lá… só ando imaginando coisas…

― Sei… ― ele disse.

― Aqui… deixa eu terminar pra você. ― Eu disse e segurei seu pintinho ainda duro.

Botei um pouco de lubrificante na mão e comecei a bater uma pra ele. Assim que comecei com os movimentos de vai e vem, ele cobriu seus olhos com os braços e se abandonou aos meus cuidados.

Só precisei masturbá-lo por uns dois minutos até ele explodir e começar a se contorcer de prazer na cama.

― Aaaaahh… ― ele gemeu.

Sua porrinha espirrou e caiu no seu peito. Depois, ela foi escorrendo lentamente sobre meus dedos enquanto eu terminava de finalizá-lo.

― Prontinho! ― Eu disse e voltei a me deitar com ele.

― Valeu… ― ele agradeceu.

Depois, ficamos em silêncio por mais uns cinco minutos até ele começar dizendo:

― Ei… Lu… sabe o que eu estava pensando? Lá no restaurante?

― O que?

― Será que somos tão… não sei como posso dizer…

― Tão ridículos quanto a Sarah e o Igor? Quando eles ficam trocando carinhos?

― Sim…

― Eu pensei a mesma coisa…

― E? Somos ridículos assim?

― Pra falar a verdade, acho que somos até mais ridículos que eles… ― eu disse e ele riu.

― Sabe que eu não me importo, né? ― Ele disse.

― Sei sim… também não me importo… sabe?

― Aham…

― Pois é…

― Você já pensou se aceita meu convite?

― De ir viajar contigo?

― Sim.

― Pensei.

― ―

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― E?

― Depois de assistir você queimar trezentos reais em cubo de queijo? O que você acha?

Em um instante, ele se levantou da cama e ficou sentado ao meu lado.

― Tá falando sério? ― Ele perguntou.

― Rafa… você sabe que é complicado pra mim… não posso aceitar um presente desse tamanho, meu gatinho. Você sabe que não tem como eu te retribuir depois.

― Já falamos sobre isso.

― Já sim. E não chegamos em lugar algum discutindo.

― Por favor, Lu.

― O que seus pais vão pensar de mim? Eles vão achar que eu estou interessado no seu dinheiro!

― Ah, seu idiota! Essa é a última coisa que vão pensar. Quer que eu os faça dizer?

― Não!

― Vou pedir para meus pais irem falar com sua mãe, pode ser?

― NÃO! Tá doido? Minha mãe vai me matar!

― Então o que eu posso fazer para você aceitar?

― No dia em que eu puder te retribuir de forma igual, discutiremos isso a fundo.

― Você já me retribui de forma igual! Você sabe que eu gosto de você, né? E que só isso já basta.

― Podemos discutir isso outra hora? Não vamos estragar a noite.

― Tá… mas se for só por causa de dinheiro, por favor, esquece isso!

― Tá… ― eu concordei.

Daí ele voltou a se deitar comigo. Depois disso, tomamos um banho, vestimos nossos pijamas e fomos dormir. Dormimos na cama dele, abraçadinhos de conchinha, pra variar.

Quando foi por volta de três horas da manhã, acordei com o barulho do meu celular. Alguém estava me enviando mensagens. Droga… receber mensagens a essa hora? Coisa boa não devia ser.

Tentei procurar meu celular no escuro, mas não o estava achando. Daí o celular do Rafa também começou a tocar. Eram notificações de mensagens. O barulho foi alto o suficiente para fazê-lo acordar também.

Ele acordou assustado e tentou entender o que estava acontecendo.

― Porra… quem tá enchendo o saco a essa hora? ― Ele disse revoltado.

Finalmente eu achei meu celular. Assim que eu o abri, pude visualizar quatro mensagens não lidas recém-chegadas da Sarah.

― Aff… o que será que o Igor quer uma hora dessas? ― Rafa disse.

― O que tem o Igor? ― Perguntei.

― Ele que tá me enviando mensagens agora…

― O que ele tá dizendo aí? ― Perguntei.

― Aqui diz: “CARALHO RAFAEL, NÃO SEI O QUE DEU NESSA MENINA, SÓ SEI QUE HOJE NÃO VAMOS DORMIR!!! SEGUNDA TE CONTO TUDO”.

― Eita porra… alguém se deu bem essa noite… ― eu disse rindo. ― Olha o que a Sarah me enviou: “Lucas, obrigado pelos conselhos… tive a melhor noite da minha vida e agora entendo o significado de a melhor coisa do mundo… beijos, depois te conto os detalhes da noite”.

― Caralho… o que foi que você falou pra essa menina? ― Rafa perguntou.

― Nada demais… só disse o que penso.

― Eu, hein… esses dois devem estar num rala-rola pesado agora… você não acha?

― Pois é…

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Coloquei meu celular de volta no criado-mudo e abracei o Rafa.

― Sorte a deles… ― eu disse. ― Que têm um ao outro para fazerem sexo até sete horas da manhã.

― Senti uma indireta… ― Rafa disse rindo.

― Ah, você acha?

Na mesma hora, ele montou em cima de mim e disse:

― Então esse meu gatinho tá safadinho hoje? É isso?

― Talvez… ― eu disse.

― Então esse meu gatinho quer mais? Ele quer brincar até sete horas da manhã?

― Eu não falei nada…

― Agora que já estamos acordados, né… por que não? ― Ele disse com um sorrisinho safado no rosto.

E assim, tiramos nossas roupas novamente e brincamos até sete horas da manhã…

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| Episódio 44 ― O que pesa mais, um segredo ou uma confissão?

― Oi… em que posso ajudar, Lucas?

― Ah, oi, tia… me vê um hambúrguer e um guaraná, por favor.

Hoje era quinta-feira. Dia de ter aula de olimpíada. Tinha sido uma semana corrida… bem corrida… desde aquele último final de semana, com o Rafa, muita coisa aconteceu.

― Aqui, meu querido, são quatro e cinquenta.

Paguei meu almoço e agradeci à senhora que tomava conta da cantina do colégio.

― Obrigado.

Como eu sempre fazia nas quintas-feiras, comprei meu almoço na cantina e fui me sentar em uma das mesinhas que tinha ali. O espaço da cantina era um lugar bem bacana, socialmente falando. Tinha a casinha onde as tias vendiam os lanches pelo balcão e também tinham várias mesinhas redondas de plástico em volta. A que eu estava sentado, especificamente, tinha um guarda-sol.

A aula já tinha terminado e eu estava esperando dar duas horas, que era a hora que começava a aula com o professor Tales e com Arthur. O Rafa tinha acabado de ir embora e agora eu estava sozinho… mas isso não era um problema, já que a escola estava praticamente vazia.

Assim que eu me sentei na mesinha para comer, eu fui me lembrando de tudo que tinha acontecido essa semana…

Na manhã de domingo, ou melhor, na tarde de domingo, eu e o Rafa acordamos cansados depois de uma longa noite de… ah… você sabe o que… enfim… acho que foi o dia mais preguiçoso da minha vida… eu e o Rafa não estávamos com vontade de fazer absolutamente nada… daí ficamos agoniando de tédio o dia inteiro. Agoniando de tédio mais ou menos… tínhamos um ao outro… difícil ficar entediado com um Rafa… eu nunca me cansava de olhar para ele… chegava a ser hipnótico… enfim… sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, sim… domingo… foi um dia bem parado… diferente do dia seguinte…

Segunda-feira chegou. E, o que para alguns era o dia mais insuportável da semana, para outros… Sarah e Igor… era, sem dúvidas, o dia mais extraordinário de todos. Os dois chegaram radiantes na escola… era ridiculamente visível a felicidade dos dois. Poucos sabiam o verdadeiro motivo daquela felicidade espontânea… um deles era eu.

A primeira pessoa com quem Sarah quis falar, foi eu. Mas, infelizmente, por causa de toda essa sua euforia, ela não conseguiu falar nadica de nada no primeiro tempo. Tivemos que nos encontrar novamente no recreio, mais especificadamente no Bloco Leste, para que ela conseguisse dizer tudo o que estava sentindo.

― Calma, filha… respira. ― Eu disse.

― Tá… tô calma. ― Sarah disse.

― Beleza… primeiro, me responde uma coisa que eu não entendi até agora…

― Tá… fala…

― Como é que vocês conseguiram dormir juntos? Teu pai sabe?

― NÃO! TÁ MALUCO!? Olha… seguinte… o que eu te contar aqui, você não pode falar pra ninguém, tá?

― Claro, pô!

― Olha… foi assim… tipo… o Igor, depois que vocês foram embora, ficamos esperando minha mãe vir me buscar…

― Certo… e aí? ― Eu disse ansioso pela continuação.

― E aí que eu olhei pra ele… aí ele olhou pra mim… e aí…

― E aí o que, garota? Desembucha! ― Eu disse impaciente.

― E aí eu cheguei no ouvido dele e disse baixinho… Mô… acho que tô pronta…

― ―

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― Eita porra! Você queria matar o menino do coração, falando uma coisa dessas? ― Eu disse rindo.

― Pois é… foi tipo isso que aconteceu… ele ficou super sem graça…

― Ah vá!

― Mas eu sei o que ele estava pensando! Ele estava tentando ver se eu estava mentindo…

― Porra! Claro! Eu também tentaria! Do nada você falou pra ele que queria dar!?

― Ei! Não coloca dessa maneira! Tá! Eu sei que foi bem repentino… mas eu não sei o que deu em mim… depois daquela nossa conversa…

Ah… eu sabia bem o que tinha dado nela… o nome disso é tesão.

― Tá… e aí? ― Eu perguntei morrendo de vontade de saber o resto da história.

― E aí que ele ficou meio na dúvida e tal… aí eu perguntei o que era… se eu tinha feito alguma coisa de errado… ele disse que não… depois eu perguntei se ele estava pronto… ele disse que achava que sim, mas que agora não tinha certeza… aí eu disse que, se ele quisesse, era pra ele pensar em um plano rápido, porque meu pai tava chegando.

― Meu deus… não consigo imaginar como ficou a cabeça desse menino… ― eu disse.

― Pois é…

― Você sabe que teu buraquinho desarma qualquer garoto, né? ― Tentei explicar.

― Agora eu sei… ― ela disse rindo.

― Meu deus… você não vale nada, Sarah… ― eu disse dando um tapinha em seu braço.

― O que foi? ― Ela disse rindo. ― Enfim… deixa eu continuar… aí ele disse que estaria em casa sozinho, de qualquer jeito… e, que se eu quisesse mesmo, era só arrumar um jeito de ir pra casa dele…

― E o que você fez?

― Pensei em pedir ajuda para alguma amiga minha que tem carro… quem foi a primeira pessoa que veio na minha cabeça?

― A irmã da Isa.

― Exatamente. Mandei uma mensagem pra ela, explicando a situação… que eu queria ir passar a noite na casa do meu namorado e tal… e daí bolamos um plano!

― Entendi…

― Resumindo, eu disse para meu pai que ia passar a noite na casa da Isa. A irmã dela veio me buscar, conversou com meu pai e pronto! Ao invés de me levar pra casa, me deixou lá no Igor.

― Hahaha… se o seu pai descobrir isso…

― Ele nunca vai descobrir. Só se você contar… você vai contar?

― Minha boca é um tumulo, garota.

― Então pronto. Se um dia você quiser contar, só imagina como o Igor seria um morto sem graça.

― Falou tudo…

― Tá… onde eu estava mesmo? Ah, sim… Igor. Cheguei na casa dele eram mais ou menos umas onze da noite. Ele estava sozinho… aí eu perguntei se ele não tinha medo de ficar sozinho em casa… ele disse que não… daí eu ri… daí ele riu… daí nós começamos a rir…

― Sarah! ― Eu reclamei. ― Foco, garota! O recreio tá acabando!

― Tá… desculpa… sim… então… daí fomos assistir um filminho, sabe? Pra dar aquele clima? Botamos um filme romântico…

― Ah, que fofos… ― eu disse sendo irônico.

― Pff… seu chato… então… daí teve uma cena que o casal começou a se beijar.

― Vish… já vi onde isso vai dar.

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― Shh! Cala a boca, Lucas! Deixa eu falar!

― Tá… vai!

― Aí né… o casal começou a se beijar e tal… aí foi tocando aquela musiquinha romântica… aí eu olhei pra ele… ele olhou pra mim… daí nós começamos a nos olhar…

― Sarah! ― Eu reclamei novamente.

― Tá! Desculpa! Aí nós nos beijamos… foi um beijo muito bom… ficamos tipo… uns dez minutos nos beijando. A gente tava no sofá da casa dele, né…

― Aham…

― Aí ele me perguntou o que tinha mudado… eu perguntei como assim… aí ele me perguntou porque eu tinha mudado de ideia de repente. Eu disse que tinha conversado com você…

― Porra! O que você disse que eu falei?

― Não! Nada demais… só disse que você disse que isso tinha feito você e o Rafa serem muitos mais próximos… daí eu falei que estava disposta a tentar, se fosse para ficarmos mais próximos… daí ele ficou nervoso e começou a rir igual um idiota…

― Hahaha… esse Igor, por baixo de um machão, é um puta covarde, isso sim… ― eu disse zoando.

― Pois é… aí eu não sabia o que fazer, né… ficou naquele clima assim: Nós dois queríamos, mas ninguém sabia como dizer isso para o outro… sabe? Nós não sabíamos como começar… entende?

― Imagino… e o que vocês fizeram?

― Então… aí nós ficamos bem tímidos e tal… tava meio constrangedor… daí ele tentou ir alisando aqui e ali… foi fazendo uns carinhos… mas não tava dando em nada… daí eu resolvi criar coragem e ir direto ao ponto…

― Eita… Sarah… o que foi que você fez?

― Eu botei a mão no negócio dele…

― Porra! ― Eu exclamei.

Agora eu estava de pau duro… só de imaginar a cena da Sarah botando a mãozinha no negócio do Igor… meu deus…

― E o que você sentiu?

― Eu estava muito nervosa, né? Aí eu senti uma coisa dentro de mim… sei lá… uma euforia… uma coisa muito estranha… mas era incrivelmente bom…

― Sei…

― O negócio de vocês meninos é quente, né? O peruzinho de vocês…

Putz… agora tinha dado vergonha alheia… a Sarah era uma safada, isso sim. Eu nunca imaginaria ouvir isso dela…

― Ah, vai falar que sua xaninha também não é? ― Eu perguntei.

― Olha… aí eu senti o negócio dele muito quente… e tava duro também… muito duro…

― Aff… você sabe que isso acontece quando o menino tá com a menina, né, Sarah?

― Claro, poxa! Não sou inocente, Lucas… enfim… aí tava duro… duro e quente… e, quando eu botei a mão, o bichinho dele assustou e se mexeu.

Quando ela disse isso, eu comecei a rir.

― Pois é… difícil… ― ela disse rindo.

Nisso, eu estava com uma ereção fodida na cueca.

― Continua. ― Eu implorei.

― Aí né… onde eu estava? Ah, tá… eu botei a mão… ele me olhou meio assustado… e ficamos em silêncio… como eu percebi que ele tava muito nervoso, eu resolvi tomar o controle… daí eu disse assim… vai me mostrar ou não?

― ―

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― Nossa, Sarah… meu deus… aí você destruiu o moleque!

― Hahaha… é nada…

― Tô falando sério… você arrombou o pobre coitado… imagina ouvir uma garota falar “vai me mostrar ou não?”… tadinho do Igor…

― Não importa, só sei que deu certo. Daí ele perguntou mais umas quinhentas vezes se eu tinha certeza… mas, naquela hora, eu só tinha certeza de uma coisa: eu queria. Quem estava com dúvidas era ele… ele tava bem nervoso e com medo.

― Quem diria, hein? O grande pegador Igor estava nervoso e com medo de uma garota…

― Acontece… ― ela disse rindo. ― Daí ele me pediu para esperá-lo e foi no banheiro… aí ele demorou uma eternidade lá… sabe deus o que ele estava fazendo… só sei que ele voltou com uma camisinha… não sei onde ele arrumou isso, mas arrumou.

― Eita… ― eu disse enquanto tentava arrumar discretamente meu pinto super duro dentro da cueca.

― Aí ele perguntou se eu queria ir para o quarto… que lá era mais confortável e tal… aí eu aceitei. Chegando lá no quarto, tirei meu casaco e botei em cima da mesa. Aí ele veio e me deu um abraço por trás e um beijo no pescoço… aí fomos andando até a cama.

― Meu deus, garota… ― eu disse totalmente imerso na história que ela estava contando.

― Você tá bem, Lucas? ― Ela perguntou.

― Ah… eu? Sim… claro… estou… por que?

― Você tá…? ― Ela perguntou e apontou para minha cintura.

― Eu? Não! Que isso! Claro que não! ― Eu disse enquanto cruzava minhas pernas para disfarçar minha ereção.

― Sei… aí né… nós dois caímos na cama e começamos a nos beijar… daí eu agarrei a camiseta dele por baixo e puxei, pra tirar… aí ele ficou sem camisa em cima de mim… nós continuamos nos beijando e tal… depois de mais um tempo lá, ele acabou ficando só de cueca e eu só de calcinha…

― Vish… aí acabou… ― Eu disse meio maluco de tesão.

― Aí, por fim, ele tirou a cueca e ficou pelado, pelado na minha frente…

― Hahaha… tirou foto? ― Perguntei.

― Ah tá… tá bom… ― ela riu.

― Tá… a pergunta que não quer calar…

― Tá… fala…

― É grande?

― Hahaha! Meu deus, Lucas!

― Hein! Responde!

― Não sei, ué! Só vi o dele na vida… não tenho muito com o que comparar…

― Mas como era? Era grandinho?

― Que curioso, você, hein?

― Claro!

― É do meu namorado que estamos falando! Se eu perguntasse do Rafa, o que você ia responder?

― Que o dele é uma delícia… ― Eu respondi rindo.

― Hahaha… mas é grande? ― Ela perguntou curiosa.

― Um pouquinho maior que o meu… ― eu respondi honestamente.

― Hum… ― Ela disse e ficou em silêncio.

― O que foi? ― Perguntei.

― ―

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― Erm… ei… Lucas… posso ver o seu?

Nessa hora eu comecei a rir. Eu estava nervoso.

― Hahaha… não! O meu? Claro que não! Por que você quer ver o meu?

― Vai… por favor! Só pela experiência mesmo… ― ela insistiu.

Estávamos num cantinho no Bloco Leste conversando. Claro que eu não poderia mostrar meu pau pra ela aqui em público, né…

― Não sei não… ― eu disse.

― Vem cá! ― Ela disse e agarrou meu pulso.

Ela me levou até o banheiro feminino. Nós dois entramos. Aí ela averiguou se o banheiro estava vazio e me puxou pra dentro de um boxe. Depois fechou a porta.

― Sarah… não sei se devo… ― eu disse.

― Vai… deixa eu ver… ― ela pediu de novo.

Eu estava muito duro, essa hora. Ouvir ela contar a sua história com o Igor me fez pirar. Eu podia sentia minha cueca ficando molhada de pré-porra…

― Aff… ― eu disse sem saber mais o que fazer.

Daí eu levantei minha camiseta até o umbigo, desafivelei meu cinto, desabotoei o botão da minha calça e abaixei o zíper. Daí eu tirei meu pau pra fora.

― Feliz? ― Eu perguntei meio constrangido.

Tinha uma gotinha de pré-porra na ponta que, assim que eu botei ele pra fora, ela começou a escorrer lentamente.

― Nossa… ― Ela disse.

― O que foi? ― Perguntei.

― O dele é maior, com certeza…

― Eiiii! ― Eu reclamei guardando meu pinto na cueca de novo.

― Você nem tem cabelinhos, Lucas… ― ela disse.

― E o Igor tem? ― Perguntei.

― Alguns poucos…

― São loirinhos igual ele? ― Perguntei rindo.

― Não… são bem escuros… na verdade…

― Sei… ― eu disse rindo. ― Vamos sair daqui antes que alguém nos flagre.

― Tá… ― ela concordou.

Saímos do banheiro e voltamos para o cantinho do Bloco Leste. Daí ela continuou contando sua história.

― Daí na hora que ele foi botar a camisinha, ele começou a tremer muito…

― Eita…

― Quer dizer, ele já estava tremendo muito… mas isso não era um problema, até que ele precisou… né?

― E aí?

― Aí ele precisou dar umas duas respiradas até se acalmar… no final ele conseguiu… e aí, né? E aí você sabe!

― Meu deus, garota… então rolou mesmo?

― Sim… ― ela disse.

― E como foi? Vocês fizeram o que?

― Como assim? Fizemos. Normal.

― Chegou a botar na boca? ― Perguntei.

― Credo! Não, Lucas! Que nojo!

― Ué, Sarah… pessoas fazem isso…

― Você já botou o do Rafa….?

― ―

394

― Já!

― Na boca?

― Sim!

― Credo, Lucas! Que nojeira!

― É nada… só acho que, se é bom pra ele, é bom pra mim…

― Não, isso eu não tenho moral de fazer não… ― ela disse.

Daí o sinal de fim de intervalo tocou.

― Pior pro Igor, então… ― eu disse rindo. ― É melhor a gente ir…

― Tá… foi bom conversar com você, Lu…

― Eu digo o mesmo. ― Respondi.

Pois é… essa foi a minha conversa com a Sarah… ficou surpreso? Bem, eu também… ela se mostrou bem safadinha, no final das contas.

Acontece que, eu tinha marcado com o Arthur de ir estudar na casa dele nesse mesmo dia. Era segunda-feira e era dia de estudar ciências, pois eu precisava recuperar o 3 que eu tinha tirado na última prova. Arthur tinha combinado comigo de estudarmos em sua casa.

Por incrível que pareça, eu nunca tinha ido na casa do Arthur. Quase quatro meses de amizade e eu nunca tinha ido na casa dele.

Era uma tarde de segunda-feira ensolarada. Eu ainda estava tentando me recuperar de tudo que a Sarah tinha me dito mais cedo, naquela mesma manhã. Toquei a campainha de uma casinha simples e humilde nos subúrbios de Ribeirão Preto. Sua casa ficava a mais ou menos vinte minutos a pé da minha. Era uma casinha de cor amarelo claro.

Fui recebido no portão por uma figurinha que estava de bermuda e chinelo. Acho que nunca tinha visto o Arthur usando bermuda… ele sempre estava de calça jeans e tênis. Seu cabelinho estava meio penteadinho para o lado e meio bagunçadinho.

― Oie… ― eu o cumprimentei.

― E aí, Olhos Verdes. ― Ele disse abrindo o portão.

― Oi…

― Entra aí…

― Com licença. ― Eu pedi educadamente e entrei.

Nós dois entramos para dentro e ele foi me mostrando sua casa. Era uma casinha pequena e simples. No ar, estava um cheiro muito bom de alguma coisa que tinha sido feita com chocolate.

― Não tem ninguém em casa? ― Perguntei.

― Não… minha mãe tá trabalhando… então… e aqui é meu quarto. ― Ele disse e me apresentou o último quartinho do corredor.

― Legal. ― Eu disse.

O quarto dele era sensacional. Era muito bem organizadinho. Tudo estava no seu devido lugar. Tinha uma prateleira de livros, uma prateleira com alguns cubos mágicos, um guarda-roupa, uma escrivaninha e uma cama de solteiro que ficava encostada na parede da janela. Na parede também tinham alguns pôsteres. Seu quartinho tinha as paredes brancas.

― Amei seu quarto. ― Eu disse gentilmente.

― Ah… tá… obrigado… eu acho. ― Ele respondeu coçando a cabeça.

― É seu pai? ― Eu perguntei olhando para a foto de um militar num porta-retratos que tinha na escrivaninha.

― É… eu já te falei dele né?

― Já sim… que ele é do exército?

― É… e que agora ele tá em missão… deve voltar para as festas de fim de ano.

― Entendi… que legal… é tipo missão secreta? ― Perguntei.

― ―

395

― Missão secreta? Não, Olhos Verdes… ele tá atuando na Amazônia… ajudando aquele pessoal indígena, sabe? Levando vacina, comida, esse tipo de coisa…

― Nossa, maneiro… ― eu disse.

― Pois é… senta aí! ― Ele disse e ofereceu a sua cama.

Eu me sentei em sua cama e encostei na parede.

― E você pretende seguir carreira militar também? ― Perguntei.

Ele se sentou em sua cama junto comigo e pegou um tigre de pelúcia que tinha ali perto.

― Esse aqui é o Jake. ― Ele disse me entregando o animal.

― Hahaha… você tem um bicho de pelúcia?

Era um bichinho de pelúcia do tamanho de um bebê. Era um tigre fofinho que estava vestindo um fardamento militar camuflado.

― Meu pai me deu, quando ele voltou de uma de suas viagens.

― Ele é bem fofo. ― Eu disse.

― Também acho… ― ele concordou. ― Mas não pretendo seguir carreira militar não… meu pai passa muito tempo longe da gente… não quero ter uma vida em que eu precise passar muito tempo longe da minha família… se um dia eu tiver um filho, sei lá, não quero que… ah… sei lá… não quero que ele sinta isso que eu sinto, sabe? Essa saudade?

― Ai, droga… eu sinto muito Arthur… que chato…

― Não! Nem sinta! Não sei nem porque estou te falando isso… já me acostumei… sério… não se preocupe… é claro que eu entendo o trabalho dele, que ele está em uma missão nobre e tal… e eu sei também que é muito egoísta desejar isso, mas… sim… é… acho que é isso… gostaria que ele fosse mais presente… sei lá… mas não quero parecer dramático… você sabe disso, né, Olhos Verdes?

― Não vejo problema em ser egoísta assim… é seu pai… é normal sentir saudades… e mais normal ainda o querer por perto.

― Eu sei… mas já me acostumei, sabe?

― Sei…

― E também não sou lá um atleta, para seguir carreira militar, você sabe bem disso…

― E nem eu era antes de entrar para o futebol… ― Eu disse rindo.

― Ah… mas é diferente… você fez isso por causa do Rafa… não foi?

― Mais ou menos… ah… tá… foi…

― Então… mas eu não gosto muito de esportes não… sou mais a ciência mesmo… não sei o que quero da vida ainda… mas sei que quero dar uma condição melhor pra minha família… sabe?

― Aham…

― Cara, minha mãe tá com dois empregos… ela tipo… trabalha de dez a doze horas todos os dias, sabe?

― Eita… que foda… não sabia disso, Arthur…

― Tá difícil… se não fosse o Nova Aliança, nem sei o que seria de mim… e olha que eu ainda tive uma puta sorte de eles acolherem o segundo lugar também, sabe? Não gosto nem de imaginar um universo onde eu não conseguiria passar… fiquei muito bravo comigo mesmo por ser o segundo lugar… era um risco que eu não podia correr, sabe? Depender da boa vontade da escola para acolher o segundo lugar ou não… e foi justamente o que aconteceu.

― Poxa… que foda… não sabia disso, Arthur…

― Ah, mas nem se incomode… é claro que eu fiquei bravo comigo mesmo por ter ficado em segundo lugar, mas fiquei feliz de ser o segundo lugar onde você é o primeiro, sabe?

― Não fala isso, Arthur… nós dois sabemos quem é o mais inteligente aqui…

― É você.

― ―

396

― Não! Claro que não!

― Só temos um jeito de descobrir…

― Já disse que não vou jogar xadrez contigo.

― Não quer me humilhar, né?

― Para de falar besteira, seu bobo! Você é muito mais esforçado e merecedor do primeiro lugar que eu!

― Posso ser até mais esforçado e merecedor, mas sabemos quem é o mais inteligente.

― É você! ― Eu disse rindo.

― Enfim… ciências, certo? Não temos tempo a perder…

― Tá… pode ser… vamos começar…

Daí nós começamos a estudar. O Arthur, depois, me contou que a maioria das refeições, aqui na sua casa, era ele quem preparava, já que sua mãe não tinha muito tempo para esse tipo de coisa… sim… eu descobri que ele era um ótimo cozinheiro. E ele tinha sido fofo o suficiente a ponto de fazer um bolo de chocolate só pra mim! Só porque eu tinha ido na casa dele! Tem como não se apaixonar por uma coisa fofa dessas?

Enfim… depois passamos o resto da tarde estudando ciências. Esses três últimos dias (segunda, terça e quarta) que eu fui na casa do Arthur, foram incríveis. A gente conversou muito. Eu passei a conhecer um outro lado do Arthur… um lado mais humano… um lado mais menino… e, o que esse lado tinha de inocência e meninice, também tinha de esperteza, maturidade e humildade.

E agora, cá estava eu. Quinta-feira. Dia ter aula de olimpíadas com o Arthur novamente. A aula normal já tinha terminado e eu estava esperando dar duas horas, que era a hora que começava a aula de olimpíada. Depois dessa aula, eu e Arthur iríamos até sua casa para estudarmos mais. Eu tinha acabado de pegar meu almoço na cantina e estava sentado em uma das mesinhas do pátio.

Foi quando eu avistei e reconheci uma figurinha indo até a cantina. Ele comprou um lanche e veio se sentar em uma das mesinhas do recinto. Nossos olhares se cruzaram por um instante e ele tratou logo de desviar seu olhar. Sua timidez era evidente.

Ele ia se sentar em outra mesa, porém eu resolvi ser educado e o convidar para se sentar comigo.

― Ei! Maurício! É Maurício, né? ― Perguntei.

― Ah… oi? ― Ele respondeu meio assustado por ser abordado do nada.

― Chega aí, senta aqui comigo! ― Eu o convidei.

― Ah… tá bom… ― ele aceitou.

Daí ele pegou seu lanche e veio em direção a minha mesa.

― Posso me sentar? ― Ele perguntou.

― Claro! Senta aí! ― Eu disse gentilmente.

Daí o garoto se sentou na cadeira ao meu lado.

― Oi… e aí, Lucas! ― Ele disse.

― Oi… tudo bem?

Maurício tinha mais ou menos a minha altura. Ele tinha um cabelinho grandinho o suficiente para cobrir sua orelha. Seu cabelo não era liso, era meio enrolado, mas era muito fino… fino o suficiente a ponto de se bagunçar com qualquer ventinho. Seu cabelo era castanho e sua pele era branca. Seus olhos eram de um tom de castanho bem claro. Ele tinha lábios fininhos e bem rosadinhos. Ele era magro, usava o uniforme da escola e uma correntezinha de ferro no pescoço.

― Ah… sim… ― ele disse. ― E você?

― Também.

― ―

397

― O que te traz aqui uma hora dessas? ― Ele perguntou.

― Ah… eu vou ter aula agora… aula das olimpíadas…

― Ah… você vai participar das olimpíadas do colégio?

― Vou sim.

― Que legal.

Daí ficamos em silêncio. Era um silêncio constrangedor. Eu não sabia mais o que falar… eu era tímido… ele era tímido… e eu já estava arrependido de tê-lo chamado para se sentar comigo. Por um momento, eu havia me esquecido de que eu não sabia me comunicar com os outros.

― Pois é… ― ele disse. ― Teve aula de que hoje?

― Ah… de português, história e matemática… e você?

― Eu tive de matemática, ciências e geografia…

― Hum… ― eu disse.

Daí ficamos em silêncio de novo. Caralho… como isso era difícil…

― E o Rafa? ― Ele perguntou.

― O que tem? ― Eu respondi sem entender o porquê ele tinha perguntado do Rafa.

― Ah… nada… ele tá bem?

― Sim… por que?

― Nada… só perguntando…

― Ah… sim… ele tá bem…

― Hum…

Daí ficamos em silêncio de novo. Eu estava tentando pensar em coisas para falar, mas não vinha nada na minha mente.

― Vocês estão namorando, né? ― Ele perguntou.

― Aham… ― eu respondi.

― Legal…

― É… ― eu concordei. ― E você?

― Eu? O que tem eu?

― Tá ficando com alguém?

― Ah… não… longe disso…

― Mas tá de olho em alguém? ― Eu perguntei já sabendo a resposta.

Eu ainda achava que esse menino queria que eu arrumasse alguém para ele. Era como Arthur dissera… agora eu era o cupido da escola, não era?

― Ah… pior que sim… ― ele disse.

― E quem é? ― Eu perguntei. ― Quem sabe eu não posso te ajudar… ― Eu disse oferecendo meus serviços.

― Ah… ajudar? Duvido muito de que você consiga…

O que? Do que esse garoto estava falando?

― Por que? ― Eu perguntei. ― Ela não é da escola? Eu não a conheço?

― Ah… é bem mais complicado que isso… e eu acho que você conhece sim. ― Ele disse.

― Quem é? Como ela se chama? ― Eu perguntei curioso.

― Não posso falar. ― Ele resistiu.

― Ah… qual é! Não conto pra ninguém! ― Eu insisti.

O garoto olhou para os lados, para ver se tinha alguém perto. Estávamos sozinhos no pátio da cantina. Daí ele virou para mim e disse:

― Não sei se conto…

― Você quem sabe… se quiser…

― Promete que não vai contar pra ninguém?

― ―

398

― Prometo, ué! Já até tinha te dito que não ia contar…

― Eu sei… eu sei… mas isso você realmente não pode contar pra ninguém…

― Tá… não conto…

― Nem mesmo para o Rafael…

Eita porra… esconder algo do gatinho?

― Tá… prometo. Não falo nada pra ele… quem é?

― Tá… olha… droga…

Ele estava bem nervoso… parecia que as palavras estavam ficando presas em sua garganta.

― É… olha… eu nunca disse isso pra ninguém… por favor… não conta pra ninguém não, tá?

― Tá… tudo bem… ― eu disse.

― O nome dele é Henrique e ele é do oitavo ano.

Nessa hora, eu me engasguei e comecei a tossir.

― Ei! Lucas! Você tá bem? ― Ele perguntou.

Eita porra! Eu não estava esperando por essa! Eu realmente não estava esperando por essa… Henrique? Sério? HENRIQUE? Caralho! Eu estava acabando de conhecer o terceiro menino que gostava de meninos…

― Lucas?

― Tá… eu com certeza não esperava por isso… ― eu disse.

― Desculpa… eu não queria…

― Não… relaxa… de boa…

― E o que você acha?

― O que eu acho do que?

― Do Henrique… será que eu tenho alguma chance?

― Cara… não sei… é difícil dizer… você não quer ir conversar num lugar mais reservado não?

― Tá… pode ser… onde sugere?

― Me segue. ― Eu disse me levantando da mesa.

Nós dois fomos até a arquibancada da quadra. Lá era o lugar perfeito para conversar sobre essas coisas sem ninguém ouvir.

― Senta aí… ― eu disse enquanto me sentava. Ele se sentou ao meu lado.

― Tá… então… o que você acha dele? Será que ele é?

― Cara… então… é difícil dizer… ele é bonito, extrovertido, vive rodeado de meninas, todo mundo sabe que ele anda pegando geral e tal…

― Foi o que eu pensei… ― ele disse meio triste.

― Mas calma! Olha o Rafael… ele também era desse jeito. Exatamente desse jeitinho. Ele era lindo, extrovertido, vivia rodeado de meninas… ainda vive, né… e olha só pra ele… acabou ficando comigo…

― Cara… você é muito sortudo…

― E você acha que eu não sei disso?

― Como você descobriu que ele era?

― Cara… foi tudo tão rápido que eu nem sei… em uma tarde eu podia apostar minha vida que ele era hétero, no mesmo dia, à noite, a gente estava se beijando…

― Nossa… como aconteceu?

― Foi no aniversário do Diego… conhece?

― Ei! Eu estava nessa festa! Foi o dia que o Rafa beijou a Bia, não foi?

― Foi… jogando o jogo da garrafa… daí a Bia ficou com o Hermes…

― ―

399

― Ah… eu lembro disso…

― Pois é… aí o Rafa saiu da chácara e foi andar, para esfriar a cabeça… e eu fui junto.

― Não acredito…

― É… aí sentamos num lugar lá… estávamos sozinhos… aí eu perguntei se ele queria brincar de alguma coisa… ele concordou… aí eu sugeri verdade ou desafio…

― Hahaha… esperto…

― Pois é… acabou que a gente se beijou naquela noite…

― Caralho… genial…

― É… e eu tinha combinado de ir dormir na casa dele, aquele dia.

― Mentira…

― Sério…

― Não acredito!

― Aí quando a festa terminou, o pai dele veio nos buscar e nos levou para sua casa. Era tarde já… acho que era uma hora da manhã… alguma coisa assim… aí a gente foi direto para o quarto dele.

― Mas rolou mais alguma coisa?

― Calma, deixa eu contar! Aí colocamos nossos pijamas e tal… daí, bem na hora de dormir, quando ele ia apagar a luz, ele perguntou se… se eu queria tentar aquilo de novo…

― NOSSAAAAA! ― Mauricio exclamou.

― Pois é… aí ele veio até meu colchão e a gente ficou se pegando lá…

― Não acredito! ― Ele disse. ― Cara… você é muito sortudo! Meu deus! O Rafael dizendo isso?

― Eu sei… aí a gente estava se beijando né… foi quando ele encostou em mim e percebeu que eu estava duro.

― Não… não acredito…

― É… aí ele perguntou se eu estava duro… eu respondi que sim e que ele também estava. Daí ele me pediu para mostrar.

― Nãoooooo! ― Ele disse colocando a mão na boca.

― É… aí a gente acabou se pegando de um jeito mais… íntimo. Você entendeu, né?

― Você e ele?

― Sim…

― Não acredito… e eu achando que vocês só estavam ficando…

― Hahaha… claro que não… a gente faz sexo quase todo final de semana…

― O que!? Mas quando você diz sexo… você quer dizer o que?

― Sim… pois é… eu já… tipo… tudo que eu faço nele, ele também faz em mim…

― Mas vocês já… como posso dizer isso?

― Se ele já me comeu? Sim… várias vezes… e eu também já comi ele…

― Caralho… ― o garoto disse meio confuso e surpreso.

― Pois é…

― E o que mais vocês já fizeram?

― Ah… eu também já chupei ele… claro… e ele também já me chupou… sei lá…

― Não acredito… quantos anos você tem mesmo? ― Ele perguntou.

― Doze. Eu e ele temos doze.

― Tá…

― E você? ― Eu perguntei.

― Tenho treze.

― E já ficou com algum menino?

― ―

400

― Não… como eu disse aquela hora, você é a primeira pessoa para quem eu falo sobre isso… nunca contei pra ninguém que eu gostava de meninos…

― Entendo… e meninas? Já beijou alguma? Ou você ainda é BV? ― Eu perguntei.

― Já… já fiquei com algumas… mas foi porque meus amigos fizeram pressão…

― Sei como é… e você já…? ― Eu disse e fiz movimentos de vai e vem com a mão, simulando uma punhetinha.

― Ah… caralho… pior que já…

― Desculpa se fui direto… ― Eu disse rindo. ― Só pra saber mesmo…

― Ah… sem problemas… já… comecei ano passado…

― E já fez com alguém?

― O que?

― Troca-troca? Já fez com algum amigo? ― Eu perguntei na maior cara de pau do mundo.

― Não! Não… nunca…

― Nossa… agora eu entendo seu desespero!

― Ah, obrigado! ― Ele disse ironicamente.

― Desculpa… não queria parecer intrometido…

― Ah, relaxa… não pareceu.

― Tá…

― E você? ― Ele perguntou. ― Já ficou com algum outro menino sem ser o Rafa? ― Ele perguntou.

― Olha… eu perdi meu BV com o Rafa…

― Ah… então você só beijou ele? ― Ele perguntou.

Nessa hora, eu não sabia se contava ou não… mas resolvi desabafar… eu precisava conversar com alguém sobre isso…

― Olha só… ― eu comecei dizendo. ― Eu vou te contar uma coisa, mas você não pode contar isso pra ninguém…

― Tá… ― ele concordou.

― Promete? ― Perguntei.

― Claro que prometo! Você também prometeu que não ia contar meu segredo para ninguém.

― Beleza. Olha só… depois que eu fiquei com o Rafa… que eu comecei a namorar ele… eu fiquei com outro menino…

― Sério? ― Ele perguntou surpreso.

― Sim… olha… aconteceu… e eu me arrependo muito… eu penso nisso todo dia…

― Foi alguém da escola? ― Ele perguntou.

― Não! ― Eu exclamei. ― Ele nem estuda aqui na Aliança… ele é da minha rua… e tem oito anos…

― Ah… entendo…

― Quando eu estava com ele, eu acabei perdendo o controle e… a gente se beijou… eu nunca contei isso para o Rafa…

― Nossa… ― ele disse surpreso.

― É… e eu não sei se conto ou não… eu não faço ideia de como ele vai reagir… acontece que, eu tenho noventa e nove por cento de certeza de que ele não vai se importar… pois ele vai entender que simplesmente aconteceu e que eu me arrependo.

― Então qual o problema? ― Ele perguntou.

― O problema é que… eu escondi isso dele… e faz muito tempo que aconteceu… eu tenho medo de como ele vai reagir por eu ter escondido isso dele… eu me arrependo muito de

― ―

401

não ter contado logo depois de ter acontecido… sabe? E isso tá me corroendo por dentro… eu não sei mais o que fazer…

― Caralho… difícil… ― ele disse. ― Eu não sei se posso te aconselhar, pois não sei como é a relação de vocês… mas, se fosse pra sugerir alguma coisa, eu acho que eu diria pra você contar… se aconteceu como você falou, que você se arrependeu e tal, ele vai entender e te perdoar… ainda mais se ele gostar de você tanto assim.

― Ele gosta… e eu acho que ele entenderia sim… mas eu acho que o problema sou eu… eu só não sou corajoso o suficiente para olhá-lo nos olhos e dizer, sabe?

― Cara… eu entendo sua situação… deve ser muito difícil levar isso…

― E é.

― Sinto muito por isso…

― Obrigado. Mas de meninos foi só ele que eu beijei… além do Rafa.

― E meninas? Já ficou com alguma?

― Dei só um selinho em uma… e o Rafa estava junto… mas não quero conversar sobre isso… é uma longa história…

― Hum… mas beijar de língua, você já beijou alguma?

― Não…

― Hum… eu já…

― Gostou?

― Ah, cara… é aquela coisa né… na hora é bom e tudo mais… mas elas não são meninos, né?

― Sei como é… ― eu disse.

― Então…

― Mas quanto ao Henrique… eu vou procurar saber mais sobre o que ele curte… eu tenho um amigo que sabe sobre a vida de todo mundo…

― Nossa… obrigado, Lu…

― Eu fico feliz em ajudar alguém igual eu… Maumau…

― Valeu… ― ele disse e sorriu quando eu o chamei pelo apelido. ― Que horas começa sua aula, Lu? ― Ele perguntou.

― Duas horas. ― Eu respondi.

― Ah… é que já são duas e quinze…

― O QUE? ― Eu gritei pegando meu celular para olhar a hora.

Eram duas e dezesseis. Eu estava atrasado.

― Eita! Preciso ir!

― Tá… ― ele disse. ― Foi bom conversar com você, Lu. Vai lá… a gente pode conversar mais tarde? ― Ele pediu.

― Claro! Anota meu celular aí!

Daí passei meu celular para ele e fui correndo para a aula. Encontrei o Arthur e o professor Tales conversando. Eles não tinham começado a aula ainda e estavam me esperando.

A aula foi de boa. Tínhamos começado a revisar o conteúdo aprendido, uma vez que as olimpíadas estavam chegando e seriam realizadas nos últimos dias de aula.

Acontece que, depois que a aula terminou, eu e Arthur fomos para a sua casa. Ele ainda estava me ajudando com ciências.

Chegamos na casa dele por volta das cinco e meia da tarde. O dia já estava escurecendo. Ele me ofereceu lanche da tarde. Nós dois comemos e depois fomos estudar. Estávamos no quarto dele, dividindo a escrivaninha.

― Então… o ciclo da fotossíntese começa com a planta recebendo luz do sol, certo?

― Ei, Arthur… ― eu disse.

― ―

402

― O que foi? ― Ele perguntou.

― O Rafa perguntou se ele pode vir estudar com a gente amanhã…

― Aff… sério? O terráqueo?

― É… é que a prova é segunda… ele precisa estudar também… e a gente já está quase terminando…

― Mas se ele vir, você não acha que ele vai atrapalhar a gente?

― Não, claro que não!

― A gente eu digo você… ele não vai te atrapalhar?

― Não! A gente vive estudando juntos!

― Não sei não… e rende esse estudo de vocês?

Tentei me lembrar das últimas vezes que eu estudei com o Rafa… em todas elas, a gente acabava trocando carinhos, depois beijos, e depois caíamos na cama… daí, depois que terminávamos, voltávamos aos estudos… duas horas depois…

― Rende. ― Respondi.

― Tá… você quem sabe… ― ele disse.

― Beleza.

― Então, mas como eu estava dizendo, o ciclo da fotossíntese começa com a planta recebendo luz do sol, beleza?

― Tá… continua…

Depois de mais uns vinte minutos de estudo, fechamos a matéria. Eram oito horas da noite.

― Tá com fome? ― Ele perguntou. ― Vamos comer alguma coisa? ― Ele ofereceu.

― Pode ser…

― Vou lá buscar bolo, espera aí…

Daí ele foi até a cozinha e, cinco minutos depois, voltou.

― Aqui. ― Ele disse servindo um pedaço no prato para mim.

― Obrigado. ― Eu agradeci e peguei.

Comecei a comer e estava uma delícia. Era bolo de chocolate com calda de brigadeiro.

― Nossa… tá muito gostoso, Arthur. ― Eu disse.

― Obrigado.

― Você é um ótimo cozinheiro… ― eu o elogiei.

― Valeu… ― ele agradeceu tímido.

Eu me sentei em sua cama e ele se sentou na cadeira da escrivaninha.

― Com quem aprendeu cozinhar? ― Perguntei.

― Foi com a minha mãe mesmo… ― ele disse.

― Maneiro… minha mãe não me ensinou nada disso… se depender de mim para comermos, vamos todos morrer de fome…

― É fácil cozinhar… depois que você começa, você acaba pegando o jeito… o duro é só a louça depois…

― Ah… essa parte eu conheço bem… ― eu disse rindo.

― Pois é… ― ele concordou.

― Ei… Arthur… aquele dia… quando o Rafa fez aquela brincadeira… ― Eu disse e ele fechou a cara na hora.

― Ah… sim… o que tem?

― Quer conversar a respeito? ― Perguntei.

― Não tem o que conversar… eu só nunca fiquei com ninguém, o que tem de errado nisso? Qual o problema de vocês, para ficarem insistindo nesse assunto?

― Ei… calma… relaxa… não é disso que estou falando…

― ―

403

― Ah… é sobre o que então?

― Aquele dia, você disse que… já tinha pedido para alguém…

― Aff… não quero falar sobre isso.

― Você quem sabe… mas, se quiser, estou aqui pra ouvir, tá?

― Valeu, mas não.

― Eu a conhecia?

― Olhos Verdes.

― É do Nova Aliança? Só me fala isso.

― É! Mas não quero falar sobre isso.

― Essa pessoa é da sua sala?

― Não! ― Ele respondeu na defensiva. ― Tá… ela é…

― Menino ou menina?

― Aff… menina! Eu já disse que meu lance é com meninas, Lucas.

― Do sétimo… menina… é a Giovanna? ― Eu chutei.

― Não! ― Ele tentou mentir.

― Caralho, Arthur… tú já pediu pra ficar com a Gi?

Nessa hora, o Arthur ficou super vermelho.

― Não! Claro que não! ― Ele disse na defensiva.

― Caralho… é que ela nunca me disse isso… e olha que ela sabe que somos amigos…

― É porque eu não tenho nenhuma importância na vida dela. ― Ele disse triste. ― Nem deve se lembrar do meu nome.

― Nossa… fiquei mal agora… ― eu disse.

― Aff… relaxa… não tem motivos para se preocupar.

― Claro que tenho! Você é meu amigo! Vou falar com ela.

― NÃO! ― Ele exclamou. ― POR FAVOR! NÃO FAÇA ISSO!

― Então me conta como foi. ― Eu pedi.

Ele ficou meio na dúvida sobre o que fazer, mas resolveu desabafar.

― Foi na metade do semestre. Mais ou menos no começo de setembro… na festa de aniversário da Julia. Eu já tinha falado com a Giovanna algumas vezes… mas foi nessa festa que eu resolvi tomar atitude e ir falar com ela de vez… e me declarar…

― Eita… você já se declarou pra ela?

― Não… não foi bem uma declaração… quer dizer… eu não disse tudo que sentia por ela… na festa, ela sempre estava com as amigas e tal… então era impossível ir lá falar com ela a sós. Mas, uma hora, ela foi pegar uma bebida e eu nem sei como criei coragem para ir falar com ela, mas fui. Aí foi tudo muito rápido. Eu disse que fazia um tempinho que eu já vinha reparando nela… disse que achava ela muito bonita e tal… ela se mostrou meio receosa e agradeceu o carinho… mas só falou isso… não disse mais nada… aí, eu, sem saber o que fazer, perguntei se ela queria ficar comigo… aí ela disse que eu era um fofo, pediu desculpas e disse que não estava com cabeça para ficar com ninguém. E foi isso. Aí ela virou as costas e foi embora. Mas eu não disse tudo… eu não disse dez por cento do que eu sentia… eu não disse que estava apaixonado por ela… eu não disse que pensava nela o tempo todo… eu não disse que achava que amava ela… depois que eu tomei um não bem grande na cara, eu fiquei muito mal. Não queria mais ficar na festa… daí fui embora.

― Nossa, Arthur… eu sinto muito… não sabia…

― Daí você imagina meu choque quando você começou a ser o melhor amigo dela.

― Desculpa…

― Não… eu sei que você é só amigo dela e que não tem segundas intenções… só não conta tudo isso que eu acabei de te contar pra ela. Por favor, Lucas, nunca te pedi nada!

― ―

404

― Relaxa… não vou contar.

― Valeu…

― Mas eu posso tentar descobrir o que ela acha de você.

― Não sei… desde que você não diga nada disso que eu falei… acho que pode ser…

― Não vou falar nada pra ela, relaxa… vou só ver o que ela acha…

― Tá… obrigado.

― Mas… e se ela não gostar de você… você vai querer saber mesmo assim?

― Sim.

― Tem certeza? Mesmo se doer?

― Sim. Quero.

― Tá… vou conversar com ela.

― Viu… doeu desabafar?

― Não… ― ele disse tímido.

― Faz bem conversar, Arthur… você precisa parar de ter medo das outras pessoas…

― Não tenho medo.

― Tá… mas não fique com vergonha de se abrir… tá? Eu me sinto muito mais seu amigo agora. Não sentiu o mesmo?

― Sei lá… ― ele respondeu olhando para baixo.

― O bolo está muito gostoso. ― Eu disse para tentar quebrar o clima. Ele sorriu.

― Foi bom conversar com você, Lu. ― Ele disse baixinho.

Mas foi alto o suficiente para o meu coração. Eu estava tranquilo quanto a Giovanna. O Arthur era uma das pessoas mais fofas que eu conhecia. Não tinha como não gostar dele. Eu tinha certeza de que conseguiria ser o cupido dos dois. Eu tinha certeza de que conseguiria fazer Giovanna gostar de Arthur. Eu devia isso para ele. Ele já tinha me ajudado tanto. E não… não era só porque eu devia para ele. Eu queria fazer isso. Eu queria fazer isso, porque eu queria vê-lo feliz… eu queria vê-lo sorrindo.

Queria vê-lo sorrindo porque eu gostava dele… não… não era isso… eu não gostava do Arthur… eu acho que, por mais difícil que seja admitir isso, eu acho que o que eu estava sentindo era bem mais forte do que simplesmente gostar… eu acho que… eu acho que eu estava apaixonado por ele.

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Comentários

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tesão gay comentou:

vamos meu autor favorito, mata minha ansiedade por favor.

21/09/2022 21:44
S

Seila comentou:

Quem quiser conversar sobre essa história ou qualquer coisa do tipo, eu estou sempre disponível no aplicativo Wickr me. Podem me chamar, o meu nome lá é raikoua1

21/09/2022 21:44
R

Rluv comentou:

Achei fofo o encontro deles, o lance de mostrar o pinto pra ela kkkk não precisava ser tão seca na comparação kkk Arthur melhor personagem, não tem como. No aguardo para os próximos caps.

21/09/2022 21:44
T

Tesão gay comentou:

Eita pega…esse final bugou tudo

21/09/2022 21:44
N

Nat comentou:

Essa história é muito boa, iniciei a leitura dela em 2016 na AP, nunca havia conseguido saber oq tinha ocorrido na 5 temporada. Espero que o Green esteja bem! Hj dps de 6 anos consegui terminar o livro todo. Muito bom, muitas emoções.

21/09/2022 21:44
R

Rluv comentou:

Caraca essa história era da AP? De lá só lembro da história dos gêmeos Vinícius e Vicente. Queria poder devorar essa história de uma vez só!

21/09/2022 21:44
T

tesão gay comentou:

me passa o link, nem que for pago, adoro historias destes temas, e novamente agradecendo… obrigado greenbok amigo bc.

21/09/2022 21:44
N

Nat comentou:

Sim Rluv, ela é original de lá após o Green ler a história do Cody de Teentales, puder conversar com o Green lá nessa época.

21/09/2022 21:44
T

Tommen comentou:

Certo, todo esse lance da Sarah e do Lucas no bloco leste me pegou de surpresa. Me deu um tesão do caralho kkkkkkkk espero que os próximos saiam amanhã (ou hoje ainda rsrsrs)

21/09/2022 21:44