25 de fevereiro de 2026
Estava com preguiça esse eu escrevi com auxílio da ia… sorry…
Tô vivo. Isso é o máximo que consigo dizer hoje sem mentir.
O fim de semana me passou um trator por cima. Corpo ainda carregando o rastro, uma fadiga que não respeita sono, respiração que de vez em quando trava numa coisa esquisita que não é falta de ar mas também não é normal. A mente ficou ontem num loop sujo — tudo que não veio, tudo que foi prometido e nunca chegou, esforço jogado no vácuo, solução entregue do jeito certo e criticada depois como se eu tivesse errado alguma coisa. Aquela sensação específica de trabalhar pra construir algo que vai engrandecer todo mundo menos você.
Hoje acordei um degrau acima do fundo. Não é muito, mas é mensurável.
O que restou de funcional: o pagamento cai no dia certo, resolve o mínimo e deixa quase nada depois das contas obrigatórias. Trabalho o necessário. Não é equilíbrio, não é liberdade conquistada — é o que sobra quando você para de se entregar pra quem não entrega nada de volta. Quando falta no fim do mês, peço ajuda da família. Detesto. Mas o orgulho que resta não paga boleto, então engulo e sigo.
A oportunidade na outra cidade ainda não confirmou. A espera tá me comendo de um jeito específico — ansiedade que não grita, só aperta devagar. Se vier, saio com aviso adequado, recebo o que é devido e não olho pra trás nenhuma vez. Se não vier, registro aqui: mais uma porta que bateu na cara, exatamente no estilo que já conheço bem demais.
Toquei violino pra ensaiar o casamento de sábado. Saiu passável — passável é a palavra honesta, não é modéstia falsa. Entrada dos padrinhos em loop, marcha clássica, peça emotiva pra noiva, saída curta e repete. Prometi esses momentos, então entrego esses momentos. Zero cachê, favor de amigo de amigo de amigo, e o que é curioso é que nem raiva eu sinto — só o vazio tranquilo de quem sabe que tá cumprindo uma obrigação que virou obrigação antes mesmo de começar. Se rolar conversa com alguém interessante, fico. Se não, saio com o estojo no ombro sem cerimônia, sem buffet, sem despedida longa.
Depois disso o violino volta a ser meu. Ou fica parado até fazer sentido de verdade. Forçar por nada, pra não decepcionar quem não vai nem lembrar do meu nome semana que vem, tá custando mais do que aparenta.
Lembrei hoje de uma história de família antiga, uma cadeia de coincidências absurdas que a maioria das pessoas que esteve no meio nunca soube. Pelo menos aquilo teve graça. Alguma coisa precisava ter.
A tarde foi piscina, Apolo, gatos, jogo no celular. Sem culpa. Amanhã tem reunião rápida pra passar o bastão de algo que criei e que vai seguir sem mim — que é talvez a imagem mais precisa de tudo que tá acontecendo agora.
Não está tudo bem. Mas dizer isso em voz alta, sem tentar arrumar ou justificar, já é mais honesto do que a maioria das coisas que tenho feito nos últimos meses.
É o que tem pra hoje.
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