O menino dos olhos verdes 41 & 42
Depois do almoço, resolvi ir lá no seu Humberto. Afinal, ele é quem tinha me defendido ontem à noite. Atravessei a rua e entrei em sua vendinha. Encontrei ele lá com um olho semi roxo.
― Tio! ― Eu o cumprimentei.
― Luquinha! ― Ele disse feliz ao me ver.
Sentei no banquinho do bar e fiquei observando o que ele estava fazendo.
― Oi… tio… como o senhor está? ― Eu perguntei educadamente.
― Ah, eu? Estou bem, meu anjo… quer dizer… melhor que ontem… e você?
― Ah… olha… desculpa por ontem, tio… ― eu disse.
― Ei! Pode parar por aí… ― Ele disse. ― Você não fez nada de errado, Luquinha.
― É… mas meu pai te bateu por causa de mim…
― Ah… não se preocupe com isso, Lucas… não foi nada…
― Sei… ― eu disse.
― Ele te bateu de novo? Ontem?
― Não…
― Ele fez alguma coisa?
― Não…
― Te ameaçou?
― Não…
― Ameaçou sua mãe?
― Não, tio… nada disso… ele… erm… ele foi embora…
― Sério!? ― Seu Humberto perguntou surpreso.
― É sim… eles… eles se separaram…
― Ah, meu deus… Lucas… eu sinto muito…
― Não sinta. Foi o melhor pra todo mundo.
― Ah, meu deus…
― Tio…? ― Eu o chamei.
― O que?
― É… então… tipo… agora que meu pai foi embora, eu meio que… tipo… precisamos de dinheiro, certo? Então eu estava pensando em… tipo… trabalhar? O que o senhor acha? ― Perguntei buscando aconselhamento.
― Ah… sei… entendo… entendo… e você já tem alguma ideia?
― Então… não… o Rafa disse que tinha algo em mente… mas não conversamos mais sobre isso… e eu tô meio perdido… não sei o que fazer… preciso de ajuda…
― Ah… tá… bem… vamos ver… mas e a escola? Você não tem atividades à tarde?
― Ah… tipo… pior que eu tenho… mas não tenho escolha.
― Isso não vai comprometer seus estudos?
― Talvez… mas eu posso ir para a escola de manhã, trabalhar na parte da tarde e estudar à noite…
― Olha… Lucas… eu confesso que estou precisando de uma ajudinha aqui… olha só… vou te fazer uma proposta e você me fala o que achou, pode ser?
― Tá…
― O que acha de trabalhar aqui comigo? Assim, tipo… eu sei que você tem que se dedicar à escola e não vou ser nenhum chefe chato, mas se você viesse trabalhar aqui comigo, eu poderia te dar… que dias você está ocupado à tarde?
― Quinta e sexta.
― ―
349
― Certo… então… você teria a quinta e a sexta livres para estudar. Aí você poderia me ajudar aqui de segunda à quarta. E eu te pagaria o salário da semana inteira! O que acha?
― Não, tio! De jeito nenhum! O senhor já tem problemas demais! Não vou ser mais um na sua vida!
― Ah, Lucas! Deixa de bobeira! Olha só… eu tenho condições financeiras pra fazer isso, não precisa se preocupar…
Nessa hora eu hesitei. Eu queria dizer não, juro que queria. Mas acho que eu não era honesto e justo o suficiente pra fazer isso. Eu não aceitei a proposta, mas também não recusei.
― Tá… eu vou pensar, tio… só preciso ver com o Rafa o que ele tem em mente… pode ser?
― Claro, Lucas, leve o tempo que precisar, mas pense com carinho, tá? Ia ser legal, nós dois trabalhando aqui, não ia?
― Aham! ― Eu concordei.
― E como foi na escola hoje? ― Ele perguntou.
Comecei a contar meu dia para ele. Que eu tinha me tornado meio que popular, que eu tinha conhecido um monte de gente nova, que o Arthur tinha me dito que eu era o novo cupido da escola, enfim… eu estava contando tudo o que tinha acontecido ontem e hoje, quando duas gargalhadas estrondosas invadiram o recinto.
Imediatamente, olhei para trás e avistei duas figurinhas rindo muito. Uma delas era Matheus e a outra era um garotinho que eu conhecia por jogar bola na quadra da rua debaixo. Os dois entraram na vendinha de seu Humberto rindo.
Matheus estava um tanto quanto suado e sujo e carregava uma bola de futebol em suas mãos. Seus cabelinhos castanhos escuros estavam colados em sua testa e ele estava usando uma camiseta do Corinthians.
Em seu pescoço, uma manchinha cor de um tom mais escuro que a pele. Uma manchinha contendo tantos segredos quanto mentiras. Uma manchinha que havia sido provocada pela minha boca… dois dias atrás.
O garoto que estava com ele estava tão sujo e suado quanto. Ele parecia ter a mesma idade que Matheus. Oito Anos. Talvez um pouco menos. Não dava para saber. Eu só o conhecia de vista, e não sabia como sabia que ele morava na rua 3.
― Ah… oi… você tá aí… ― Matheus disse meio embaraçado ao me ver.
― Ah… oi, Matheus… e oi, erm… ― Eu disse para o garoto.
― Ah… o pessoal me chama de Bola.
Daí o Matheus começou a rir.
― Bola? ― Perguntei para mim mesmo.
― E aí garotos, como foi o futebol? ― Seu Humberto perguntou.
O garoto que se autodenominou Bola tinha a mesma altura que Matheus, só que ele era bem mais magrinho. Matheus tinha uma barriguinha estufadinha de criança, enquanto o tal do Bola parecia possuir um daqueles tanquinhos secos e lisinhos. Ele tinha o cabelo bem curtinho e preto. Tinha a pele morena por causa do sol, mas era branco. E ele também estava com uma janelinha no lugar de um dos caninos.
― Foi legal tio! ― Matheus disse botando a bola suja no balcão e se sentando no banquinho ao meu lado.
― O que tem pra beber aí, tio? ― O tal do Bola perguntou enquanto se sentava no banquinho do balcão também.
― Três latinhas de guaraná para meus três meninos preferidos! ― Seu Humberto disse enquanto tirava três latinhas da geladeira.
― ―
350
― Valeu tio! ― O menino agradeceu. ― E aquela hora que o Bruno chutou o chão? ― Bola disse rindo.
― Hahaha! Foi muito engraçado! ― Matheus concordou rindo. ― E aquela hora que o Pedro fez gol contra?
― Hahaha! ― O garoto riu.
Eu peguei minha latinha de guaraná, abri e tomei um gole. Confesso que me senti estranho com os garotos. Esse novo amigo do Matheus conseguiu me deixar bastante incomodado. Os dois estavam… estavam se divertindo…? Matheus… Matheus estava se divertindo sem mim…? Estava jogando bola e brincando sem mim…
Por um momento eu refleti e percebi que minha tristeza não tinha o afetado. E isso me deixou incomodado. Aquele dia… na casa dele… quando eu tinha gritado com ele, dizendo que coisas ruins acontecem com meninos que gostavam de meninos. Aquilo não o afetou.
Ao invés dele ficar triste, como eu… dele ficar triste comigo… não… ele arrumou outro amigo. Isso me tirou da zona de conforto. Eu não esperava por isso. Eu estava esperando ele vir bater na minha porta e pedir para ficar comigo de novo… aí eu diria que não, pois agora tinha me acertado com o Rafa. E aí ele ficaria triste com isso e eu consolaria o pobre coitado. Um tanto quanto cruel e egoísta da minha parte, mas no fundo, no fundo, era isso que eu gostaria que acontecesse. Era o que meu ego enorme pedia. Aí eu o consolaria e acabaria ficando com ele de novo… usando como justificativa para o meu egoísmo, sua tristeza.
Não tem motivos para mentir… era isso mesmo que eu queria que acontecesse. Sim, eu sei que agora pareço egoísta, mesquinho e arrogante… mas é verdade… prazer, não sou perfeito.
E o que Matheus fez? Me trocou por outro! Arrumou outro melhor amigo. E, embora eu desejasse do fundo do meu coração que isso fosse só um sonho, era hora de admitir para mim mesmo que eu estava com ciúmes. Eu estava com ciúmes do Bola, ou seja lá como essa garoto se chama.
E as mais diversas ideias e pensamentos cruzaram minha mente nesse instante. E se Matheus tivesse introduzido seu amiguinho ao mundo do você sabe o que? E se Matheus estivesse de rolo com esse menino? Será que eles eram mais que amigos? Será que os dois já tinham se beijado? Pior! Será que os dois já tinham batido punheta juntos? Ou pior! Será que os dois já tinham feito um troca-troca? Ou pior ainda! Será que um já tinha chupado o outro? SERÁ QUE ELES JÁ TINHAM… PRA VALER?
Nessa hora, eu fiquei muito confuso. Uma mistura de dúvidas, ciúmes, inveja, prazer, amor, ódio e sei lá mais o que, dominou minha mente e me deixou completamente confuso e desorientado. Eu fiquei muuuuuito triste e decepcionado por saber que eu havia sido trocado por outro. E agora eu estava com ciúmes… ciúmes do Matheus?
Nem do Rafa eu sentia tanto ciúmes assim… talvez porque eu soubesse que ele gostava tanto de mim quanto eu gostava dele. Mas isso que eu estava sentindo agora? Com Matheus? Não… eu nunca tinha sentido isso na vida. Era horrível a sensação de ser trocado por outro e saber que Matheus estava mais feliz agora… mais feliz não só por estar com o Bola, mas também por não estar mais comigo. Isso me despedaçou. Despedaçou meu coração.
― A gente vai lá jogar mais, Matt? ― Bola perguntou.
― Bora! ― Matheus respondeu.
Matt? Matt? Nem eu chamava o Matheus de Matt! E essa intimidade toda? De onde tinha vindo? Cara… como eu gostaria de saber o que estava rolando entre esses dois! Talvez fosse paranoia minha, mas conhecendo o Matheus… era certo que ele tentaria alguma coisa com esse Bola.
― Vem com a gente, Lucas? ― Bola perguntou.
― ―
351
Eu estava olhando para o garoto quando ele me perguntou isso. Caso contrário, eu nem olharia… pois não estava prestando atenção quando ele disse isso. Aí, como eu demorei para perceber que ele estava falando comigo, foi Matheus quem respondeu por mim.
― Ele não pode, Bola… ele tem coisas da escola pra fazer, não é, Lucas? ― Matheus usou a desculpa que eu sempre usava com ele quando não queria brincar.
― Ah… erm… eu? É… sim… sim… desculpa, vou estar ocupado hoje… quem sabe amanhã? ― Respondi um tanto quanto triste.
― Ah… que droga… mas beleza… quem sabe amanhã?
― Quem sabe amanhã… ― eu disse.
― Vamos? ― Matheus chamou o amigo.
E os dois saíram da vendinha do seu Humberto. Acho que até escutei Matheus dizendo para o novo amigo:
― Bora dormir lá em casa hoje?
Mas não cheguei a ouvir a resposta do garoto.
― Está tudo bem, Lucas? Você parece desligado. ― Seu Humberto perguntou.
― Está sim, tio. ― Respondi. ― Preciso ir. Logo, logo o Rafa chega. Vou passar a tarde com ele.
― Ah! Não brinca! Que coisa boa!
― É sim… ― respondi.
Daí me levantei do banquinho e saí da vendinha dizendo:
― Até mais, e obrigado pelo guaraná, tio!
Nesse dia, minutos depois, o pai do Rafa apareceu lá em casa. Ele veio me buscar para me levar para sua casa. O Rafa também veio… ele estava bem animadinho… e sua alegria acabou me contagiando e me proporcionando uma das melhores tardes da minha vida. Não, não nos divertimos daquele jeito, se é o que você está pensando. Tanto Gabriel quanto sua mãe estavam em casa, então… apenas brincamos mesmo. Brincamos como duas crianças felizes. Brincamos como duas crianças de espírito livre. Foi um dia um tanto quanto inocente.
Bem, meu caro leitor, agora chegou a hora de fazermos um pequeno avanço no tempo. Vamos avançar duas semanas. Não que essas duas próximas semanas não tenham sido importantes… muito pelo contrário… foram duas semanas muito importantes na minha vida, na vida da minha mãe, e acho que na vida de todo mundo.
Dois dias depois que meu pai foi embora, ele voltou. Calma, ele não voltou para ficar. Ele apenas apareceu lá em casa de manhã, num horário em que eu não estava em casa ― ele foi bem inteligente nesse sentido, admito ― e conversou com minha mãe sobre os papéis do divórcio.
Quando cheguei em casa nesse dia, até me assustei. Encontrei minha mãe chorando muito. Não, ele não bateu nela. Na verdade, ele não fez nada… só conversou sobre o divórcio mesmo. Mas acho que isso foi demais para minha mãe. Pois, para ela, talvez isso tudo fosse só uma crise que logo voltaria ao normal. Mas quando ele voltou com a intenção de concretizar a separação de vez, ela se deu conta de que tudo era real e estava mesmo acontecendo.
Não foi fácil para ela. Não foi fácil para mim. Nos próximos dias, enfrentamos o tribunal algumas vezes. Confesso que a parte burocrática se desenrolou bem mais simples e rapidamente do que eu esperava. Quanto à minha guarda, além dos juízes sempre darem preferência para as mães, era a última coisa que meu pai queria, era o que minha mãe mais queria e eu ainda acabei declarando que queria ficar com minha mãe, então você imagina o quão fácil foi… demorou tipo cinco minutos para chegarem a um acordo e entregarem a guarda do doce, frágil e inocente Luquinha para sua mamãe.
― ―
352
A parte mais difícil foi definir a pensão. Mais difícil entre aspas, porque foi bem tranquilo também. Não tinha como meu pai fugir disso. Ele sabia, nós sabíamos, todo mundo sabia. Então, para a coisa andar rápido, ele aceitou logo de cara o primeiro acordo que ofereceram. A quantia final foi justa. Justa e razoável. Se eu resolvesse não trabalhar, ainda sim conseguiríamos sobreviver de boa. Isto é, se ele pagasse tudo em dia direitinho, né?
Quanto ao meu trabalho… foram duas semanas bem corridas. Não deu tempo de eu ir atrás disso. Na verdade, eu cheguei a conversar com o Rafa sobre isso. Lembra que ele tinha dito que tinha algo em mente? Pois é… ele me convidou para ir trabalhar na marcenaria do tio dele. Íamos aprender a trabalhar com madeira. Ele queria trabalhar comigo. Aí nós dois passaríamos todos os dias juntos. Tanto de manhã, na escola, quanto à tarde, no trabalho. O salário era bom, o emprego era bom, a companhia era boa… enfim, tinha tudo para dar certo. Fui conversar com seu Humberto a respeito. Eu ouvi calmamente seus conselhos e confesso que foram muito bem embasados.
Ele me aconselhou a não trabalhar esse ano. Tínhamos acabado de entrar em novembro. Final de ano. Época de provas. Exames finais. Logo, logo viriam as festas de fim de ano e não seria interessante eu estar ocupado enchendo os pulmões de serragem e os dedos de farpas. Ele me aconselhou a começar a trabalhar somente no ano seguinte. E, se eu quisesse muito, muito mesmo, era para pelo menos esperar as férias chegarem, para não atrapalhar a escola. Eu concordei. Ainda mais depois do valor gordo definido na pensão. Não faria mal eu ficar três meses ocioso. Apenas não teríamos luxo, mas nunca tivemos mesmo, então…
E, por falar em final de ano e em época de provas, eu estava… qual era a palavra mesmo? Fodido. Sim, eu estava simplesmente fodido. Desde a epidemia, eu não estudei nadica de nada. Nada mesmo. Deixei de entregar várias tarefas, deixei de fazer vários trabalhos, deixei de estudar e até mesmo de estudar para as olimpíadas internas, que, por sinal, estavam chegando e seriam nesse final de ano, no evento que aconteceria no último dia de aula. Todas as minhas notas tinham abaixado, eu tinha pontos negativos de sobra para distribuir para a sala toda, meu boletim parecia um baralho… cheio de notas aleatórias… algumas pretas, outras vermelhas. Até as notas do Rafa estavam melhores que as minhas! Eu precisava dar um jeito nos meus estudos, pois, de acordo com a psicóloga, era a única merda que eu tinha que fazer.
Sim. Me levaram a uma psicóloga. Não foi por mal, nem por vontade nossa… foi por vontade do estado. Depois que terminaram nossos encontros no tribunal, o juiz também fez questão de obrigar a minha mãe a me levar num psicólogo, para “enfrentar e entender as dores do divórcio ”. Ridículo.
Chegando no psicólogo, Doutora Elizabete Lima Garcia, nunca vou me esquecer, a pobre senhora estava esperando um simples caso de estresse infantil pós-divorcio. E o que ela encontrou? Um pré-adolescente de doze anos, introvertido e homossexual, com a vida sexual ativa, sofrendo com a separação dos pais, com sérios problemas financeiros, que tinha sofrido agressão física do pai dias atrás por causa da orientação sexual, que já tinha frequentado um puteiro, que sofria bullying na escola, que tinha tido o cabelo raspado, que estava com um péssimo rendimento escolar, que tinha medo do escuro, que de vez em quando fazia xixi na cama e que era viciado em bater punheta e em jogos eletrônicos, principalmente os que se tem que empilhar blocos aleatoriamente. No final, acabou que meu título ficou maior que o da própria Daenerys Targaryen.
A moça simplesmente não sabia o que dizer para mim. Ficou sem palavras. Acabou que o veredito dela foi que eu precisava dar um jeito nos meus estudos, pois… era a única merda que eu tinha que fazer mesmo! Falar é fácil, minha princesa. Ainda bem que só foram precisas três sessões obrigatórias dessa loucura. Depois disso, eu e minha mãe nunca mais voltamos lá. Existia uma maneira bem mais fácil e eficiente de me tratar… e o nome dela era: uma boa dose
― ―
353
de punheta e jogos eletrônicos, principalmente os que se tem que empilhar blocos aleatoriamente!
Durante essas duas semanas, eu me diverti bastante com o Rafa. Seu pai, o senhor Danilo, sabia o quão bem a companhia do Rafa me fazia. Sério… eu me libertava quando estava na presença dele… e sim, era nítido assim. E por isso o seu Danilo fazia questão de me levar para sua casa sempre que possível, para passar um tempo com o gatinho. Acho que o mesmo acontecia com o Rafa… quando estávamos juntos, ninguém podia com a gente. Por isso frequentei bastante a casa do Rafa nesses últimos dias. Porém, não rolou mais sexo. Vontade não faltou… o que faltou foram oportunidades. Sempre que eu ia na casa do Rafa, tinha alguém lá. Seja a mãe dele, o pai, ou até mesmo um tio. Então era praticamente impossível se trancar no quarto por mais de trinta minutos com ele sem sermos incomodados por pessoas nos oferecendo limonada.
Quanto ao Gabriel, ele ficou apenas mais alguns dias em casa e depois foi embora. Sua semana de folga terminou e ele voltou para São Paulo, para terminar de cursar o segundo ano do ensino médio focado em medicina.
E na escola também era impossível ter um tempo livre com o gatinho. Éramos assediados por todos os cantos. Tínhamos, de fato, nos tornado uns dos garotos mais populares do colégio. Choviam pessoas querendo falar com a gente. Dar aquela fugidinha para o Bloco Leste tinha se tornado impossível.
Eu acabei ficando amigo de várias meninas. Mas a que eu mais conversava era, de longe, Giovanna. Giovanna era uma das meninas mais populares da escola, senão a mais. Eu acho que eu seria a última pessoa no mundo quem ela falaria, se eu não tivesse me tornado popular. Seus amigos eram selecionados a dedo. Seus ficantes eram os meninos mais gatos da escola… sim, a gente conversava sobre isso. E essa nossa intimidade nos fez criar uma grande amizade.
A profecia de Arthur estava se tornando verdade. Choviam interesses tanto quanto choviam amigos. E não demorou nem dez dias para eu formar meu primeiro casal! Sabrina, uma garota da minha sala, me confessou que estava apaixonada por quatro meninos ao mesmo tempo. Um deles era Guilherme. E advinha… Guilherme já tinha vindo falar comigo. Ele tinha me pedido para “ajeitar” a Sabrina para ele. E advinha o que aconteceu no dia seguinte! Bastou eu dizer três palavras para cada um que os dois correram para o Bloco Leste para enfiarem as línguas um na boca do outro.
― Ela também quer. ― Eu disse para Guilherme.
― Ele também quer. ― Eu disse para Sabrina.
E pronto! Virei um Cupido! Era a profecia de Arthur se tornando verdade. Depois disso, formei apenas mais um casal. Mas as garotas não paravam de me contar segredos e os garotos não paravam de me pedir ajuda. Inclusive aquele tal de Maurício, que eu conheci na quadra com Arthur, ele apareceu mais algumas vezes para falar comigo.
E, por falar em Arthur, lembra que ele tinha uma notícia ruim para me dar? Pois bem… ele me contou o que aconteceu com a galerinha do mau. Hermes e Breno foram expulsos da escola. Rebeca não chegou a ser expulsa, mas a diretora intimou seus pais a lhe trocarem de escola. Vicky teve o mesmo destino, foi transferida, mas foi por opção própria. Ela decidiu criar uma consciência e me deixar em paz de vez. Não me pergunte como Arthur descobriu isso, mas ele descobriu. E agora que vem a notícia ruim… quer dizer… não acho que isso vá mudar muita coisa na minha vida, mas… o Caio, o outro amigo do Hermes, aquele garoto que espalhou minhas fotos, ninguém sabe que ele é culpado. Isso não era para ser um problema, pois ele é do nono ano e falta pouco menos que um mês para o termino das aulas. E, como não existe ensino médio na Nova Aliança… estaríamos livres dele para sempre. Porém, Arthur me disse que ele está mal de notas, e que tem pelo menos oitenta por cento de chances de ele repetir de ano. Não que
― ―
354
isso seja um problema também… ele nunca me causou problemas junto com o Hermes, imagina sem!
Enquanto isso, na rua 2, Matheus continuava grudado com seu amigo, o Bola. Não nos falamos mais… só nos cumprimentávamos quando nos víamos na rua. Pensei em ir conversar com ele… só faltou tempo. Mas eu não gostava de olhar para os dois… eles me incomodavam… quem diria que a alegria seria a melhor vingança?
Digo isso porque Matheus estava se vingando de mim com vontade. Sua felicidade estava me incomodando de uma tal maneira que eu nem conseguiria explicar. Não sei como esse garotinho de oito anos conseguia me provocar tantos ciúmes. Só de pensar no que esses dois menininhos poderiam estar fazendo dentro de um quarto de quatro paredes me dava arrepios. A verdade é que Matheus estava melhor sem mim… enquanto eu, estava pior sem ele. Mas e daí? O importante é que eu estava namorando a pessoa que eu mais gostava no mundo! Eu estava tão perdidamente apaixonado pelo Rafa como ele estava por mim. E era só isso que importava.
― Yuuuuuhuuuuuhuuuuul! ― Ele gritou enquanto dava um salto bomba na piscina.
Os respingos de água gelada voaram, brilharam como diamantes expostos ao sol e logo em seguida aterrissaram na minha barriga nua, me fazendo tremer de frio.
Eu e ele estávamos no quintal de sua casa, onde ficava a piscina. Era dia 13 de novembro. Terça-feira. Havíamos combinado de passar a tarde juntos, depois da aula. Seu Danilo me trouxe direto pra cá. E agora, uma hora depois do almoço, resolvemos entrar na piscina e aproveitar o sol e o calor do pré-verão.
Eu estava deitado na espreguiçadeira que ficava ao lado da piscina. Vestindo apenas meu short de nadar, eu estava de boa tomando um sol. Rafa foi mais corajoso que eu ao pular na piscina. A água estava um pouco fria por ainda estarmos na primavera.
― Você não vem? ― Ele perguntou depois que terminou de mergulhar.
― Tá muito fria? ― Perguntei.
― Nem tanto… mas você se acostuma!
― Acho que tô de boa, hein… ― eu disse rindo.
Daí ele saiu da piscina e veio caminhando em minha direção. Dei uma boa secada em seu corpo de menininho de doze anos e fiquei até sem fôlego. Rafa estava com um corpão que só vendo… as gotinhas de água brilharam em seu corpo branquinho e gostoso de menino. Seu shortinho de nadar, bem mais curto que o meu, por sinal, deixava suas coxas de fora e estava colado em seu corpo por causa do vácuo provocado pela água.
Ele veio até mim e eu soltei um gritinho:
― NÃOOOO!
Tarde demais, ele se deitou em cima de mim e me molhou todo… a água estava gelada e me fez tremer dos pés à cabeça. Ele encostou sua barriguinha na minha, segurou meus pulsos e ficou com o rosto a três centímetros do meu.
― Oi… ― ele disse rindo.
Algumas gotinhas se desprenderam das pontinhas louras de seu cabelinho e me atingiram na testa. Não estávamos mais carecas… nossos cabelinhos estavam curtos o suficiente para podermos puxar um topetinho para cima. Não que eu fizesse isso, mas o Rafa se amarrava numa puxadinha para cima. Eu preferia ele de franja, mas eu não tinha de que reclamar… ele ficava lindo de qualquer jeito.
Quando ele disse “oi”, seu hálito invadiu minhas narinas me fazendo ficar tontinho. Esse garoto ainda conseguia me provocar de um jeito sobrenatural.
― ―
355
― Oie… ― eu respondi rindo.
Ele aproximou sua boca da minha e me deu um beijinho. Nessa hora, eu olhei para o lado, mais especificamente para a janela que dava para dentro de sua casa. Eu estava preocupado… vai que tinha alguém olhando… eu não gostava de ficar beijando ele na frente de seus pais… e agora, com ele em cima de mim quase me comendo, nem seria constrangedor se alguém visse essa cena, né?
― Ei… o que você vai fazer esse final de semana? ― Ele perguntou me olhando nos olhos ainda com seu rosto a três centímetros do meu.
― Eu? Ah… acho que nada… por que?
― Dorme aqui em casa? ― Ele me convidou.
― Hahaha… pode ser… só tenho que ver com minha mãe…
― Então sim? ― Ele perguntou rindo.
― Então vou ver… ― Eu respondi cortando o barato dele.
― A gente pode ir no cinema… vai ser a estreia de Animais Fantásticos 2.
― 2? Não assisti nem o 1! ― Eu disse rindo.
― Eita… parece que temos trabalho, então… ― ele disse rindo.
― Tá… pode ser… ― eu concordei.
― E outra… ― ele disse.
― O que foi? ― Perguntei.
― Esse final de semana meus pais não vão estar aqui…
― Aff… tá explicado! ― Eu disse rindo. ― E até parece que vão nos deixar sozinhos em casa…
― Não… mas, se tudo der certo, vão chamar minha prima sonsa pra ficar de babá aqui…
― Sua prima sonsa?
― É… ela provavelmente vai trazer o namorado dela também… e vai ficar bem ocupada com ele…
― Ah é? ― Eu perguntei rindo.
― É… só não vai ficar mais ocupada que a gente…
― Você não vale nada… ― eu disse rindo.
― Não mesmo… vem pra piscina? ― Ele pediu.
― Tá… pode ser… ― Eu disse.
Ele saiu de cima de mim e foi correndo para a piscina, dando outro salto bomba. Eu corri e pulei também. Assim que mergulhei, senti a água gelada em contato com meu corpo.
― Aaaaiiii, caralho! ― Eu gritei de frio assim que botei a cabeça para fora d’água.
― Hahaha… ― Rafa riu.
Daí ele veio nadando até mim. Ele me abraçou por trás, passou as mãos em volta de mim e encostou o nariz no meu pescoço.
― Oi… ― ele disse.
― Oie… ― eu respondi rindo.
Eu me virei para ficar de frente para ele e botei os braços em volta de seu pescoço. Nossos rostos ficaram a dois centímetros de distância. Senti sua respiração quente tocar minha boca. Nossas testas se encostaram e ficamos em silêncio por um momento… até nos beijarmos.
― ―
356
| Episódio 42 ― Chocolate com Morango
Na manhã de sexta-feira, acordei cantando, de tão feliz que eu estava. Tomei um banho rápido e me vesti com o uniforme da Nova Aliança. Demorei pelo menos dez minutos me olhando no espelho e me arrumando, passando perfume, etc. Na hora do café, minha mãe virou para mim e disse:
― Nossa, que alegria toda é essa? ― Ela disse enquanto partia um pedaço de bolo para mim.
― Nada, ué! ― Eu disse sem conseguir esconder o sorriso do rosto.
― Tudo isso é porque você vai lá na casa do Rafael hoje, é? ― Ela perguntou indignada.
― Também… ― Eu disse rindo.
― Nossa, Lucas, você gosta mesmo dele, não é?
― Aham! Muito! ― Eu disse enchendo a boca com bolo de fubá.
― Quem diria… meu filhote cresceu… ― Ela suspirou.
― Mãe… ― Eu disse tentando evitar o momento melodramático.
― Aí… o que foi? Ainda bem que vou ter outro neném… porque esse meu outro já acha que é grandinho!
― Mãe… ― Eu implorei mais uma vez.
― É… ei… filho, eu comprei algumas coisas pra você, tá? Botei na sua mochila… depois você dá uma olhadinha…
― Ah… valeu… o que é? ― Perguntei animado.
Se o dia já não estivesse bom o suficiente, minha mãe ainda tinha me comprado um presente? Nessa hora, eu mais que depressa peguei minha mochila, que estava no chão ao meu lado, e a abri. Quando eu vi o que tinha lá dentro, eu quis morrer. Havia uma sacolinha cheia de camisinhas, um tubinho de lubrificante KY e o pior… um tubinho de pomada Hipoglós. Eu fechei minha mochila como se tivesse um bicho selvagem lá dentro e a joguei no chão.
― MÃEEE! ― Eu gritei inconformado.
― O que foi, filho? Você sabe que tem que se proteger, né?
― Mãe…!!! ― Eu suspirei morrendo de vergonha. ― A gente nem faz isso ainda…
― Não? Pois deviam… quem está perdendo são vocês…
― MÃEEEEEE!!!!
Depois desse momento constrangedor, terminei de tomar meu café e fui para o portão de casa, para esperar a vã da escola. Agora não tínhamos mais carro… meu pai o tinha levado embora… era o carro ou a casa… escolhemos ficar com a casa. Justo para os dois lados. Fui na escolar reclamar sobre a minha situação e a diretora me incluiu na listinha da vã. E, a partir daquele dia, a vã passou a passar em frente à minha casa, para me dar carona. E advinha quem também ia de vã para a escola… sim, Giovanna. Sempre trocávamos mó ideia no trajeto casa-escola.
― Oi, Gi!!! ― Eu a cumprimentei enquanto ela tirava a sua mochila cor-de-rosa do assento ao seu lado, que ela sempre guardava para mim.
― Oi, Lu! ― Ela disse. ― Como tá? Bem?
― Sim! E você? ― Eu disse enquanto me sentava.
― Também…
― E aí… ― eu disse. ― Novidades?
― Não… você?
― Também não…
― Ei, Lu… a galera vai sair hoje… vamos? Você e o Rafa?
― Pra onde vocês vão? ― Perguntei.
― ―
357
― Sabe aquela pizzaria que abriu perto do parque?
― Sei… vocês vão lá?
― Sim… o que acha?
― Legal… quem vai?
― Bom, que eu saiba vai eu… o Murilo… a Poli… a Tina… e os irmãos Castelo.
― O irmão mais novo vai? ― Perguntei.
― Vai.
― Putz… ele é super fofinho… ― Eu disse para ela baixinho.
― E não é? ― Ela concordou rindo. ― E aí… vamos?
― Ah… se fosse outro dia eu até iria, mas hoje não dá… vou sair com o Rafa…
― Ai… que chato você! Vão pra onde?
― Cinema. Vamos assistir aquele filme lá… Animais Fantásticos 2.
― Ah… não vi nem o 1… ― ela disse.
― Nem eu tinha visto! O Rafa me fez assistir essa semana… mas é muito bom… é a continuação daquela saga do Harry Potter… mas na verdade é antes de tudo…
― Eu sei qual é…
― Então… e depois eu vou dormir lá na casa do Rafa…
― Geeente! E vocês pretendem…?
― AHAM! ― Eu disse excitado. Daí nós dois começamos a rir.
― Aí… ser menino é tão mais fácil… ― ela suspirou desapontada.
― E não é? ― Eu concordei.
― É sério… ser menina é o fim do mundo… depois que eu menstruei pela primeira vez eu vivo tendo cólicas…
― Ah… que chato… ― eu disse.
― É… e ficar de TPM é muito estranho… eu acabo ficando nervosa com qualquer coisa… minha mãe disse que são os hormônios… acabam mexendo com a cabeça da gente…
― Eu que o diga! ― Eu disse me lembrando da frequência com que eu tinha que me masturbar por causa dos hormônios…
― Eu que o diga o que, Lucas? Você nem entrou na puberdade ainda! ― Ela me provocou.
― Entrei sim! ― Eu disse na defensiva.
― É nada… tua voz é fininha e você nem deve ter pelo no teu peruzinho!
― EIIII! ― Eu reclamei. ― TENHO SIM! ― Menti. Eu ainda não tinha… graças aos céus, pois isso me assustava de uma maneira que você nem pode imaginar.
― Deixa eu ver sua axila! ― Ela disse levantando meu braço e olhando dentro da minha camiseta.
― Eiiii! ― Eu soltei um gritinho afeminado.
― Tá vendo! Nem engrossar a voz você consegue! ― Ela disse rindo. ― E olha essa tua axila! Parece axila de bebê!
― NÃO É DE BEBÊ! ― Eu reclamei.
― É sim! ― Ela disse e levou o nariz até meu braço.
― E você tem esse seu cheirinho de neném!
― Não tenho cheirinho de neném! ― Eu retruquei.
― Tem sim! Você que não sente!
― Não tenho! ― Reclamei de novo.
Daí ela deu uma apertada na minha bochecha.
― Coisa fofa! ― Ela disse rindo.
― Saí! ― Eu reclamei rindo.
― ―
358
Daí a vã finalmente chegou na escola. Nós descemos e nos despedimos, pois ela iria para o sétimo ano e eu para o sexto.
Chegando no sexto ano, eu encontrei Rafa e Miguel rindo pra caralho e Igor com cara de sério e preocupado.
― O que que tá pegando? ― Eu perguntei quando me aproximei deles.
― HAHAHAHA! LU! VOCÊ TEM QUE OUVIR ESSA! ― Rafa disse rindo.
― HAHAHAHA!!! ― Miguel gargalhava mais ainda.
― O que foi, Igor? ― Eu perguntei preocupado com ele.
― É que… olha, Lu… você pode achar o quão ridículo quiser… mas amanhã eu e Sarah completamos um mês de namoro…
― O que!? Já!? ― Eu disse assustado. ― Parece que foi ontem que vocês ficaram!
― É… então… pois é… é que dia 12 a gente ficou e dia 17 começamos a namorar… aí… amanhã é dia 17 e vai completar um mês certinho…
― Tá… ainda não entendi a graça… ― eu disse confuso.
― Então… aí a Sarah teve uma ideia… ― Igor disse.
Nessa hora, quando ele disse isso, Miguel e Rafa quase se cagaram de tanto rir.
― E que ideia ela teve? ― Eu disse sério, tentando ser gentil e educado com Igor.
― Então… ela meio que… ela meio que queria fazer um encontro duplo… sabe? Eu e ela… você e o Rafa…
Nessa hora, eu não aguentei e quase ri na cara do Igor. Tentei me segurar, mas ainda sim deixei escapar aquele início de risada desrespeitoso… sabe? Quando você segura o riso e saí aquele barulho escroto e mal-educado? Quando eu fiz isso, Rafa e Miguel quase mijaram nas calças, de tanto rir. Igor suspirou decepcionado.
― Não! ― Eu disse segurando meu riso. ― Desculpa, Igor… eu fui um grosso… ― eu disse me desculpando seriamente. ― Olha… eu e o Rafa achamos que é uma ótima ideia e aceitamos o convite! ― Eu disse sendo gentil.
― Aceitamos? ― Rafa perguntou desesperado. Nessa hora, Rafa parou de rir e me olhou confuso. Miguel riu da reação do Rafa.
― Te fode, troxa! ― Miguel riu apontando o dedo pra cara do Rafa.
― Sim, aceitamos, Fefél… ― eu disse para o Rafa. ― A final, daqui uns dias também faremos dois meses de namoro, se lembra?
― Ah… porra… verdade… ― ele disse sem graça.
― Dia 22 de setembro? Primavera? Se lembra? ― Eu disse para ele, para refrescar sua memória. ― Tá chegando…
― É… tá… tá… você tem razão… ― Ele disse mais sem graça ainda.
Miguel não economizava na gargalhada.
― Então… podemos sair amanhã? ― Igor perguntou.
― Sim, Igor… depois nós combinamos o horário e o local direitinho! ― Eu disse gentilmente.
― Tá… beleza… valeu, Lu! ― Ele agradeceu.
― Nada… ― eu disse educadamente. Miguel ainda ria do Rafa.
A aula de ciências começou. A professora entrou na sala dizendo:
― Bom dia, sexto ano! Corrigi as provas de vocês! No geral, a turma foi muito bem! Estou orgulhosa de vocês!
Daí ela fez a chamada e começou a distribuir as provas.
― Leonardo.
― Lucas.
― ―
359
Quando ela me chamou, me levantei da carteira e caminhei em direção a sua mesa. Eu lembro dessa prova… pelo que eu me recordo, eu tinha feito tudo… fechado a prova… acho que tinha tirado 10.
― Lucas, o que houve com você nessa prova? ― Ela perguntou.
Quando olhei minha prova, tinha um 3 bem grande escrito de caneta vermelha. Nessa hora, eu quis chorar… mas me segurei. Comecei a tremer e peguei minha prova das mãos dela.
― Você achou a prova difícil? ― Ela perguntou.
Eu fiz que não com a cabeça.
― Foi falta de atenção?
Eu fiz que sim com a cabeça.
― Olha, tenta prestar mais atenção na próxima, tá…? Eu sei que você é um bom aluno.
Eu fiz que sim com a cabeça e voltei para o meu lugar. O Rafa me olhou preocupado e perguntou:
― Tirou quanto? ― Ele perguntou tentando olhar minha prova.
― Três… ― respondi triste e chateado.
― TRÊS!?!? ― Ele perguntou assustado.
― Rafael. ― A professora chamou.
O Rafa foi lá buscar sua prova e, quando ele voltou, tinha tirado um 8. Depois disso, a aula passou normalmente até a hora do recreio.
Quando saímos da sala, Rafa me olhou e disse:
― Lu… preciso ir ali na cantina rapidinho… vamos pra quadra depois? ― Ele me convidou.
― Vamos… e eu preciso falar com o Arthur antes. ― Eu respondi.
― Tá… depois a gente se encontra lá, então…
Eu concordei e fui atrás do Arthur. O primeiro lugar em que eu pensei procurar, foi no sétimo ano. Fui até a porta do sétimo e olhei lá dentro… mas só tinham algumas poucas pessoas… e nenhuma delas era Arthur… foi quando eu tomei um baita susto.
― OLHOS VERDES! ― Alguém gritou na minha orelha atrás de mim.
― Puta que me pariu, porra! ― Eu xinguei quando olhei para trás e vi Arthur rindo.
― Fiquei sabendo que você estava me procurando… ― Ele disse.
― Aff… você ainda vai me matar do coração, Arthur… sim… precisava falar com você… bora lá na quadra? ― Eu o convidei.
― Tá… pode ser…
Fomos até a quadra e subimos a arquibancada, como o usual. Daí olhei para Arthur e disse:
― Então… o que eu queria falar é que… eu meio que… tipo… preciso de ajuda…
― Estou ouvindo… ― ele disse.
― Minha professora entregou as notas de ciência hoje…
― Ah… da prova que você tirou 3?
― Porra! Sim! Você é assustador às vezes… sabia? Onde foi que você ouviu isso?
― Gustavo…?
― Ah! Aquele fofoqueiro filho da mãe! ― Xinguei.
― Pois é… então… você precisa de mim pra que?
― Então… me ajuda? ― Eu pedi.
― A que? ― Ele perguntou.
― A estudar! Preciso recuperar esse 3! Mesmo se eu tirar 10 na próxima prova, ainda fico com 6,5 de média…
― E como faço isso? ― Ele perguntou.
― ―
360
― Você sabe ciências? ― Perguntei.
― Olhos Verdes… seus olhos são verdes? Não faça perguntas obvias…
― Aff… porra… enfim… então… pode me ajudar?
― A que? Você não fala!
― Já disse! Me ensina ciências!
― Tá… pode ser! Quando é sua prova?
― Segunda… não nessa, na próxima.
― Hum… tá… pode ser… quer estudar esse final de semana, já? ― Ele convidou.
― Não posso… ― respondi timidamente.
― Por que? ― Ele perguntou.
― Tenho compromisso…
― Rafael? ― Ele tentou adivinhar.
― Não… claro que não! ― Menti. Daí ele me olhou torto. ― Tá! Sim! Sim! Rafael! Eu já sei! Se eu ficar namorando ao invés de estudar, eu vou me foder! Tá! Não precisa ficar esfregando isso na minha cara! Tá, eu sei que sou um irresponsável! E eu também sei que estamos em época de provas e não é hora de brincar… não precisa esfregar na minha cara, Arthur!
― Mas eu nem disse nada!
― Mas pensou! E para de me julgar!
― Não tô te julgando!
― Enfim! Podemos começar segunda? Por favor! Por favor!
― Você quem sabe, Olhos Verdes… quem tá precisando de nota é você…
― Tá! Segunda, então. Posso ir na sua casa?
― Você quem sabe, Olhos Verdes…
― Beleza…
Depois de mais um minuto, o Rafa apareceu na quadra. Ele subiu a arquibancada e se juntou a nós.
― Qual é, Arthur! ― Rafa o cumprimentou e apertou sua mão. ― Oi… ― ele disse pra mim e veio me dar um selinho.
― Oi… ― eu respondi.
Daí ele se sentou do meu ladinho. Arthur estava no degrau de baixo, mas estava sentado de forma que estava virado para nós. Aí ele ficou meio sem graça quando viu o Rafa se esfregando em mim e olhou para o lado.
― Tudo em cima para o cinema hoje? ― Perguntei.
― Sim… você vai almoçar lá em casa, né? ― Ele perguntou.
― Aham… eu até trouxe minhas coisas na mochila… aí daqui eu já vou pra sua casa, depois vamos para o futebol, depois voltamos para sua casa e depois vamos para cinema… né? Sua mãe concordou de eu ir dormir lá?
― Sim! E, como previsto, ela chamou a minha prima sonsa pra ficar de babá! ― Ele disse rindo.
― Vão ver que filme? ― Arthur perguntou tentando socializar e cortar a nossa melação.
― Animais Fantásticos 2. ― Respondi.
― Ah… já li os livros… e, pra variar, o livro é bem melhor que o filme… ― Arthur disse. ― No final do 2, o Scamander…
― AAAAAHHH! ― Rafa soltou um grito antes que o Arthur desse algum spoiler sobre o final do filme. ― Sem spoilers, por favor, Arthur!
― Ah… não era spoiler! Só ia dizer que, no final do 2, o Scamander…
― ―
361
― AAAAAAHHH! Quietinho, Arthur! Por tudo que é mais sagrado! Quietinho! ― Rafa pediu.
― Aff… que seja! ― Arthur reclamou.
― Enfim! ― Rafa disse.
― Quer ir com a gente no cinema, Arthur? ― Convidei por educação.
Nessa hora, o Rafa me olhou com uma cara de “Sério? Você está mesmo fazendo isso?”.
― Não… não vou segurar vela de ninguém… ― Arthur recusou educadamente. ― Quando vocês quiserem ir na amizade, me chamem… ― Ele disse rindo.
Pelo menos ele era coerente o suficiente para entender que eu o tinha convidado por educação e ele tinha que recusar. Rafa ficou mais tranquilo quando ele recusou. Já pensou se ele aceita?
― Mas dormir na casa do Rafa, eu aceito! ― Arthur disse brincando.
Todo mundo viu que o Arthur estava apenas brincando, mas o Rafa resolveu sacaneá-lo.
― Ah… então do sexo você quer participar, né? Seu pervertido!
― O QUE? NÃO! EU? NÃO! NÃO! QUER DIZER! NÃO FOI ISSO QUE EU…
Foi engraçado ver o Arthur se enrolando todo. Ele ficou vermelho de vergonha.
― Ele tá brincando, Arthur… ― eu disse tentando acalmar o garoto. ― Nem fazemos isso…
― Não? ― Rafa me perguntou ironicamente. ― Por que faz quatro dias que eu não bato punheta… se não for rolar, me fala que eu vou agora no banheiro resolver isso!
Nessa hora, me deu aquela vergonha alheia… porque o Rafa fazia isso, meu senhor? Ele não tinha um pingo de pudor na cara…
― Faz quanto tempo que você não bate uma, Lu? ― Rafa perguntou pra mim.
Aff… sério que ele estava me perguntando isso na frente do Arthur? Sério?
― Sei lá, porra…! ― Respondi rindo. ― Acho que faz uns quatro dias também… ― Menti. Só ontem à noite, eu tinha me masturbado pelo menos umas duas vezes. Uma no banho e outra antes de dormir… mas não tinha como falar isso na frente do Arthur!
― E você, Arthur… ― Rafa perguntou com uma vozinha safada. ― Quando foi a última vez que você bateu uma punhetinha?
Nessa hora, Arthur ficou mais vermelho ainda… aí ele começou a rir.
― Hein? ― Rafa perguntou.
― Me dá um tempo, Rafael! ― Arthur reclamou.
― Fala! O que foi? Não precisa ficar com vergonha! Nós três somos meninos! Todo mundo faz isso, de vez em quando! Hein, quando foi a última vez que você bateu uma? ― Rafa insistiu.
― Porra! ― Arthur reclamou rindo para esconder o desconforto.
― Hein? Foi ontem? ― Rafa perguntou. ― Hein? Foi ontem? Só me fala se foi ontem ou não!
― Rafael! ― Arthur tentou se esquivar.
― Hein! Foi ontem? Só fala sim ou não… ― Rafa insistiu mais ainda.
― Então… as olimpíadas estão chegando… ― Arthur tentou desviar o assunto.
― Hein, Arthur, você bateu uma ontem? ― Rafa perguntou novamente.
― Não, seu chato! ― Arthur reclamou rindo.
― Fala a verdade! Hein! Arthur! Você bateu uma ontem, não bateu? Olha essa sua carinha de mentiroso! Hein! Fala!
― Sim, porra! Bati uma ontem, porra! Feliz? ― Arthur confessou.
Nessa hora, eu fiquei de pau duro só de imaginar o Arthur batendo punheta ontem…
― ―
362
― Eu sabia! ― Rafa disse rindo. ― Punheteiro! ― Ele zoou o Arthur.
Arthur estava um moranguinho, de tão vermelho… e ele não parava de rir… ele ria por estar nervoso conversando sobre isso. Daí bateu aquele silêncio constrangedor e nós três olhamos para a quadra.
― Ei… Arthur… você que é um garoto inteligente, pode ajudar eu e o Lucas a resolvermos um problema que está nos incomodando faz tempo? ― Rafa disse. Eu fiquei curioso para ver o que ele ia falar.
― Problema? Sim, claro, qual é? ― Arthur respondeu.
― É que tipo… eu e o Lucas estávamos discutindo quem beija melhor… mas tipo… meio que assim não dá pra saber… você pode beijar a gente e depois dizer quem beija melhor? Só de curiosidade mesmo… curiosidade de cientista…
Nessa hora, eu comecei a rir da idiotice do Rafa… não sei porque eu ainda achei que fosse sair alguma coisa boa daquela boca quando ele começou a falar…
― Vai cagar, Rafael! ― Arthur disse rindo. ― Já disse que não sou que nem vocês. Meu lance é com meninas!
― E desde quando isso é um problema? ― Rafa perguntou rindo.
― Deixa ele Rafa… ― Eu tentei fazer o Rafa parar. ― Ele só não quer perder o BV com a gente…
Nessa hora, o sorriso do Arthur sumiu e ele ficou sem graça. Acho que eu tinha acabado de fazer merda… talvez Arthur tivesse vergonha disso e não queria que ninguém soubesse… e pra quem eu fui contar o segredo dele? Bem para o Rafa… o pegador mestre… se alguém fosse zoar o Arthur por ser boca-virgem, esse alguém seria o Rafa…
― Você ainda é BV? ― Rafa perguntou. Dito e feito. Eu realmente tinha feito merda.
Arthur, entristecido, fez que sim com a cabeça e olhou para baixo.
― Precisamos resolver isso… ― Rafa disse. ― Você quer fazer ou eu faço, Lu? ― Rafa perguntou pra mim rindo.
Eu fiz que não com a cabeça e fiz cara de sério, dando sinal para o Rafa de que era hora de parar. Ele percebeu o que estava acontecendo e ficou sem graça.
― Ah… Arthur… é brincadeira, pô… não leva para o lado pessoal não… poxa… desculpa… fiquei mal, agora… ― Rafa disse.
― Relaxa… ― Arthur disse. ― Não se preocupe comigo. ― Ele riu forçadamente.
Rafa olhou para mim sem saber o que fazer, esperando que eu tomasse alguma atitude.
― Vamos para a sala? Daqui a pouco vai bater o sinal… ― eu disse.
Daí nós três nos levantamos e eu fiz sinal para o Rafa ir na frente. Ele entendeu meu sinal, inventou uma desculpa e disse:
― Ah… eu esqueci que preciso ir falar com o Igor… ― Aí ele foi na frente.
Quando ele saiu de cena, eu olhei para Arthur e disse:
― Erm… ei… Arthur… desculpa por…
― Ah… não se preocupe… não foi nada mesmo…
― Foi sim! Não era meu segredo para contar!
― Segredo? Que segredo! Isso não é segredo nenhum! ― Arthur disse triste. ― Todo mundo sabe disso…
― Poxa… fiquei mal, agora… ― eu disse. ― Posso falar te uma coisa? Como seu amigo?
Ele me olhou em silêncio.
― Olha só… eu te acho muito fofo… tô falando como amigo… você sabe disso, né? Você é lindo… qualquer garota que te beijasse, teria sorte… mas eu acho que o único problema é que você nunca pediu pra ficar com ninguém… só isso… ― tentei consolá-lo.
― O que você sabe, Lucas?
― ―
363
Fiquei mal quando ele me chamou de Lucas ao invés de Olhos Verdes.
― Já pedi sim e tomei um não bem grande na cara.
― Arthur…
― Mas não vai se repetir de novo!
― Quem foi?
Nesse instante, o sinal tocou.
― Não quero falar sobre isso, Olhos Verdes… vamos andando… a aula já vai começar.
Ele virou as costas e saiu andando. Ah… Arthur… o que foi que eu fiz? Depois disso, a aula seguiu tranquilamente até a hora da saída.
Hoje era sexta-feira. Dia de futebol. Como combinado, fui almoçar na casa do Rafa. Hoje seus pais iam viajar para São Paulo para um evento que ia acontecer na escola do Gabriel. Não cheguei a ouvir detalhes, mas acho que ia acontecer tipo uma apresentação dos trabalhos do ano… algo assim… enfim…
Eles conversaram com a gente, explicaram que íamos ficar em casa com a Carol, mais conhecida como prima sonsa do Rafa, também deram dinheiro para o cinema, para a pipoca, para a pizza e um dinheiro extra caso acontecesse alguma… foram muitos dinheiros… enfim…
Eles explicaram que, quando a gente voltasse do futebol, eles já não estariam mais aqui, então se despediram de nós e pediram incontáveis vezes para termos juízo. Esses pais de hoje em dia! Acham que só porque dois namoradinhos vão passar o final de semana em casa, sozinhos, vão fazer sexo! Isso é um absurdo!
Enfim… eles nos deixaram no futebol, se despediram novamente, a mãe do Rafa lhe deu incontáveis beijos no rosto, e eles finalmente foram embora.
Hoje, o treino no futebol foi um tanto quanto individual. O treinador nos dividiu em equipes de três jogadores e, para cada trio, aplicou um treinamento diferente. Eu não caí no grupo do Rafa… fiquei com outros dois garotos. Meu treino foi bem tranquilo… alguns chutes para o gol… alguns alongamentos… já o treino do Rafa… tadinho… deu dó… acho que ele nunca correu tanto na vida. O treinador pegou pesado com eles três.
Quando o treino acabou, o treinador Dias ainda foi falar com os três. Eu estava observando de longe e ele estava de costas para mim, então não consegui fazer leitura labial para saber o que ele estava falando. Só sei que os dois garotos começaram a pular de alegria, enquanto o Rafa só soltou um sorrisinho sem graça e se retirou. Ele veio em minha direção e tentou disfarçar a tristeza.
― O que foi? ― Perguntei.
― Nada… ― Ele disse.
― Fala…
― Podemos falar sobre isso outra hora? ― Ele pediu.
― Fefél… ― Eu insisti.
― Por favor! ― Ele pediu mais uma vez.
― Tá… que seja.
― Não vamos estragar o dia por pouca coisa…
― Mas você tá bem?
― Tô.
― Jura?
― Juro.
― Tá… vou confiar em você. ― Eu disse e ele fez que sim com a cabeça. ― Vamos lá nos trocar?
― Bora…
― ―
364
Nós dois caminhamos até a casinha onde ficava o vestiário e, quando eu fui entrar, uma mãozinha me segurou. Eu olhei para trás e o Rafa estava sorrindo.
― Vem cá! ― Ele me chamou enquanto me puxava para a porta do lado.
― Não, gatinho! Somos meninos! ― Eu disse quando entendi o que ele queria fazer.
― E daí? Vem logo!
Daí ele me levou para dentro do vestiário feminino.
― Ei… erm… Rafa… ― Eu me enrolei pensando num jeito de como dizer isso. ― Eu não acho que… eu ainda não vejo nós como… ei… tipo… olha… não sei você, mas eu ainda me sinto menino… eu meio que gosto de ser menino, sabe? Então olha… se você se sente menina… eu não me importo… sabe?
― Do que você está falando? ― Ele me perguntou confuso.
― Ah… nada.
― Eu te trouxe aqui porque não tem nenhuma menina aqui hoje! Esse vestiário está vazio…
― Ah… sim… foi o que eu pensei! ― Eu disse feliz por estar errado. Imagina se o Rafa resolvesse frequentar banheiros femininos agora… só porque ele gosta de meninos… ia ser o fim do mundo…
Daí ele começou a olhar os boxes, para ver se estavam vazios, processo de segurança padrão. E eu, pra variar, já fiquei duro.
― Ei! Gatinho! Você não está pensando em…
― Só vem! ― Ele disse pegando no meu pulso e me puxando pra dentro de um box vazio.
Ele se sentou em cima de um vaso fechado e me puxou para cima dele. Eu me sentei em seu colo e coloquei as mãos em seus ombros. Deu para sentir sua ereção me tocar… seu corpo estava quente por causa do sol. Olhei ele nos olhos e disse:
― Cadê sua prima? Ela não vem buscar a gente?
― Vem… deve estar chegando a qualquer momento…
Ele disse enfiando suas mãos dentro da minha camiseta. Eu agarrei seu pescoço e ataquei sua boca. Senti os cabelinhos molhados de sua nuca. Ele estava todo suado por causa do treino. Enfiei minha língua naquela boca gostosa dele e nós começamos a nos beijar intensamente.
Fui até seu pescoço e caí de boca. Comecei a chupar e me deliciar com o gostinho de sua pele. Estava um pouco salgadinha, por causa do suor, mas eu não me importei nenhum pouco com isso.
― Ah… ― Ele suspirou de prazer.
Ele me abraçou mais forte enquanto passava as mãos por todo meu corpo. Se eu pudesse, eu arrancava nossas roupas e levava ele para o chão agora mesmo… mas tínhamos que ir embora.
Terminei de dar aquela lambida deliciosa no pescoço dele e disse:
― Temos que ir…
― Nãoooo… ― Ele choramingou.
― Vamos nos guardar pra mais tarde… ― Sugeri.
― Nãooo… quero agora… ― Ele choramingou de novo.
Eu me levantei do seu colo e me ajoelhei no chão do banheiro, na frente dele. Daí agarrei seu shortinho curto do uniforme do futebol e puxei junto com a sua cueca até seus joelhos. Sua ereçãozinha apontava para cima. Eu aproximei meu rosto de sua virilha e dei aquela cheiradinha. Seu cheiro de menino estava mais forte que o normal. Daí eu segurei seu pintinho e dei uma única chupadinha rápida. Ele se contorceu de prazer.
― ―
365
― Aahh… faz de novo… ― ele implorou enquanto seu pintinho latejava de excitação.
― Só mais uma vez… ― eu disse.
Dei outra chupadinha nele, só que dessa vez um pouquinho mais demorada. Senti um gostinho de pré-porra invadir minha boca. Como ele estava para gozar, parei de chupá-lo e o fiz vestir seu shortinho novamente.
― Bora, gatinho… sua prima já deve ter chegado!
Eu disse me levantando do chão do banheiro.
― Aff… ― ele reclamou, mas sabia que era verdade.
Nós dois nos arrumamos rapidamente e saímos do vestiário. Fomos até a saída do campinho e a prima do Rafa já estava lá… acompanhada de um cara que parecia ser seu namorado. Nem preciso dizer que era uma garota loira, né? Pois é…
― Oiiii! Rafael! ― Ela exclamou quando nos viu chegando.
― Oi Carol… ― ele disse quando se aproximou dela. ― Só não vou te beijar porque eu tô suado…
― Tá! ― Ela disse. ― Oii… e você é o Lucas, né?
― Sim, sou eu! ― Eu disse estendendo a mão gentilmente. Ela me cumprimentou.
― Já ouvi muito sobre você… ― ela disse e minhas bochechas ficaram vermelhas.
Depois eu estendi a mão para o cara que estava com ela.
― Esse daqui é o Rodrigo… ele é meu namorado. ― Ela disse.
― E aí, meninos… ― O cara disse.
Carol devia ter uns vinte e três anos. Ela era branquinha, tinha um corpão sarado, cabelos longos e loiros claros, mais claros que os do Rafa, e era bem simpática. O namorado dela, Rodrigo, era um cara bem forte… ele tinha músculos enormes, seu braço esquerdo era tatuado, ele usava um alargador na orelha esquerda, tinha cabelos curtos e usava uma barbinha bem aparada… mas parecia ser simpático também…
― Então vamos? ― Ela disse.
Nós quatro entramos no carro e, durante o caminho campinho-casa, eu e o Rafa fomos em silêncio. O casal tagarelava mais que tudo, mas eu e o Rafa não tínhamos muito o que discutir… assim que chegamos na casa dele, ele combinou com a Carol nossa carona para o cinema. Acontece que, ficamos de tomar banho, nos arrumarmos e sairmos para o shopping.
Carol ficou na cozinha, com o namorado dela, enquanto eu e o Rafa subimos as escadas para o seu quarto. Assim que entramos, o Rafa fechou a porta e passou a chave na tranca.
No próximo segundo, fui atacado por um pré-adolescente de doze anos enlouquecido de tesão. Ele me agarrou pela cintura, meteu a boca no meu pescoço e foi me empurrando em direção a cama. Eu passei minhas mãos em volta do seu pescoço e agarrei seus finos cabelinhos dourados.
Nós dois caímos na cama. Ambos estávamos com o uniformezinho do futebol. Eu caí por baixo e ele ficou por cima. Daí ele começou a passar a mão na minha coxa enquanto trocávamos saliva loucamente num beijo delicioso. Enquanto nos beijávamos, fui tirando minha chuteira. Eu enfiei a mão no seu shortinho curto e senti sua bunda carnuda.
No próximo segundo, estávamos ambos pelados rolando na cama desesperadamente. Seu corpo ainda estava meio grudento por causa do suor, mas isso só deixou a coisa mais gostosa.
Fazia uma eternidade que nós não nos experimentávamos assim. A última vez que tínhamos feito sexo satisfatoriamente tinha sido aquele dia, na chácara, com Gabriel.
― Ah… Rafinha… ― eu disse o nome dele em voz alta.
― ―
366
Ficamos nos pegando pelados na cama por uns cinco minutos. Ora a gente se beijava, ora a gente se chupava. Estávamos ambos maluquinhos de tesão quando senti uma aguinha quente brotar entre nossos corpos.
― Ah… porra… ― Rafa disse enquanto recuperava o fôlego. ― Caralho… isso foi bom…
― Gozou? ― Perguntei.
― Sim… droga… foi sem querer… ― Ele disse enquanto respirava aliviado. ― Você não? ― Ele perguntou.
― Ainda não…
― Vamos resolver isso… então…
Ele estava por cima e eu por baixo. Nossos corpos estavam colados e nossas bocas estavam a um centímetro de distância. Ele exalava sua respiração quente em cima de mim. Olhávamos olhos nos olhos. Ele tinha gozado e tinha deixado minha virilha toda melecada de porra… não que eu me importasse… muito pelo contrário…
Daí ele se levantou e engatinhou para trás até ficar com o rosto bem pertinho do meu pinto, que estava todo melecado com sua própria porra, por sinal. E aí ele caiu de boca…
Quando aquela boquinha quente e úmida começou a me chupar, eu saí da terra… estava muito bom… eu estava muito excitado… fui parar em outro mundo… aquela boquinha quente de menino subia e descia enquanto se deliciava com o meu gosto. Olhei para ele e ele estava todo entretido e ocupado. Não aguentei, fechei os olhos e joguei minha cabeça para trás. Daí aproveitei todo prazer que o orgasmo podia proporcionar ao meu corpo.
Me contorci de prazer na cama enquanto sentia minha porra encher a boca do gatinho. Ele foi engolindo tudo à medida que eu ia gozando. Nunca tinha me sentido tão bem na vida.
Aí foi minha vez de recuperar o fôlego e de respirar aliviado. Ele continuou me chupando até eu pedir para ele parar.
― Ei… gatinho… chega… chega… já deu… ― Eu disse quando não conseguia mais aguentar a sensibilidade.
Ele soltou meu pintinho, ainda duro e melecado e veio se deitar ao meu lado.
― Porra… isso foi bom… ― eu disse.
― Estava com saudades… ― ele disse.
― Eu também… ― concordei dando um abraço nele.
― Vamos tomar banho? ― Ele me convidou.
― Vamos… ― eu concordei.
Nós dois fomos para debaixo do chuveiro do banheiro dele. Ligamos a água no quente e dividimos a ducha. Foi divertido tomar banho com ele. Até brincamos um pouquinho de futebol com o sabonete. Claro que eu acabei chutando a canela dele e fiquei morrendo de dó depois, mas fora isso, foi bem legal.
Depois do banho, saímos enrolados cada um em uma toalha. Nos enxugamos e vestimos nossas cuecas. Daí ele se deitou na cama.
― Que foi? ― Perguntei. ― Tá com preguiça?
― Aham… muita! ― Ele disse rindo.
― Tá carente? ― Perguntei rindo.
― Tô!
― Quer um cafuné?
― Quero! ― Ele disse fazendo voz fofa.
Vesti minhas calças jeans e fui me deitar com ele. Nós dois nos acomodamos na cama de conchinha e eu encostei meu nariz em suas costas. Agora ele estava cheirosinho. Cheirava a sabonete e a menino. Melhor cheiro do mundo.
― Huum! Que cheirinho bom… ― eu disse em voz alta, ele riu.
― ―
367
Ele se virou pra mim e disse:
― Lu…
― Oi…? ― Eu perguntei tímido olhando para seus lábios.
― Se fosse pra você me definir em uma única palavra… ― ele disse me olhando nos olhos.
― Sim…?
― Que palavra seria?
― Eita… ― eu disse. ― Não sei… preciso pensar… ― Eu disse e fiquei em silêncio por alguns segundos olhando para sua boquinha fina. ― Talvez… especial…? Não sei… talvez atencioso… carinhoso… não sei… acho que é muito difícil te definir em uma única palavra… precisaria escrever um livro pra definir você…
Ele riu da minha resposta.
― E você? Como me definiria em uma única palavra? ― Perguntei.
― Ah… essa é fácil… gostoso!
Aí eu comecei a rir. Não sei porque ainda fiquei surpreso com a resposta dele. Ele tinha feito todo esse melodrama só pra fazer uma única piada… esse era o gatinho… como definir uma coisa dessas?
― Ah é? ― Eu disse. ― Se é assim, eu tenho a palavra perfeita pra te definir…
― Ah é? ― Ele disse. ― E que palavra seria essa? ― Ele perguntou esperando que eu dissesse lindo, ou gostoso, ou delícia, ou algo do gênero…
― Pervertido! ― Eu disse rindo.
Ele começou a rir também.
― Vamos nos trocar logo! Daqui a pouco já é hora do filme…
Depois disso, nos levantamos, nos arrumamos, e descemos até a sala. Carol estava lá assistindo televisão com o namorado dela, no sofá. Rafa disse que estava quase na hora do filme e ela nos levou até o cinema.
O cinema estava meio lotadinho por conta de ser a estreia do filme, mas eu e o Rafa já tínhamos comprado os ingressos pela internet. Só tivemos que pegar a fila da comida.
― Você já comeu nachos com cheddar? ― Ele perguntou.
― Não… é bom?
― É tipo… a melhor coisa do mundo! Vou comprar pra gente!
Na nossa vez de pedir, Rafa pediu uma porção grande de nachos banhados a cheddar e dois copos de guaraná de 1 litro cada. Exagerado… mas era só sua fome de adolescente atlético em desenvolvimento falando.
Depois que compramos as comidas, fomos para o cinema. Nossas poltronas eram lá no fundão… bem no escurinho do canto… perfeito pra rolar um namorico, se o cinema não estivesse tão lotado…
― Nossa… que porra gostosa! ― Eu disse quando experimentei o meu primeiro nachos com cheddar.
― Não disse? Ei… tá sujo aqui…
Ele limpou o canto da minha boca com o polegar e depois lambeu o cheddar que ficou no seu dedo. Eu sorri.
― Ei… Lu… ― Ele disse.
― Oi…?
― Sobre as olimpíadas internas…
― Sim… o que tem?
― Então… você sabe que, depois que acontecem os jogos atléticos e as competições de conhecimento, tem o…
― ―
368
― O Baile? ― Perguntei.
― Sim… é… exatamente isso… o baile de formatura do nono ano…
― Sim… o que tem?
― É… você… tipo… tudo bem se você não quiser, mas… tipo… você iria comigo?
― Sério? Tá me convidando pra ir ao baile contigo? ― Eu disse rindo.
― Sim… é que tipo… eu fui ano passado e… foi bem legal… até… sabe?
― Tá… tudo bem… a gente pode ir…
― Tá… ― ele disse.
― Quem você levou ano passado? ― Perguntei.
― Ah… é… pois é… então…
― Então o que? Quem foi? ― Perguntei curioso.
― Fui com a Ana Julia…
― A Ana Ju? Da nossa sala?
― Sim…
― Sério? Você já pegou ela?
― Não! Não peguei! Tipo… eu tinha que chamar alguém, certo? Chamei ela… no baile só dei um selinho nela… e ela queria dançar… mas eu não sabia dançar… aí tipo… acabou que nem ficamos muito juntos… ela ficou mais com as meninas e eu fiquei mais com os meninos…
― Hum… entendi… e foi legal?
― Demais! Foi muito foda…
― Ah… que legal… vamos sim…
― Tá… e você tem terno?
― Terno? Terno, terno?
― É… terno…
― Não… e você?
― Tenho um, mas acho que não serve mais… qualquer coisa a gente vai alugar um, juntos…
― Pode ser… ― Eu disse.
Nessa hora, os trailers começaram a ser exibidos.
― Ei… Lu… ― Ele disse.
― Oi…?
― Sabe aquela hora que eu fui na cantina… hoje de manhã…?
― Sim… o que tem?
― Olha o que eu comprei pra gente…
Ele levou a mão ao bolso e retirou duas barrinhas de chocolate com morango. Sim… aquele mesmo chocolate com morango que ele me presenteava todo dia no começo do semestre… nosso chocolatezinho especial… o símbolo do nosso amorzinho… awnt… quase morri de amor nessa hora… como podia o meu Rafinha ser tão meigo e atencioso desse jeito?
― Awnt… gatinho… você é um fofo…
― Eu sei… ― ele disse rindo.
Mas logo sua risada graciosa tinha se transformado num sorriso tímido e sutil. Ele me olhou e eu olhei pra ele. Nós nos aproximamos e colamos nossas bocas num beijinho doce e inocente.
― Te amo. ― Eu disse baixinho… era exatamente o que eu estava sentindo.
― Também te amo. ― Ele disse como resposta.
O filme começou, terminamos de comer nossos nachos com cheddar, depois comemos nosso chocolate e depois tomamos um litro de refri cada um. O filme foi muito divertido e interessante. Assistimos ele todo de mãos dadas… e eu ainda apoiei minha cabeça no ombro
― ―
369
dele… nós nem nos importávamos com as pessoas que estavam a nossa volta… nem as conhecíamos mesmo…
Quando o filme terminou, a prima do Rafa já estava esperando a gente sair. Voltamos para a casa e compramos pizza no caminho.
Quando chegamos em casa, a Carol e o namorado dela foram direto pra sala, para assistirem filme juntos, enquanto eu e o Rafa pegamos duas caixas de pizza e subimos para o quarto.
― Vai ligando a televisão aí que eu vou buscar prato e copo pra gente! ― Ele disse enquanto colocava as caixas de pizza na sua escrivaninha.
Eu peguei o controle da TV e comecei a passar os canais, para procurar algum legal. Discovery Channel, Fox, Warner Bros, HBO, Cartoon Network, Nickelodeon, Disney e por fim botei na Disney XD.
Daí eu me sentei na cama dele para assistir. Segundos depois, ele apareceu com pratos, talheres, copos e uma garrafa de refri.
― Pronto! ― Ele disse botando tudo na mesinha. ― Vai pegando aí que eu vou me trocar… ― Ele disse enquanto retirava sua camiseta polo, ficando só de calça jeans e tênis.
― Okay… ― Eu disse para mim mesmo.
Me servi dois pedaços de pizza de frango com catupiry e disse:
― Vai querer do que?
― Ah… bota qualquer uma… tanto faz…
Servi dois pedaços de frango para ele também. Depois botei refri pra gente e, quando terminei, fui abraçado por trás.
Ele passou as mãos em volta da minha barriga e encostou seus dentinhos no meu pescoço. Ele tinha vestido seu pijaminha azul claro composto por um shortinho minúsculo e uma camisetinha cavada.
― Botei de frango… tá bom? ― Perguntei.
― Tá sim… ― Ele disse me dando uma mordidinha no pescoço que me fez arrepiar todo.
― Aqui…
Eu peguei um dos pratos e dei para ele. Nós dois fomos comer em cima da cama enquanto assistíamos à Disney XD. Sentamos coladinhos na cama de solteiro dele enquanto nos deliciávamos com comida.
― Ei… Lu… ― Ele disse.
― Oi…?
― É… então… como posso te dizer isso? Tipo… é… assim… todo ano… minha família meio que viaja no final do ano… sabe?
― Toda sua família quem? ― Perguntei enquanto dava uma garfada na pizza.
― Eu, meu pai, minha mãe e o Gabriel.
― Ah… tá… é que você disse toda sua família, eu pensei que fosse tooooda sua família…
― Ah… não… não… só nós quatro mesmo…
― Tá… e o que tem?
― Então… e essas nossas viagens em geral são bem demoradas…
― Bem demoradas quanto?
― Então… já fizemos viagens que demoraram só uma semana, mas também já fizemos viagens que demoraram dois meses… como quando fomos esquiar em Bariloche…
― Você já viu neve?
― Já…
― Caraaaaaaa! Que foda!
― ―
370
― Sim… mas é mais sem graça do que se parece… tipo… é só gelo em pó… e você fica com muuuuito frio… tipo muito…
― Imagino…
― Então… aí nesse ano… tipo… nós meio que… também vamos viajar… sabe?
Ah… porra… agora eu tinha entendido aonde ele queria chegar… ele viajaria com a família esse ano também… nas férias… provavelmente por muito tempo… ficaríamos longe por muito tempo… ah cara… que chato…
― Ah… entendo… ― eu disse chateado. ― Que legal… maneiro… vão pra onde?
― Então… esse ano é quase certo que vamos para o nordeste. Talvez Porto de Galinhas.
― Isso é uma cidade?
― É sim… em Pernambuco.
― Hahaha… nunca ouvi falar…
― Pois é… mas é uma cidade turística legal… sabe?
― Imagino… deve ser mesmo… maneiro…
― Então…
― É…
― Sabia que o Gabriel começou a namorar? Eu cheguei a te falar isso? ― Ele me perguntou.
― Jura? Não… você não me falou não…
― Pois é… ele começou a namorar a Juliana…
― Namoro a distância? ― Perguntei.
― Sim… tipo isso… eles ficaram aqui mais algumas vezes, depois que ele nos levou pra chácara, sabe?
― Aham…
― Então… aí parece que deu muito certo entre os dois e eles começaram a namorar…
― Nossa, que bom para o Gabriel, não é?
― Sim…
― Legal… fiquei feliz por ele. ― Eu disse.
― É… eu também… então…
― Então…
― Então…
― É… então… ― Eu disse.
― Tá… então… ― Aí nós começamos a rir. ― Tá… aí tipo… o Gabriel meio que… meio que convidou a namorada dele pra ir viajar com a gente… sabe?
― Tá falando sério? ― Eu disse surpreso.
― Aham… tipo… ele conversou com meus pais… perguntou se poderia levar ela… e eles deixaram…
― Nossa… ― eu disse.
― Pois é… aí eu disse assim pra eles…
― Não, Rafa… você não fez isso…
― Fiz! Eu perguntei se poderia te levar também…
― Aff! Não, menino! Eu não posso!
― Mas eles não arrumaram argumento pra não deixar! Já tinham deixado a namorada do Gabriel, não tinha motivo pra não deixar você ir também… eles gostam de você!
― Mas eu nem tenho dinheiro pra isso, Rafa!
― Tá… eu falei isso pra eles… eles disseram que não se importariam em pagar! Lu, eles gostam de você…
― Rafa! Não posso aceitar! É demais!
― ―
371
― Por favor!
― Seus pais têm problemas! Como assim eles deixam você me levar e ainda querem pagar tudo?
― Eles disseram que só podem te levar se sua mãe estiver de acordo! Ou seja…
― Eiii! Não posso aceitar, Rafa!
― E por que não?
― Porque eu não posso te dar um presente do mesmo tamanho em troca!
― Você não precisa me dar presente nenhum! Você sabe que eu não me importo com isso e que para eles não vai fazer diferença te levar ou não! Só teremos que pagar hotel e comida, pois a passagem de avião a gente já vai ganhar da companhia aérea… de graça!
― Avião? ― Eu disse já com o estomago embrulhado.
― Sim… achou que a gente ia para o nordeste a pé?
― Não… eu só não tinha pensado nisso…
― O que foi… então?
― É que… eu nunca andei de avião antes…
― Sério?
― Sim…
― Ah… pra tudo se tem a primeira vez… eu acho…
― Mesmo assim… uma viagem é demais, Rafa…
― Demais por que? Olha… não temos que gastar com passagem… quanto ao hotel… um quarto de três pessoas custa quase a mesma coisa que um quarto de duas… então tipo… se formos em quatro ou em seis, os gastos serão praticamente os mesmos… entende? Só teremos que gastar com comida, com você… e isso não é nada…
― Não posso…
― Lu… por favor! Por mim! Promete que vai pensar a respeito?
― Não, Rafa! Não posso ir!
― Promete! Vai… por favor!
― Não posso!
― Por mim!
― Tá! Eu vou pensar… mas eu vou dar mó trabalhão para os seus pais…
― Não vai! Acredita em mim! Eles gostam de você!
― Caralho, Rafa… isso é dar um passo muito grande… você sabe né?
― Eu sei… e estou pronto. Você está?
― Não sei…
― Por favor, Lu! Promete que vai pensar…
― Tá… eu penso a respeito…
― Obaaaa! ― Ele disse pulando em cima de mim…
Quase deixei meu prato de pizza cair no chão… botei ele na cama e abracei o Rafa. Ele tinha subido em cima de mim e estava me abraçando.
― Obrigado! Obrigado! Obrigado! Obrigado! ― Ele dizia.
― Ei… gatinho… eu só disse que vou pensar a respeito…
― Tá… fique à vontade pra mentir pra si mesmo… pra mim você já aceitou!
― Filho da mãe! ― Eu o xinguei brincando.
Depois disso, terminamos de comer, assistimos mais um pouco de TV, levamos as coisas lá para baixo, voltamos para o quarto dele, eu botei meu pijama e nós dois escovamos nossos dentes. Nisso já era quase uma da manhã.
― ―
372
Voltamos a ligar a TV num filminho monótono que estava passando na Fox e nos deitamos na sua cama para assistir. Eu me deitei de ladinho e abracei seu corpo, colocando minha cabeça no seu ombro.
Estávamos assistindo o filme de boa, daí eu comecei a passar a mão em seu peito. Eu olhei para ele e ele me olhou de volta. Seus olhos azuis me transmitiam calma, paz e serenidade. Daí eu olhei para sua boquinha.
Seus lábios eram fininhos, macios e gostosos como só os lábios de um menininho sabiam ser. No próximo instante, estávamos nos beijando com a maior calma do mundo.
Dessa vez, foi minha vez de ficar por cima. Eu subi em cima dele e percebi logo de cara que ele estava durinho.
― E sua prima? ― Perguntei.
― Ela não vai subir nunca…
Daí voltei a beijá-lo. E nosso beijo calmo começou a se transformar numa coisa mais quente. Algumas mordidinhas aqui, algumas lambidinhas ali, e logo já estávamos ambos sem roupa rolando na cama desesperadamente.
Senti-lo era tão bom. Entramos debaixo das cobertas, no quentinho da noite, e nos amamos sem nenhuma restrição… e assim fizemos, três vezes, até pegarmos de vez no sono e dormir.
⏩ O melhor site de desenhos animados pornô do 🇧🇷, HQs eróticas🔥
👁️ 0 visualizações