Mulher de amigo meu, eu como...
Mulher de amigo meu, eu como...
By: Nandinho
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João, acabara de sair do ducha. - A água quente, que em jactos finos batera-lhe violenta e incessantemente no corpo, agira como uma autêntica massagem, retemperando-lhe as forças e a boa disposição. De certa forma, para além da rotina diária que o banho para si sempre representava, - naquele começo de noite - muito especialmente - não tinha sido só a higiene que o motivara, mas também a premente necessidade de conseguir um relaxamento físico. Efectivamente, aquele tinha sido um dia extenuante preenchido por duas importantes reuniões com clientes estrangeiros, acabando por conseguir - mercê do seu poder de persuasão - estabelecer dois contratos de fornecimentos com duas das mais importantes cadeias de lojas internacionais abrindo-lhe as portas para um aumento quase explosivo da sua produção industrial. - Embora extremamente satisfeito com os resultados alcançados, a verdade, é que aquela tenção o tinha deixado extenuado, desejoso, por isso, de escapar a todo aquele "stress" e gozar o resto do dia, longe do escritório e dos seus problemas, que, pese embora as chatices e cansaços, representava uma parte importante da sua fonte de rendimentos, logo, do seu desafogo económico, merecendo por isso que lhe dedicasse toda a sua atenção. Enquanto se enxugava, esfregando-se vigorosamente com uma toalha turca no meio da bruma gerada pelo vapor, ia pensando nas alternativas que tinha para essa noite. - Sentar-se a ler um bom livro? - talvez! - Ou quem sabe, ver um pouco de televisão, confortavelmente sentado, descansando preguiçosamente, depois de toda aquela fastidiosa labuta...?! - Umh! essa ideia não era também para menosprezar, até porque, passaria um bom filme no canal 4 que tinha interesse em rever... Em frente ao espelho, penteando-se, ponderava pensativamente os prós e os contra das alternativas, as quais, francamente, não o satisfaziam totalmente, deixando-o indeciso e numa certa apatia que augurava uma noite de preguiça. Subitamente e num assomo de inspiração, bateu com a mão na testa murmurando: - «Oh diabo!...porque é que eu não me lembrei antes disto...? » - para logo decidir: - «Opimo! é isso mesmo!» - disse para consigo - ... « uma volta pelos hotéis e tentar "caçar" alguma "ovelha" tresmalhada, que ande esfomeada à procura de "alimento"!» - «Brilhante ideia!» - murmurou. - «É disso mesmo que estou a precisar para sair desta letargia... » Totalmente decidido, e já com um sorriso alegre e enigmático estampado na cara, foi-se vestir. - Era uma noite quente de verão; - olhando o relógio que marcava as 22 horas, pensou, esfregando as mãos com satisfação: - « Esta é mesmo a hora ideal para arrancar! - Ah! como é bom estar vivo e ter força e vida para goza-la! » - para depois, com uma gargalhada bem disposta, rematar com humor: - «muito especialmente quando o gozo é esse maravilhoso manjar dos Deuses que dá pelo nome de mulher!...» José, estava na casa dos trinta e cinco anos, intensamente vividos, mercê das muitas mulheres que passavam como meteoros pela sua vida de certa forma aventurosa e atribulada, as quais, eram por assim dizer quase seleccionadas a dedo, por Facilmente as encontrar, - como frutas maduras pedindo para serem colhidas, - nas suas "caçadas" nocturnas pelos hotéis e discotecas da cidade. Porque para elas o interesse principal era o sexo e o relacionamento aventuroso que isso lhes proporcionava fazendo-as alienar-se do quotidiano inexpressivo e fútil que levavam durante todo o ano, não manifestavam, geralmente, qualquer exigência afectiva, a não ser a do momento presente, insinuando-se e acedendo por isso com bastante ligeireza às investidas romanescas de José. - Assim, muitas mulheres das mais diferentes profissões e posições sociais, desde médicas a donas de casa, passando por administrativas, advogadas, professoras e por aí além, tinham já sucumbido irresistivelmente ao seu jogo de sedução há muito estudado e testado, acabando, quase sempre, por caírem nas suas artimanhas e no seu charme em devaneios loucos e nada ortodoxos que acabava, contudo, por fazer a delicia de todas elas. Extremamente bem parecido, de estatura mediana, tipo latino, olhos negros, "transpirando" virilidade por todos os poros, possuía, para além disso, algo de provocante na sua forma de agir que ponha as mulheres em transe atraindo-as como moscas ao mel. De porte distinto, vestia-se sobriamente com roupas de qualidade e de bom gosto, comportando-se sempre com espontaneidade e sem qualquer afectação, dominando com todo o à-vontade as situações mesmo as mais perigosas ou caricatas. Depois de uma última olhadela ao espelho e satisfeito com o que nele viu reflectido, encaminhou-se assobiando descontraidamente para a garagem, entrando no seu BMW negro, topo de gama, que arrancou pouco depois com um potente ruído de motor em direcção à cidade. Conduzindo pelas ruas que começavam já a diminuir a intensidade de tráfego, dirigiu-se para a zona hoteleira, ouvindo distraidamente através do leitor de "compact disc" a orquestra ligeira de João Tadeu executando - "quando uma mulher quer, o limite é o céu - ao mesmo tempo que olhava displicentemente o movimento de pessoas nos passeios, sorteando mentalmente um dos muitos lugares a que chamava irónicamente o seu território de caça. Depois de uma série de voltas esperando que a luzinha da inspiração se acendesse, decidiu-se repentinamente pelo "Princess Hotel", e porque já estava praticamente sobre a entrada, guinou subitamente sem mesmo fazer "pisca" para o parque privativo, estacionando e saindo agilmente do carro, demonstrando toda a sua pujança e plena forma física, enquanto usava instintivamente o controle de infravermelhos para trancar as portas e os vidros. A apresentação, - ou melhor - o impacto inicial que a sua figura pudesse criar na mulher seleccionada, seria determinante para a sua conquista ou recusa; - por isso, maquinalmente, e na tentativa vã de controlar os seus cabelos revoltos, passou ambas as mãos lateralmente pela cabeça penteando-se com os dedos, ajeitou melhor o nó da gravata, dirigindo-se a passos elásticos e decididos para o enorme hall do hotel, um 5 estrelas moderno e luxuoso de arquitectura futurista onde os grandes espaços predominavam, fazendo-nos supor que mesmo no seu interior nos encontrávamos em pleno céu aberto rodeados pelos verdes das plantas que caiam em corriolas , algumas delas, desde o topo dos seus 15 andares, encimado por uma cúpula de vidro. Com um sorriso de agradecimento ao porteiro que delicadamente o cumprimentou abrindo-lhe a porta, entrou para o interior, dando uma mirada descontraída por toda a zona da recepção, tentando visualizar alguma "ovelhinha" perdida e sem pastor que fosse do seu agrado pessoal, vendo muitas, mas infelizmente para o seu apetite devorador, algumas delas já com o prazo de validade ultrapassado, e, outras, bem comestíveis por sinal, infelizmente, com o seu "canibal" demasiado perto para que pudesse tentar de alguma forma candidatar-se também a "meter-lhes o dente". Encolhendo os ombros resignado depois daquela infrutífera deambulação, dirigiu-se calmamente para um dos elevadores, entrando e carregando no botão que indicava o último andar. - O pequeno habitáculo, totalmente envidraçado, que como nave extraterrestre subia numa aparente vagarosidade pelo exterior do arranha-céus, deixava-o sempre maravilhado com a magnifica vista nocturna da cidade que ganhava novas nuanças, devido à constante mudança de altitude. O sinal acústico da paragem e a abertura da porta, fê-lo voltar à realidade. - Saindo para um largo corredor, encaminhou-se para a boate, a qual, decorada num estilo vanguardista onde predominavam os tons escuros contrastando com uma série de esculturas humanas em tamanho natural totalmente brancas, dava-nos a sensação de estarmos caminhando através de um túnel, a caminho do Olimpo. - A iluminação, do mesmo tipo inovador, com miriades de pequenas lâmpadas, que saiam do tecto como se fosse constelações a brilhar num céu negro, projectava uma luz difusa, fazendo todo o salão mergulhar numa penumbra quase irreal. - Era sem sombra de dúvida, um lugar extremamente aprazível e desconcertante, que valia a pena conhecer. - Ao centro, num pequeno palco rotativo, um pianista dedilhava uma música suave e melodiosa, dando um toque especial de requinte e intimidade a todo aquele ambiente nostálgico. À entrada do salão, José parou adaptando a vista às diferenças contrastantes de iluminação. Perfeitamente à-vontade naquele ambiente, e também profundo conhecedor do local, rodou lentamente sobre os calcanhares e como se fosse um radar, deu um varrimento visual e superficial ao salão, acabando por escolher uma mesa colocada estrategicamente que lhe possibilitava controlar discretamente as pessoas que iam entrando. Já sentado, e com a vista completamente adaptada à penumbra, mirou mais atentamente em seu redor, entretendo-se a avaliar, como sempre fazia, aquela miscelânea de gentes das mais variadas raças e nacionalidades, que qual colmeia, produziam um zumbido surdo, devido às tagarelices a meia voz e aos risos que ecoavam um pouco por toda a parte. Poder-se-ia dizer com alguma propriedade, que lá encontrava-se praticamente de tudo: - desde "veados" à procura de macho, até "fufas" à procura de fêmeas, passando por novos e velhos, ou velhas e novas, tentando cada um encontrar a sua quota parte de emoção. - A maioria contudo, eram casais já a descer a "estrada da vida", que sonhavam ainda gozar da melhor maneira e com bastante animação o seu crepúsculo. - Algumas outras, sozinhas, para as quais os "verdes anos" não passavam também já de uma nostálgica recordação, procuravam "sangue novo" que lhes pudesse aquecer as longas noites de solidão, fazendo-as acreditar, mesmo que momentaneamente que a frescura da juventude e o poder de sedução, ainda não as tinham abandonado. - Em todo este "leque", existia também algumas raparigas, bastante jovens, que pelo seu comportamento ingénuo, tentavam certamente realizar os seus sonhos de adolescentes procurando o seu príncipe encantado mesmo que isso somente as transformasse em princesas por um dia..., enquanto que alguns rapazes imberbes, encetavam no meio de algum aparato os seus primeiros passos na senda dos "conquistadores", bebendo e fumando em gestos ostensivos, quase teatrais, como a quererem demonstrar a sua maioridade e veteraniedade naquelas andanças. - Sobrepondo-se a tudo isto podia-se ainda pressentir os "gaviões" profissionais, machos e fêmeas, que "planando" sobre toda aquela turba, procuravam encontrar "fregueses" dispostos a pagarem bem por uma noite de efémera ilusão... Independentemente do prazer de uma bebida ou de um pedaço agradável de convívio que certamente muitas das pessoas, ali, somente buscavam, a boate, era sem dúvida como um imenso parque de ilusões, onde uma maioria, procurava encontrar algo de diferente que as fizesse alhearem-se dum quotidiano de marasmo, quase sempre cinzento nas suas opacas vidas. Nessa deambulação visual, muito parecida ao de um experiente predador procurando calma e conscenciosamente a sua presa, chamou-lhe subitamente a atenção para um casal que tinha surgido à entrada. Ele, na casa dos trinta e muitos, com cerca de 1,60cm de altura, cara redonda de bonacheirão e corpo a jogar bastante para o flácido, disfarçava habilmente o excesso de gordura com um fato escuro convencional de muito bom corte e uma camisa imaculadamente branca que rematada por uma gravata italiana de seda pura com matizes de azuis e verdes formava um conjunto extremamente mundano e agradável; - Ela, na casa dos trinta, bastante mais alta, - altura que se acentuava ainda mais pelos sapatos negros de tacão alto que ajudava a realçar-lhe as magnificas e esguias pernas quase à mostra, cobertas somente por umas collants transparentes da mesma cor e por um vestido de noite de um negro brilhante, bastante justo e curto, não conseguindo nem certamente pretendendo as esconder, modelando pelo contrário, quase como uma segunda pele, um corpo extraordinário, capaz de fazer crescer agua na boca até dum morto, e, que como um íman, atraía de imediato as atenções dos demais; - Como se tudo isto não chegasse, o conjunto era ainda rematado por uma cara linda e sensual, de tipo rectangular, aonde se salientavam uns grandes olhos verdes, extraordinariamente expressivos, e, uns cabelos cor castanho ouro, ligeiramente ondulados que lhe caiam sobre os ombros e que com a incidência dos jactos de luz resplandeciam como seda. Parados no hall, parecendo ponderar onde se iriam sentar, pois as mesas àquela hora já estavam quase todas ocupadas, momentaneamente, os olhos da mulher e de José entrecruzaram-se. - A insistência do olhar dele fê-la cochichar algo no ouvido do marido, fazendo que este, por sua vez, olhasse para onde José se encontrava, assentindo com um ligeiro aceno de cabeça e encaminhando-se depois com alguma dificuldade na sua direcção. Contornando uma série de mesas que os fazia andar em ziguezagues, foram-se aproximando até chegar junto a José que os seguira sempre atentamente com um olhar de predador, admirando extasiado o porte e o andar felino da mulher: - « Boa Noite! - desculpe se o incomodamos, mas como vê as mesas estão praticamente cheias! - vê algum inconveniente em que eu e minha mulher nos sentemos na sua mesa?» - perguntou o homem polidamente. « Claro que não! - Tenho nisso aliás, o máximo prazer!» - respondeu José simpaticamente levantando-se de imediato e ajeitando cortesmente uma cadeira para a senhora se sentar. O casal com um sorriso de agradecimento acomodou-se, falando alguns instantes entre si em voz baixa, acabando logo depois, com bastante à vontade por estenderem a conversa a José, que cordialmente se apresentou, o que foi secundado por eles. Pela apresentação, ficaram a saber que ele, José, era empresário, solteiro, vivendo praticamente só, numa herdade que possuía no campo; - gostava da aventura e do insólito, mas sobretudo de travar novos conhecimentos e criar também novas amizades. Eles, eram casados, ambos deputados no parlamento Espanhol, - pormenor que José só soube muito depois - estando a desfrutar incógnitos - como sempre o faziam - alguns dias de férias. Gostavam da sensação da velocidade, especialmente motorizada e de conhecer novos locais, - hobbys a que se dedicavam sempre que podiam - tentando gozar durante esses dias de ócio, uma vida sem amarras e sem condicionalismos sociais, de uma forma completamente diferente àquela a que eram forçados a viver onde residiam e trabalhavam. Ele chamava-se Garcia, era engenheiro técnico de automóveis, sendo o director-geral duma importante empresa estatal, e, por sistema, uma pessoa pouco expansiva mas espirituosa e delicada naquilo que dizia, gostando mais - ao contrário da maioria dos políticos - de ouvir, do que de falar. Ela, Tânia, era praticamente o oposto do marido; extremamente bem disposta e expansiva, com uma vitalidade fulgurante, falava e ria sem inibições, demonstrando bem todo o entusiasmo que ponha na vida, que repartia entre a política e o seu trabalho profissional, - de que muito gostava - pois para além de deputada era também bióloga chefe num grande laboratório Espanhol. A aventura sempre a tinha fascinado e por isso as suas grandes paixões, para além da biologia, eram os automóveis potentes, tendo sido exactamente por isso que tinha conhecido há dez anos atrás o marido, por altura dum rali de Monte Carlo. Muito embora a conversa, - como quase todas entre desconhecidos, - tivesse começado de uma forma quase protocolar, a verdade, é que aos poucos a mesma foi-se transformando, já que todos eles eram não só bons conversadores, como também, bastante sociáveis e de fácil relacionamento. Por isso, não foi de estranhar, que o convívio se tornasse rapidamente numa cavaqueira agradável e até com halos de uma certa intimidade, de tal forma, que passada uma hora, o relacionamento era tão descontraído, que pareciam quase conhecidos de longa data. Garcia, embrenhado no que ouvia e quase sem dar por isso, estava aos poucos emborcando uma quantidade substancial de whiskys - velhos que tomava seco só com gelo, que não sendo nele habitual, manifestamente estavam já a corroer-lhe a sua fleuma ao estilo britânico, provocando-lhe um verdadeiro estado de euforia e desnibição, bem ao jeito dos latinos. Este comportamento anormal não passou despercebido à mulher, até porque o marido começava a tornar-se um pedaço maçador e peguento, pelo que resolveu chamar-lhe já um tanto chateada a atenção para o Facto, conseguindo com isso, que ele a contragosto reduzisse drasticamente a quantidade dos "drinks", não evitando contudo, que o álcool que anteriormente ingerira, continuasse a sua rota de colisão a caminho do cérebro, deteriorando gradualmente o seu habitual comportamento passivo e bonacheirão. De Facto, pouco habituado àqueles excessos, Garcia, sentia-se como se fosse o centro do mundo, agarrando-se insistentemente com viscosidade aos braços de José e da mulher, insistindo de um modo obsessivo para lhe prestarem atenção, pois, com a cabeça alterada como estava, a sua necessidade mais premente era lhes contar a sua vida e os seus desejos mais íntimos, pondo todos os seus segredos em dia, como se dessas confidências dependesse a sua salvação eterna. Com voz empastada e denotando já todos os sinais de embriaguez, fez um sinal de vem cá com a mão para que os dois se debruçassem para ele, confidenciando-lhes arrastadamente: «Hei José! ... pssst... oiça-me!... porra!, oiça-me !!!, ... oiça-me porque vale a pena!... - você pode não acreditar... mas o que lhe vou contar é a verdade, só a verdade e nada mais que a verdade...! - acho que o meu casamento está a ir pela sanita abaixo, talvez porque o amor, infelizmente, é como a chama do fósforo: - só dura enquanto houver pau... - e o meu pau ou já está faltando, ou anda com muita humidade... - Acredite! - a minha mulher, (esta querida, - este pedaço de febra - boa como o milho, que está aqui ao nosso lado), é louca para a malandrice, embora não goste de dar a perceber; - é tão louca que se eu lhe fizesse a vontade ao corpo, teria que lhe mergulhar o pirilau no poço pelo menos três vezes ao dia, sem contar com os extraordinários , - entende o que eu quero dizer?... não entende? » - perguntava com voz empastelada piscando um olho num gesto cúmplice, - « mas isso era se eu quisesse ou pudesse ... percebeu?...» Parou um pouco como a recobrar alento, continuando depois no mesmo secretismo e com a mesma insistência:: - «... Ainda bem que eu só gosto desse "prato" lá de vez em quando e espaçado bem de mês a mês, porque senão esta "gaja" matava-me!.. podes ter a certeza, meu amigo, que ela ponha-me só em pele e osso e sem me poder aguentar mais nas "canetas"... - O que eu realmente gosto e que ela nunca adivinhou, nem lhe passou mesmo que levemente pela cabeça, é uma outra coisa completamente diferente e que me tem transtornado estes anos todos; - por isso prefiro que ela me deixe dormir em paz e sossego, sonhando com os meus devaneios, porque para "monta-la" já não tenho agilidade, e, a verdade, é que já estou me sentindo velho demais para dominar éguas que tomam o freio nos dentes!» Depois de um curto silêncio, e perante as expressões de incredulidade dos dois devido ao rumo que a conversa ia tomando, arreganhou a cara num sorriso idiotizado, que tentava ser espirituoso: - «Olha José! o sacana do inglês é que tem razão quando diz:... " o sexo é algo de incomodo, que nos obriga a trabalhar em posições extravagantes, com consequências que podem ser às vezes desastrosas... - Ah! Ah! Ah (ihp)! esta é boa? não é?....» Pelos vistos, parecia que as confidências ainda não tinham acabado, pois, de seguida, debruçando ainda mais o corpo sobre a mesa, e olhando manhosamente de través para um lado e para o outro, pretendendo certamente se certificar que ninguém mais o ouvia - desconfiado, como aliás é peculiar a todos os bêbados, - colocou o dedo indicador espetado à frente dos lábios unidos em bico, como a dizer que o assunto era algo da maior confidencialidade; - de dedo indicador no ar, aproximando vacilantemente a cara dos dois e lançando-lhes na Face um hálito forte a álcool, prosseguiu quase a choramingar numa voz baixa e soluçante: - «Agora ... vou confessar a vocês, o meu segredo, aquilo que eu verdadeiramente anseio! - é uma coisa que eu nunca disse a ninguém! - perceberam?.. - isto tem que ficar somente entre nós os três, porque senão é uma grande merda!» - fez mais um compasso de espera, tentando recobrar o fôlego e talvez aguçar-lhes a curiosidade, continuando cada vez mais arrastadamente como se estivesse aos poucos sendo acometido pela gaguez: - « O que eu... que eu gosto mesmo...e que pode salvar o nosso casamento, porque isso satisfaria não só a minha maior ambição, como seria a felicidade dela (embora ela vá dizer pudicamente logo que não) - era ver minha mulher, esta minha querida e adorada mulher, a ser "comida", por um gajo, estilo goooorila,.. ou então, e ainda melhor, por dois ao mesmo tempo, fazendo com ela uma sandes, como se os dois gajos fossem o pão e ela o conduto, que é como quem diz: - a febra! - Poooorra! que só de pensar falta-me o ar e começo a ter arrepios!» - dizia, respirando entrecortadamente, enquanto esfregava vigorosamente os braços, continuando sem perder o fio à meada: - « enquanto eu, sentado descansadamente num sofá e saboreando um bom whisky via este corpinho querido, a se contorcer de "tesão" ao ser "montado" e "recheado" ao mesmo tempo por dois imeeeeeensos "chouriços" deste tamanho (e abria os braços tentando mostrar o comprimento), ouvindo os seus gemidos atesoados e as suas suplicas lamurientas, pedindo que lhe metessem com força cada vez mais, como se as piças não fossem piças mas sim cobras gigantescas prontas a se meterem nas suas duas cavernas. - Porra!... tenho sonhado tanto com isso, que se os meus sonhos podessem ser realidade, podes ter a certeza - José meu amigo - que esta minha adorada e casta esposa, até por um elefante já tinha sido "comida"... Ah! Ah! Ah! (ihp) » - finalizou, rindo em falsete e aos soquetões como um velho e podre motor a falhar, de olhos semicerrados cochilando como se estivesse prestes a adormecer enquanto abanava sentenciosamente a cabeça, querendo com este gesto, talvez, demonstrar que todas aquelas palavras eram a expressão exacta das suas ânsias e sentimentos. Estas sórdidas afirmações, totalmente inesperadas, declamadas com uma sofreguidão balbuciante de uma concupiscência alucinada, mesmo vindo de um bêbado, caíram na mesa como uma autêntica bomba, deixando Tânia perfeitamente atónita e José se sobrancelhas arqueadas e olhos esbugalhados, olhando interrogativamente para os dois, transparecendo na sua cara toda a zombaria e incredulidade mal contida, motivada pelo ridículo e pelo inesperado da situação. « Francamente Garcia! isto é inconcebível! ...O que é isso de salvar o nosso casamento? você ficou louco...? não tem um mínimo de vergonha nem de pudor nessa cara...?» Perguntou Tânia veementemente, com a voz trasbordante de uma raiva dificilmente contida, de Face afogueada tingindo-se de escarlate, com lágrimas de profundo despeito e decepção enchendo-lhe os olhos que chispavam de ódio, enquanto se ponha subitamente de pé, determinada a abandonar a sala sozinha. Garcia, agarrando-a por um braço, obrigou-a novamente a se sentar, dizendo-lhe: - « Hei!... pssst... tem calma! ... mas que merda é esta Tâniazinha?, ... então, já não se pode ser honesto com ninguém?... - deixa-te de fazer fitas, porque o que eu disse é verdade e tu sabes muito bem que há muito tempo andas louquinha para ser "montada"! ... ou julgas que eu não me apercebo?... - Agora diz-me francamente: - seres "montada" por mim, - que até monto mal, - ou por outro gajo qualquer, - que seja montador profissional, não valerá o pecado? - anda! diz-me!?...não achas que ficas muitíssimo melhor servida com a troca?... não achas?...não achas que eu para além de ser teu amigo, estou também a ser um marido compreensivo e preocupado com as tuas necessidades?...» Totalmente estupeRocinanteta, Tânia sentou-se; - não, porque não se pudesse desprender Facilmente daquela mão que embora sempre igual agora parecia-lhe mole e viscosa, enchendo-a de nojo, mas, simplesmente, porque tentava evitar um escândalo chamando para a mesa a atenção dos demais. Ruborizada, tentando salvar ainda a "honra do convento", olhou desolada para José, pedindo com voz contristada: - « Por favor José, desculpe esta chocarrice de asneiras do meu marido, só compreensível por ele estar completamente embriagado!... - gostaria muito que esquecesse, se pudesse, este lamentável incidente.» Como se sentisse na obrigação de dar ainda uma melhor explicação, continuou: - «Posso lhe afiançar, que ele nunca, mas mesmo nunca, falou anteriormente desta forma tão indecorosa, nem nunca tocou, mesmo que levemente, nestes seus sonhos escabrosos e devassos. - Francamente, em Face de tamanha sordidez, fico sem saber exactamente o que lhe dizer, a não ser pedir-lhe mais uma vez desculpas!...» - Enquanto falava, pôs-se de pé, e novamente determinada a abandonar a sala logo que acabasse a explicação, finalizou: - « Como certamente compreenderá, ele com todas estas asneiradas, não só já me estragou a noite, como também o nosso casamento; - por isso, pedindo sinceramente que me perdoe, gostaria de me retirar antes que os meus nervos cedam e se arme aqui um escândalo dos diabos, o que, convenhamos, seria deprimente para todos...» « Por favor! sente-se e acalme-se, pois está demasiado nervosa! » - retorquiu José em tom apaziguador - «garanto-lhe que logo que os ânimos se serenem, ajudá-la-ei a levá-lo daqui para fora! » - prometeu, enquanto colocava a sua mão sobre a dela, num gesto de compreensão, tranquilizando-a. - Gentilmente, mas com algum vigor, fê-la se sentar oferecendo-lhe um "Madeira" e prosseguindo amigavelmente: - « Vamos lá Tânia! tome isto para se acalmar um pouco!, Vamos lá!... tenha calma, que isto também não é o fim do Mundo!...» - afagando-lhe suavemente um braço, continuou calmamente em tom paternalista: -«Muito embora compreenda perfeitamente a sua atitude, peço que não fique demasiado chocada com estas inconfidências do seu marido! - Como certamente sabe, ( e não veja nisto qualquer ideia ofensiva da minha parte) você é mulher de fazer perder a cabeça a qualquer homem, principalmente a dele que convive consigo diariamente! - julgo até que Garcia, deve estar certamente com alguns problemas sexuais, o que faz com que esteja recalcando inconscientemente algumas situações que o devem estar atormentando; - Para além disso, e como sabe, o sexo é algo de muito complexo, criando muitas vezes sentimentos antagónicos, nos quais, às vezes, só uma barreira muito ténue separa o desejo de nos darmos à de escravizarmos a pessoa com quem convivemos; - Por isso, idealizamos e sonhamos em algumas ocasiões, situações tão primitivas e tão escabrosas, que até a nós próprios nos escandaliza!... - Para além de tudo isto, a bebida é também um veiculo tremendamente desnibidor, que faz soltar a língua, inclusivamente aos mais calados, fazendo vir à superfície sentimentos tão bem guardados no nosso subconsciente, que nunca suporíamos em situações normais ter coragem de os revelar!... - De certa forma, é como se nos transformássemos de repente no Dr. Jeckil , ou se quiser, na parte sombria de nós próprios... » Tânia, sentia que tudo aquilo que José estava a dizer-lhe, com o intuito de a acalmar, era realmente lógico e verdadeiro, até porque ela própria, há muito que sonhava, sendo heroína de aventuras amorosas extra-matrimoniais tremendamente escaldantes, nas quais, desempenhava o principal papel com homens bastante diferentes uns dos outros, nos mais estranhos lugares e nas mais inconcebíveis situações, não estando por isso o marido muito longe da verdade... Para contrabalançar esta sua enorme lascívia natural que a afectava psicologicamente, traumatizando-a de tal forma que carregava sempre consigo, um sentimento de culpa por pecados de sonhos inconfessáveis e que a fazia, não poucas vezes, sentir-se uma rameira, sentimentos estes que a torturavam, devido sobretudo à forma austera como fora criada e aos valores sociais e humanos defendidos intransigentemente pelos progenitores, para os quais, sexo era tabu e conversa de mau gosto. - Devido a isso, ela, sempre procurara refrear essa sua impetuosidade natural, dedicando-se afincadamente ao trabalho, rodeando-se de uma fama de frigidez e racionalidade que não correspondia minimamente à verdade, já que o vulcão que existia no seu interior e que lhe incendiava constantemente os pensamentos, fazendo-a travar duras batalhas para conseguir vencer os seus instintos, era por demais doloroso e só a força de vontade é que o conseguia controlar, evitando, assim intransigentemente, que alguns dos seus sonhos viessem a ter a mínima chance de se tornar realidade, mais por uma questão de princípios éticos e morais, - que embora ultrapassados eram os seus valores - do que propriamente por não aspirar, - às vezes de tal forma que até doía, - a sua plena concretização. Talvez devido a esta sua forma de pensar, é que sentimentos contraditórios debatiam-se agora na sua consciência, pois, com aquelas inconfidências, o marido tinha entreaberto uma porta até então rigorosamente fechada a sete chaves, deixando-lhe antever a realização de muitas das suas ilusões e devaneios secretos, provocando-lhe por isso uma tremenda excitação, perfeitamente perceptível na forma como o seu peito palpitava. Tânia, estava como se estivesse "pedrada". - A sua confusão era tanta, que sentia como uma opressão no peito, só de pensar, quão idiota tinha sido até então, nunca querendo aproveitar um sem número de aventuras que lhe foram entretanto surgindo ao longo do casamento e que ela sistematicamente havia recusado, sobretudo por acreditar e defender o principio de: - matrimónio igual a fidelidade. Todos os seus sonhos e fantasias, sempre rigorosamente guardados, estavam a abrir rapidamente caminho através da sua outra personalidade, como um rastilho aceso ligado a um barril cheio de pólvora, com todas as consequências Facilmente perceptíveis. Há muito que é sabido que a luxúria não tem limites; - quem põe o limite somos nós. - Só que na realidade, às vezes, esquecemo-nos por uma pequena fracção de segundos desse pequeníssimo pormenor, e, quando damos por nós, uma reacção em cadeia abalou o nosso já de si instável "computador cerebral", desenvolvendo e criando uma série de pensamentos, acções e atitudes, que uma vez consumadas, torna humanamente impossível qualquer reposição da maqueta original. É incontestável, que na vida surgem-nos muitas vezes situações, que se pudessem ser analisadas nos minutos antecedentes, seriam naturalmente julgadas não só meras utopias, como também totalmente descabidas e sem qualquer hipóteses de concretização. Era este amalgama de sentimentos e pensamentos, perfeitamente desconexos, que fazia Tânia se sentir, ela própria, completamente irreconhecível, ao ponto de não conseguir entender as modificações que nela se estavam operando, como se a mulher que ela era ainda há pouco, - comedida, fiel e racional -, acabasse de ser amordaçada e trancada dentro de um armário, vindo para a luz do dia, uma outra, devassa e libertina, para a qual, só contava e de uma maneira obsessiva a completa satisfação de todos os seus desejos e devaneios sexuais, fosse de que maneira fosse, não lhe importando, se para atingir esse fim fosse necessário um homem ou quarenta, se um pau ou um vibrador, se um cão ou um cavalo... Devido a esta ânsia quase incontrolável de luxuria, Tânia ponderava com alguma apreensão a reviravolta extraordinária que a sua vida poderia tomar, alterando-lhe dramaticamente muitos dos valores que até ali julgara sólidos e inalteráveis; - por isso, e indo buscar bem ao fundo do seu cérebro ainda uma réstia de controle e de bom senso, tentou pesar os prós e os contra de qualquer atitude que tomasse: - « Entrar ou não entrar naquele caminho, praticamente sem regresso, era a principal questão! - O não entrar, significaria continuar sendo a mulher ponderada e fiel aos seus princípios éticos e morais, divorciada, - porque depois da confissão do marido não teria hipóteses de manter o casamento - com o senão de continuar cheia de sonhos e devaneios que certamente nunca chegaria a concretizar. - Entrar, - era por seu lado, deixar-se dominar por toda a carga sexual reprimida durante imensos anos, entrando em todos os devaneios do marido, nos seus próprios e certamente nos de muitos outros, que sós, ou em grupos, iriam entrando em turbilhão na sua vida, acabando por viver possivelmente nos maiores deboches e depravações, sem respeito por ela própria, pelo marido nem por ninguém.» A razão, dizia-lhe para cortar logo ali o mal pela raiz, voltando as costas aos dois e regressando imediatamente sozinha para o hotel, sem se deixar aprisionar na rede de deboche, que tanto o marido como José estavam lançando habilmente sobre ela, esperando ansiosos, que ela lhes viesse cair às malhas; - Com os dois, coniventes, tentando alcançar o mesmo fim: - um, o marido, tentando pressioná-la a entrar rapidamente no cerco, e o outro, com toda a subtileza, para não espantar a presa, manobrando habilmente, também com o intuito de fazê-la cair na armadilha - não havia dúvida, que naquela ocasião para Tânia, seria talvez muito mais acertado, em Face daquele concluo, bater em retirada. - Só que, as taras psicológicas e sexuais, são muito difíceis de debelar, ainda mais, quando elas estão adormecidas e trancadas num cofre e por incúria ou descuido o abrem e as deixam sair para a liberdade num clima tão carregado de erotismo como aquele. - « Talvez, se aproveitar estes dias para experimentar o que me estão a propor, possa descarregar toda a tensão que me agonia, e satisfazer, pelo menos uma vez, os meus anseios, voltando depois de saciada, quando as férias acabarem, à minha vida pacata e normal, como se tudo não tivesse passado de um sonho, - bom ou mau, quem sabe...?! » - pensava ansiosa e indecisa, criando com isso uma fenda nas suas já debilitadas defesas, que se alargava rapidamente, de tal forma, que fazendo-a perder o pouco controle que ainda tinha da situação a arrastava irremediavelmente para o caminho de momento mais fácil, no qual antevia, mesmo ali à sua mão, a imediata e plena satisfação dos seus secretos desejos: - «As profundas dietas de sexo acabaram!.. Já que a grande ambição de Garcia é ser " touro" e a minha própria - pelo que vejo - é ser puta, então, talvez o melhor seja mesmo começar por aqui, nesta terra estranha, fora das vistas dos meus amigos e conhecidos, aproveitando para ir para a cama com José, que me parece ser um homem viril, bastante do meu agrado pessoal, e que para além disso se esforçará - estou certa - para me proporcionar uma noite longa e inesquecível, ao contrário de Garcia, que nas poucas e raras vezes que actua, praticamente acaba antes de começar...» - continuava Tânia a pensar, cada vez mais motivada e decidida a entrar e experimentar o jogo. A metamorfose que se estava rapidamente a operar nela, fazia supor a qualquer bom entendedor das fraquezas humanas, que a grande paixão que ela sentia pelos automóveis, seria a muito breve trecho substituída pela das lides tauromáquicas. Mirando o marido, que com uma cara idiotizada a olhava sem a ver, abstraído como estava nos seus sonhos escabrosos, pensava com certa revolta, nas inúmeras brigas travadas entre os dois, principalmente devido aos seus caracteres totalmente opostos no campo sexual. - Nunca lhe tinha passado minimamente pela cabeça, que o remédio para todos aqueles problemas esteve sempre ali à mão e só por falta de um dialogo aberto e franco , (o que lamentavelmente acontece numa percentagem muito grande dos casais) é que nunca fora usado, provocando com isso mútuas insatisfações, que fizeram não poucas vezes, perigar o seu casamento. José, bom entendedor da psicologia feminina, pressentia a alteração que se estava a efectuar gradativamente em Tânia, não só devido à forma como ela lhe apertava fortemente a mão, respirando entrecortadamente, como também à forma intensa como o olhava, com seus olhos amendoados verde-mar a reflectirem todo um mar de ânsias e de promessas inconfessáveis. Praticamente seguro da receptibilidade dela, José, sem perder tempo, resolveu, dissimuladamente, deitar mais "lenha na fogueira", até porque, não eram todos os dias que lhe aparecia um marido assim tão desvairado, praticamente implorando que lhe "comessem" a mulher, - com ela, pelo seu lado e embora tentando disfarçar, morta de vontade para dar não só o primeiro passo, como todos os outros que certamente se seguiriam. Assim, e como uma velha raposa sitiando a vitima, começou a pressionar o desenrolar dos acontecimentos, colocando com afabilidade o braço ao redor do pescoço dela, num gesto de aparente reconforto, ao mesmo tempo que lhe ia falando em surdina junto ao ouvido num tom malicioso e cúmplice: - « Olhe Tânia! julgo que o melhor, é levarmos tudo isto na desportiva!... - O seu marido, - bem ou mal - confessou o que lhe ia na alma: e, neste caso, uma vez que tem a benção, o consentimento, e até, porque não, o veemente pedido dele para o "cornear", não vejo porque não alargar um pouco mais os seus horizontes sexuais, já que se for contar somente com ele, não é de esperar, francamente, grandes perspectivas para que isso algum dia possa acontecer... - sinceramente minha amiga! já que chegamos até aqui, porque não fazer-lhe o jogo?... da minha parte posso lhe garantir que estou disposto a tudo; e, isto para nós, que ninguém nos ouve, posso lhe confessar que um dos meus desportos predilectos sempre foi o sexo, tendo procurado me especializar em quase todas as modalidades, dedicando-me de alma e coração aos treinos, competições e derivações...» - depois, dando uma sorriso abafado como se estivesse achando graça às suas próprias palavras, continuou - « Olhe Tânia, já estou como nos anúncios » e colocando as mãos em concha junto à boca procurou imitar o som de um locutor de rádio: - « se o seu problema é grave e está procurando uma solução, porque não se socorrer de um verdadeiro machão? - não hesite porque para além de ser grátis e discreto, ainda será tratada com a maior consideração... contacte já José Amado Galvão um homem sempre cheio de tesão » O tom de voz empregue e a irreverência do "anúncio", fê-la dar uma sonora gargalhada, que foi aproveitada por ele da melhor maneira para seguir insinuando-se: - « se pensar bem, verificará que se continuar casada com esse marmanjo, certamente algum dia acabará por cair na tentação, até porque, a vida é curta e isso é muito bom!!! - Se isso constar no seu karma , - porque não abreviar o seu destino e começar mesmo hoje?, - diga lá Tâniazinha, porque não?... please?!!! » - implorava humoristicamente numa expressão implorativa erguendo as mãos para o céu. Todo aquele espirito irreverente fê-la sorrir; tapando divertida a Face com as mãos na vã tentativa de dissimular o humor que, como Rocinantea quente em manteiga, estava derretendo os poucos escrúpulos que ainda a tolhiam, Tânia aproximou a cabeça do peito de José, abanando lentamente a cabeça, como se estivesse a pensar: - « não é possível que isto me esteja a acontecer e, logo com um safado destes que tirou certamente o curso de tentação com o próprio diabo » De Facto, o maior prazer que José tinha na vida eram as mulheres e tudo o que sexualmente elas representavam, desde que fossem boas, responsáveis e de maior idade; gostava de dizer humoristicamente que era hermafrodita, já que possuía os dois sexos: - o masculino onde todos os homens o tinham e o feminino sempre na cabeça - Talvez por isso gostava de idealizar situações que sem serem demasiado sádicas ou masoquistas, ou, talvez, antes pelo contrário!!! eram completamente diferentes daquilo que se convencionou chamar "sexo normal", levando-o a procurar afincadamente mulheres, se possível hermafroditas como ele mas com os sexos ao contrário, totalmente desnibidas e pré-dispostas a aceitar quase todos os devaneios sexuais que surgissem num momento de inspiração ou tesão mesmo que eles fossem dos mais aberrantes. Tânia, uma inexperiente nestas andanças era como o cordeiro pascal pronta para o sacrifício; mesmo assim, ainda tentou lutar contra a maré, só que a levadia de lascívia que enfrentava era demasiado traiçoeira acabando, sem quase se aperceber, resolvida a levar a sua aventura até às últimas consequências; Facto aliás Facilmente perceptível ao vê-la como hipnotizada bebendo divertida as palavras dele, enquanto por baixo da mesa afagava-lhe a perna com o pé descalço, numa demonstração de quanto estava interessada em participar nas próximas "olimpíadas", desde que ele fosse o seu principal treinador ou mentor desportivo. Esta motivação, aliás já esperada, não escapava a um expert do gabarito de José, que, olhando maliciosamente para a sua quase pupila, antevia e gozava já, os treinamentos a que a sujeitaria, qual deles o mais escabroso, fazendo-a uma assídua praticante senão mesmo uma campeã na dificílima modalidade do "pentatlo sexual". Levantando-se, José dirigiu-se para trás de Tánia acariciando-lhe as costas e as nádegas, enquanto segredava-lhe ao ouvido, mas suficientemente alto para o marido ouvir, sugerindo que o melhor seria continuarem com aquela "amena" troca de impressões em sua casa, aproveitando para provarem um "Madeira" do século XVIII, que ele religiosamente guardava na sua adega privada para uma ocasião ultra especial como aquela que se avizinhava: - « Comemorar a companhia de um tesouro como você » dizia José, « merece bem que se brinde com um vinho tão raro e bom quanto você...» Por entre as brumas do caos em que o seu cérebro se encontrava, Garcia, apercebeu-se vagamente do convite, fazendo-o sair - como por encanto - do torpor que o tinha invadido, levantando de imediato a cabeça, e, como peru vasculhando o horizonte alteroso dos seus sonhos, girá-la, de olhos esbugalhados em direcção à mulher, procurando ansiosamente vestígios da sua anuência ou cumplicidade. - O seu nervosismo era tanto que antes mesmo de pressentir qualquer sinal de interesse da parte dela, assentiu quase instantaneamente com movimentos enérgicos e exuberantes da cabeça, - tão veementemente como um garoto guloso a quem tivessem perguntado se queria um rebuçado; - Tânia, de uma forma bastante mais comedida mas não menos interessada, limitou-se a estender a mão em direcção à de José, apertando-a como que selando o pacto, enquanto esboçava um sorriso enigmático, assentindo com uma ligeira inclinação de olhos e cabeça, parecendo-se estranhamente com uma jovem e recatada donzela ao receber, envergonhada, o primeiro convite amoroso... Embora com grandes dificuldades de equilíbrio, Garcia, foi mesmo assim o primeiro a se levantar de supetão, bastante apressado e determinado em chegar quanto antes à herdade, murmurando impaciente como um disco riscado: - « vamos, vamos a aviar, vamos... vamos embora!» ordenava, enquanto se livrava da cadeira, empurrando-a com a barriga das pernas para trás, tendo como meta a saída, mas só conseguindo o desejado equilíbrio amparado pelos dois porque as suas pernas trôpegas e vacilantes não agiam sincronizadamente com o seu cérebro. Chegaram assim cambaleantes depois de algumas pequenas derrapagens os três junto ao carro. - Garcia quis logo se sentar no banco traseiro, dizendo com voz entaramelada: - « Anda coisinha fofa! - senta-te ai à frente para que ele possa admirar a qualidade dos teus presuntos e até se deres um geitinho, também a dos teus marmelos! » José, que era o único dos três que estava perfeitamente sóbrio, já que praticamente não tinha tocado na bebida, entrou no carro, e enquanto arrancava murmurou para Tânia - «Julgo que o melhor é passar pelo vosso hotel e arranjar uma maleta com algumas roupas, pois assim se quiserem ficar uns dias na herdade já não haverá problemas! » «Boa ideia! » - concordou de imediato Tânia - « e já agora sobe também você para me ajudar enquanto o meu marido espera no carro » « Um caralho menina! - um caralho é o que deixas à espera! » - guinchou Garcia furibundo, continuando quase sem tomar fôlego - « ouve minha galdéria: - Para onde fores eu vou! - o que fizeres eu vejo! - se for preciso ajudar, ajudo! - isto assim é que vai ser, dê por onde der! Até porque o padre quando nos casou disse que nos deveríamos apoiar mutuamente nos bons e nos maus momentos » «Bom! não é preciso azedares! - faz como sempre fizeste: - calminho e bem comportado! - deixa-te ficar ai no carro, enquanto o José sobe comigo para me ajudar!» - retorquiu Tânia hipocritamente apaziguadora. «Queeeerias ! - o que é que pensas? - julgas que nasci ontem? - O José fica é aqui comigo enquanto tu sobes sozinha! - Quando tocar a foder eu quero estar ao pé pra ver! - Percebeste puta esperta!.» - explodiu o marido, enquanto resmungava por entre dentes, mesmo depois dela já ter entrado no hotel, continuando numa lengalenga que parecia não ter fim: - « Aquela puta já queria começar na fodelhice sem a minha presença! - Porra! Isso seria como pôr uma orquestra a tocar sem o maestro a reger! - puta que pariu as mulheres e toda a sua conice! Puta que a pariu!....» Para evitar a escandaleira que já se avizinhava logo ali à porta do hotel, Tânia optara por subir sozinha, enquanto José aguardava no carro por ela, com a resmunguice de Garcia martelando-lhe os tímpanos. Ainda bem que ela foi rápida, pois José estava quase mandando Garcia à merda, e só não o fez, porque a mulher era de Facto boa demais para se deixar perder, até porque as perspectivas futuras eram deveras aliciantes. «Pelo sim, pelo não, trouxe roupa para uma semana!» - exclamou Tânia, atirando a mala com certa violência e desprezo para a banca de trás bem em cima do marido, enquanto entrava agilmente no carro fazendo com que o vestido lhe subisse até às coxas.. Conduzindo velozmente a caminho da herdade, enquanto contava algumas piadas eróticas do seu extenso repertório que os fazia rir a "bandeiras despegadas", ia acariciando - quando a estrada assim o permitia - as magníficas pernas de Afrodite cobertas somente por um finíssimo par de meias negras e que eram mostradas em toda a sua extensão, deixando antever inclusivamente as calcinhas de renda preta, que como uma cortina semitransparente cobria as portas da felicidade. Massajando em movimentos rotativos e extremamente suaves entremeados lá de vez em quando por alguns apalpões mais fortes aquelas duas obras primas de endireitar o pau dum morto, José, aproveitava-se da torpeza cerebral provocada pelos três cálices de "Madeira" que ela tinha ingerido, procurando manter-lhe o desejo desperto, o qual, era aliás Facilmente perceptível pela forma como ela suspirava e escorregava no acento, fazendo o vestido enrolar-se praticamente até à cintura, enquanto ia abrindo lentamente as pernas como a conceder-lhe aos poucos novos espaços e oportunidades ao seu sentido do tacto... Atrás, praticamente deitado na bancada, Garcia cantarolava desafinadamente, apontando o dedo indicador ora para José, ora usando-o ritmicamente como se estivesse a dirigir um coro: És lobo mau, lobo mau, lobo mau, agarraste a Tâniazinha pra fazeres minhau, minhau... Hoje estou contente, vai haver festança com a grande piça que lhe vai entrar na pança... Esta cantoria, insossa e repetitiva, serviu de som de fundo durante uns bons quilómetros, para depois já saturado, passar qual poeta esganiçado à declamação, abrindo os braços em gestos teatrais e deturpando livremente e à sua maneira, o poema : Foder...sem dormir! chora...implora amada flor! pede que ele te meta, no canal do amor!... Põe um enfeite, com a tua mão alva de leite se eu morrer, no meu caixão. A lua é nova e eu vou enfim, ver a tua cona encher-se, graças a mim! Indiferentes a toda esta algaraviada pseudo-intelectual, José e Tânia continuavam a se excitar, tendo como som off os versos e poemas do marido e os suspiros e gemidos "atesoados" dela, que cada vez mais excitada, procurava com algum esforço abrir a braguilha de José, retirando para fora o pénis entumecido, com o qual começou a brincar com certa timidez passando suavemente os dedos pela cabeça . - José bastante atesoado, nem parou para pensar; - levantou o braço e agarrando-a suave mas firmemente pelo pescoço, puxou-lhe a cabeça para o meio das suas pernas. - Tânia, opondo-se inicialmente com tenue resistência, acabou por ceder torcendo ligeiramente o corpo e abrindo a boca deixou entrar para o seu interior como se fosse uma banana o vergalho, pondo José quase em estado de choque fazendo-o retesar o corpo enquanto emitia um silvo de prazer ao sentir os lábios carnudos rodearem-lhe a glande humedecendo-a de saliva: - « Oh Tâninha que boca maravilhosa esta!... umhhhh... que mamada divinal! Chupa o Dom Juan, engole-o todo!.... umhmmm... anda não pares, não pares que daqui a pouco tens um prémio... Ai que ele já ai vem... pronto! engole agora o leitinho... engole o leitinho todo para não me sujares as calças» - gemia ele entrecortadamente, esporrando-se, e pressionando-lhe a cabeça contra o caralho, fazendo-a mamar ainda com mais afinco com ele entalado na garganta engolindo às golfadas o esperma morno sem desperdiçar um pingo, enquanto o marido, de olhos cerrados e alheio ao que se estava a passar, continuava compenetrado em declamar os seus poemas, encolhido no banco traseiro. Algum tempo depois, Tânia endireitou-se, passando a língua pelos lábios à procura duma gota mais rebelde; desviando o olhar, como que envergonhada murmurou: « Podes crer que foi a primeira vez que fiz isto... e tu foste bastante ruim obrigando-me a engolir toda a porcaria...» - « Bom! deixemo-nos de falsas modéstias! gostastes ou não gostastes de mamar?» perguntou José minimizando a conversa « se não gostastes desculpa... se gostastes Isto foi só um aperitivo, quando chegarmos a casa continuamos com a diversão!...» Tânia, ainda pouco à vontade retorquiu: « Foi uma experiência nova, agora conduz com cuidado para podermos chegar inteiros ao nosso destino, porque ainda à pouco o carro só andava aos esses, como se ele se estivesse a se vir conjuntamente contigo...»
Adoraria compartilhar mais experiências caso se enterese me escreva nandinhobacaninha@bol.com.br
By: Nandinho
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João, acabara de sair do ducha. - A água quente, que em jactos finos batera-lhe violenta e incessantemente no corpo, agira como uma autêntica massagem, retemperando-lhe as forças e a boa disposição. De certa forma, para além da rotina diária que o banho para si sempre representava, - naquele começo de noite - muito especialmente - não tinha sido só a higiene que o motivara, mas também a premente necessidade de conseguir um relaxamento físico. Efectivamente, aquele tinha sido um dia extenuante preenchido por duas importantes reuniões com clientes estrangeiros, acabando por conseguir - mercê do seu poder de persuasão - estabelecer dois contratos de fornecimentos com duas das mais importantes cadeias de lojas internacionais abrindo-lhe as portas para um aumento quase explosivo da sua produção industrial. - Embora extremamente satisfeito com os resultados alcançados, a verdade, é que aquela tenção o tinha deixado extenuado, desejoso, por isso, de escapar a todo aquele "stress" e gozar o resto do dia, longe do escritório e dos seus problemas, que, pese embora as chatices e cansaços, representava uma parte importante da sua fonte de rendimentos, logo, do seu desafogo económico, merecendo por isso que lhe dedicasse toda a sua atenção. Enquanto se enxugava, esfregando-se vigorosamente com uma toalha turca no meio da bruma gerada pelo vapor, ia pensando nas alternativas que tinha para essa noite. - Sentar-se a ler um bom livro? - talvez! - Ou quem sabe, ver um pouco de televisão, confortavelmente sentado, descansando preguiçosamente, depois de toda aquela fastidiosa labuta...?! - Umh! essa ideia não era também para menosprezar, até porque, passaria um bom filme no canal 4 que tinha interesse em rever... Em frente ao espelho, penteando-se, ponderava pensativamente os prós e os contra das alternativas, as quais, francamente, não o satisfaziam totalmente, deixando-o indeciso e numa certa apatia que augurava uma noite de preguiça. Subitamente e num assomo de inspiração, bateu com a mão na testa murmurando: - «Oh diabo!...porque é que eu não me lembrei antes disto...? » - para logo decidir: - «Opimo! é isso mesmo!» - disse para consigo - ... « uma volta pelos hotéis e tentar "caçar" alguma "ovelha" tresmalhada, que ande esfomeada à procura de "alimento"!» - «Brilhante ideia!» - murmurou. - «É disso mesmo que estou a precisar para sair desta letargia... » Totalmente decidido, e já com um sorriso alegre e enigmático estampado na cara, foi-se vestir. - Era uma noite quente de verão; - olhando o relógio que marcava as 22 horas, pensou, esfregando as mãos com satisfação: - « Esta é mesmo a hora ideal para arrancar! - Ah! como é bom estar vivo e ter força e vida para goza-la! » - para depois, com uma gargalhada bem disposta, rematar com humor: - «muito especialmente quando o gozo é esse maravilhoso manjar dos Deuses que dá pelo nome de mulher!...» José, estava na casa dos trinta e cinco anos, intensamente vividos, mercê das muitas mulheres que passavam como meteoros pela sua vida de certa forma aventurosa e atribulada, as quais, eram por assim dizer quase seleccionadas a dedo, por Facilmente as encontrar, - como frutas maduras pedindo para serem colhidas, - nas suas "caçadas" nocturnas pelos hotéis e discotecas da cidade. Porque para elas o interesse principal era o sexo e o relacionamento aventuroso que isso lhes proporcionava fazendo-as alienar-se do quotidiano inexpressivo e fútil que levavam durante todo o ano, não manifestavam, geralmente, qualquer exigência afectiva, a não ser a do momento presente, insinuando-se e acedendo por isso com bastante ligeireza às investidas romanescas de José. - Assim, muitas mulheres das mais diferentes profissões e posições sociais, desde médicas a donas de casa, passando por administrativas, advogadas, professoras e por aí além, tinham já sucumbido irresistivelmente ao seu jogo de sedução há muito estudado e testado, acabando, quase sempre, por caírem nas suas artimanhas e no seu charme em devaneios loucos e nada ortodoxos que acabava, contudo, por fazer a delicia de todas elas. Extremamente bem parecido, de estatura mediana, tipo latino, olhos negros, "transpirando" virilidade por todos os poros, possuía, para além disso, algo de provocante na sua forma de agir que ponha as mulheres em transe atraindo-as como moscas ao mel. De porte distinto, vestia-se sobriamente com roupas de qualidade e de bom gosto, comportando-se sempre com espontaneidade e sem qualquer afectação, dominando com todo o à-vontade as situações mesmo as mais perigosas ou caricatas. Depois de uma última olhadela ao espelho e satisfeito com o que nele viu reflectido, encaminhou-se assobiando descontraidamente para a garagem, entrando no seu BMW negro, topo de gama, que arrancou pouco depois com um potente ruído de motor em direcção à cidade. Conduzindo pelas ruas que começavam já a diminuir a intensidade de tráfego, dirigiu-se para a zona hoteleira, ouvindo distraidamente através do leitor de "compact disc" a orquestra ligeira de João Tadeu executando - "quando uma mulher quer, o limite é o céu - ao mesmo tempo que olhava displicentemente o movimento de pessoas nos passeios, sorteando mentalmente um dos muitos lugares a que chamava irónicamente o seu território de caça. Depois de uma série de voltas esperando que a luzinha da inspiração se acendesse, decidiu-se repentinamente pelo "Princess Hotel", e porque já estava praticamente sobre a entrada, guinou subitamente sem mesmo fazer "pisca" para o parque privativo, estacionando e saindo agilmente do carro, demonstrando toda a sua pujança e plena forma física, enquanto usava instintivamente o controle de infravermelhos para trancar as portas e os vidros. A apresentação, - ou melhor - o impacto inicial que a sua figura pudesse criar na mulher seleccionada, seria determinante para a sua conquista ou recusa; - por isso, maquinalmente, e na tentativa vã de controlar os seus cabelos revoltos, passou ambas as mãos lateralmente pela cabeça penteando-se com os dedos, ajeitou melhor o nó da gravata, dirigindo-se a passos elásticos e decididos para o enorme hall do hotel, um 5 estrelas moderno e luxuoso de arquitectura futurista onde os grandes espaços predominavam, fazendo-nos supor que mesmo no seu interior nos encontrávamos em pleno céu aberto rodeados pelos verdes das plantas que caiam em corriolas , algumas delas, desde o topo dos seus 15 andares, encimado por uma cúpula de vidro. Com um sorriso de agradecimento ao porteiro que delicadamente o cumprimentou abrindo-lhe a porta, entrou para o interior, dando uma mirada descontraída por toda a zona da recepção, tentando visualizar alguma "ovelhinha" perdida e sem pastor que fosse do seu agrado pessoal, vendo muitas, mas infelizmente para o seu apetite devorador, algumas delas já com o prazo de validade ultrapassado, e, outras, bem comestíveis por sinal, infelizmente, com o seu "canibal" demasiado perto para que pudesse tentar de alguma forma candidatar-se também a "meter-lhes o dente". Encolhendo os ombros resignado depois daquela infrutífera deambulação, dirigiu-se calmamente para um dos elevadores, entrando e carregando no botão que indicava o último andar. - O pequeno habitáculo, totalmente envidraçado, que como nave extraterrestre subia numa aparente vagarosidade pelo exterior do arranha-céus, deixava-o sempre maravilhado com a magnifica vista nocturna da cidade que ganhava novas nuanças, devido à constante mudança de altitude. O sinal acústico da paragem e a abertura da porta, fê-lo voltar à realidade. - Saindo para um largo corredor, encaminhou-se para a boate, a qual, decorada num estilo vanguardista onde predominavam os tons escuros contrastando com uma série de esculturas humanas em tamanho natural totalmente brancas, dava-nos a sensação de estarmos caminhando através de um túnel, a caminho do Olimpo. - A iluminação, do mesmo tipo inovador, com miriades de pequenas lâmpadas, que saiam do tecto como se fosse constelações a brilhar num céu negro, projectava uma luz difusa, fazendo todo o salão mergulhar numa penumbra quase irreal. - Era sem sombra de dúvida, um lugar extremamente aprazível e desconcertante, que valia a pena conhecer. - Ao centro, num pequeno palco rotativo, um pianista dedilhava uma música suave e melodiosa, dando um toque especial de requinte e intimidade a todo aquele ambiente nostálgico. À entrada do salão, José parou adaptando a vista às diferenças contrastantes de iluminação. Perfeitamente à-vontade naquele ambiente, e também profundo conhecedor do local, rodou lentamente sobre os calcanhares e como se fosse um radar, deu um varrimento visual e superficial ao salão, acabando por escolher uma mesa colocada estrategicamente que lhe possibilitava controlar discretamente as pessoas que iam entrando. Já sentado, e com a vista completamente adaptada à penumbra, mirou mais atentamente em seu redor, entretendo-se a avaliar, como sempre fazia, aquela miscelânea de gentes das mais variadas raças e nacionalidades, que qual colmeia, produziam um zumbido surdo, devido às tagarelices a meia voz e aos risos que ecoavam um pouco por toda a parte. Poder-se-ia dizer com alguma propriedade, que lá encontrava-se praticamente de tudo: - desde "veados" à procura de macho, até "fufas" à procura de fêmeas, passando por novos e velhos, ou velhas e novas, tentando cada um encontrar a sua quota parte de emoção. - A maioria contudo, eram casais já a descer a "estrada da vida", que sonhavam ainda gozar da melhor maneira e com bastante animação o seu crepúsculo. - Algumas outras, sozinhas, para as quais os "verdes anos" não passavam também já de uma nostálgica recordação, procuravam "sangue novo" que lhes pudesse aquecer as longas noites de solidão, fazendo-as acreditar, mesmo que momentaneamente que a frescura da juventude e o poder de sedução, ainda não as tinham abandonado. - Em todo este "leque", existia também algumas raparigas, bastante jovens, que pelo seu comportamento ingénuo, tentavam certamente realizar os seus sonhos de adolescentes procurando o seu príncipe encantado mesmo que isso somente as transformasse em princesas por um dia..., enquanto que alguns rapazes imberbes, encetavam no meio de algum aparato os seus primeiros passos na senda dos "conquistadores", bebendo e fumando em gestos ostensivos, quase teatrais, como a quererem demonstrar a sua maioridade e veteraniedade naquelas andanças. - Sobrepondo-se a tudo isto podia-se ainda pressentir os "gaviões" profissionais, machos e fêmeas, que "planando" sobre toda aquela turba, procuravam encontrar "fregueses" dispostos a pagarem bem por uma noite de efémera ilusão... Independentemente do prazer de uma bebida ou de um pedaço agradável de convívio que certamente muitas das pessoas, ali, somente buscavam, a boate, era sem dúvida como um imenso parque de ilusões, onde uma maioria, procurava encontrar algo de diferente que as fizesse alhearem-se dum quotidiano de marasmo, quase sempre cinzento nas suas opacas vidas. Nessa deambulação visual, muito parecida ao de um experiente predador procurando calma e conscenciosamente a sua presa, chamou-lhe subitamente a atenção para um casal que tinha surgido à entrada. Ele, na casa dos trinta e muitos, com cerca de 1,60cm de altura, cara redonda de bonacheirão e corpo a jogar bastante para o flácido, disfarçava habilmente o excesso de gordura com um fato escuro convencional de muito bom corte e uma camisa imaculadamente branca que rematada por uma gravata italiana de seda pura com matizes de azuis e verdes formava um conjunto extremamente mundano e agradável; - Ela, na casa dos trinta, bastante mais alta, - altura que se acentuava ainda mais pelos sapatos negros de tacão alto que ajudava a realçar-lhe as magnificas e esguias pernas quase à mostra, cobertas somente por umas collants transparentes da mesma cor e por um vestido de noite de um negro brilhante, bastante justo e curto, não conseguindo nem certamente pretendendo as esconder, modelando pelo contrário, quase como uma segunda pele, um corpo extraordinário, capaz de fazer crescer agua na boca até dum morto, e, que como um íman, atraía de imediato as atenções dos demais; - Como se tudo isto não chegasse, o conjunto era ainda rematado por uma cara linda e sensual, de tipo rectangular, aonde se salientavam uns grandes olhos verdes, extraordinariamente expressivos, e, uns cabelos cor castanho ouro, ligeiramente ondulados que lhe caiam sobre os ombros e que com a incidência dos jactos de luz resplandeciam como seda. Parados no hall, parecendo ponderar onde se iriam sentar, pois as mesas àquela hora já estavam quase todas ocupadas, momentaneamente, os olhos da mulher e de José entrecruzaram-se. - A insistência do olhar dele fê-la cochichar algo no ouvido do marido, fazendo que este, por sua vez, olhasse para onde José se encontrava, assentindo com um ligeiro aceno de cabeça e encaminhando-se depois com alguma dificuldade na sua direcção. Contornando uma série de mesas que os fazia andar em ziguezagues, foram-se aproximando até chegar junto a José que os seguira sempre atentamente com um olhar de predador, admirando extasiado o porte e o andar felino da mulher: - « Boa Noite! - desculpe se o incomodamos, mas como vê as mesas estão praticamente cheias! - vê algum inconveniente em que eu e minha mulher nos sentemos na sua mesa?» - perguntou o homem polidamente. « Claro que não! - Tenho nisso aliás, o máximo prazer!» - respondeu José simpaticamente levantando-se de imediato e ajeitando cortesmente uma cadeira para a senhora se sentar. O casal com um sorriso de agradecimento acomodou-se, falando alguns instantes entre si em voz baixa, acabando logo depois, com bastante à vontade por estenderem a conversa a José, que cordialmente se apresentou, o que foi secundado por eles. Pela apresentação, ficaram a saber que ele, José, era empresário, solteiro, vivendo praticamente só, numa herdade que possuía no campo; - gostava da aventura e do insólito, mas sobretudo de travar novos conhecimentos e criar também novas amizades. Eles, eram casados, ambos deputados no parlamento Espanhol, - pormenor que José só soube muito depois - estando a desfrutar incógnitos - como sempre o faziam - alguns dias de férias. Gostavam da sensação da velocidade, especialmente motorizada e de conhecer novos locais, - hobbys a que se dedicavam sempre que podiam - tentando gozar durante esses dias de ócio, uma vida sem amarras e sem condicionalismos sociais, de uma forma completamente diferente àquela a que eram forçados a viver onde residiam e trabalhavam. Ele chamava-se Garcia, era engenheiro técnico de automóveis, sendo o director-geral duma importante empresa estatal, e, por sistema, uma pessoa pouco expansiva mas espirituosa e delicada naquilo que dizia, gostando mais - ao contrário da maioria dos políticos - de ouvir, do que de falar. Ela, Tânia, era praticamente o oposto do marido; extremamente bem disposta e expansiva, com uma vitalidade fulgurante, falava e ria sem inibições, demonstrando bem todo o entusiasmo que ponha na vida, que repartia entre a política e o seu trabalho profissional, - de que muito gostava - pois para além de deputada era também bióloga chefe num grande laboratório Espanhol. A aventura sempre a tinha fascinado e por isso as suas grandes paixões, para além da biologia, eram os automóveis potentes, tendo sido exactamente por isso que tinha conhecido há dez anos atrás o marido, por altura dum rali de Monte Carlo. Muito embora a conversa, - como quase todas entre desconhecidos, - tivesse começado de uma forma quase protocolar, a verdade, é que aos poucos a mesma foi-se transformando, já que todos eles eram não só bons conversadores, como também, bastante sociáveis e de fácil relacionamento. Por isso, não foi de estranhar, que o convívio se tornasse rapidamente numa cavaqueira agradável e até com halos de uma certa intimidade, de tal forma, que passada uma hora, o relacionamento era tão descontraído, que pareciam quase conhecidos de longa data. Garcia, embrenhado no que ouvia e quase sem dar por isso, estava aos poucos emborcando uma quantidade substancial de whiskys - velhos que tomava seco só com gelo, que não sendo nele habitual, manifestamente estavam já a corroer-lhe a sua fleuma ao estilo britânico, provocando-lhe um verdadeiro estado de euforia e desnibição, bem ao jeito dos latinos. Este comportamento anormal não passou despercebido à mulher, até porque o marido começava a tornar-se um pedaço maçador e peguento, pelo que resolveu chamar-lhe já um tanto chateada a atenção para o Facto, conseguindo com isso, que ele a contragosto reduzisse drasticamente a quantidade dos "drinks", não evitando contudo, que o álcool que anteriormente ingerira, continuasse a sua rota de colisão a caminho do cérebro, deteriorando gradualmente o seu habitual comportamento passivo e bonacheirão. De Facto, pouco habituado àqueles excessos, Garcia, sentia-se como se fosse o centro do mundo, agarrando-se insistentemente com viscosidade aos braços de José e da mulher, insistindo de um modo obsessivo para lhe prestarem atenção, pois, com a cabeça alterada como estava, a sua necessidade mais premente era lhes contar a sua vida e os seus desejos mais íntimos, pondo todos os seus segredos em dia, como se dessas confidências dependesse a sua salvação eterna. Com voz empastada e denotando já todos os sinais de embriaguez, fez um sinal de vem cá com a mão para que os dois se debruçassem para ele, confidenciando-lhes arrastadamente: «Hei José! ... pssst... oiça-me!... porra!, oiça-me !!!, ... oiça-me porque vale a pena!... - você pode não acreditar... mas o que lhe vou contar é a verdade, só a verdade e nada mais que a verdade...! - acho que o meu casamento está a ir pela sanita abaixo, talvez porque o amor, infelizmente, é como a chama do fósforo: - só dura enquanto houver pau... - e o meu pau ou já está faltando, ou anda com muita humidade... - Acredite! - a minha mulher, (esta querida, - este pedaço de febra - boa como o milho, que está aqui ao nosso lado), é louca para a malandrice, embora não goste de dar a perceber; - é tão louca que se eu lhe fizesse a vontade ao corpo, teria que lhe mergulhar o pirilau no poço pelo menos três vezes ao dia, sem contar com os extraordinários , - entende o que eu quero dizer?... não entende? » - perguntava com voz empastelada piscando um olho num gesto cúmplice, - « mas isso era se eu quisesse ou pudesse ... percebeu?...» Parou um pouco como a recobrar alento, continuando depois no mesmo secretismo e com a mesma insistência:: - «... Ainda bem que eu só gosto desse "prato" lá de vez em quando e espaçado bem de mês a mês, porque senão esta "gaja" matava-me!.. podes ter a certeza, meu amigo, que ela ponha-me só em pele e osso e sem me poder aguentar mais nas "canetas"... - O que eu realmente gosto e que ela nunca adivinhou, nem lhe passou mesmo que levemente pela cabeça, é uma outra coisa completamente diferente e que me tem transtornado estes anos todos; - por isso prefiro que ela me deixe dormir em paz e sossego, sonhando com os meus devaneios, porque para "monta-la" já não tenho agilidade, e, a verdade, é que já estou me sentindo velho demais para dominar éguas que tomam o freio nos dentes!» Depois de um curto silêncio, e perante as expressões de incredulidade dos dois devido ao rumo que a conversa ia tomando, arreganhou a cara num sorriso idiotizado, que tentava ser espirituoso: - «Olha José! o sacana do inglês é que tem razão quando diz:... " o sexo é algo de incomodo, que nos obriga a trabalhar em posições extravagantes, com consequências que podem ser às vezes desastrosas... - Ah! Ah! Ah (ihp)! esta é boa? não é?....» Pelos vistos, parecia que as confidências ainda não tinham acabado, pois, de seguida, debruçando ainda mais o corpo sobre a mesa, e olhando manhosamente de través para um lado e para o outro, pretendendo certamente se certificar que ninguém mais o ouvia - desconfiado, como aliás é peculiar a todos os bêbados, - colocou o dedo indicador espetado à frente dos lábios unidos em bico, como a dizer que o assunto era algo da maior confidencialidade; - de dedo indicador no ar, aproximando vacilantemente a cara dos dois e lançando-lhes na Face um hálito forte a álcool, prosseguiu quase a choramingar numa voz baixa e soluçante: - «Agora ... vou confessar a vocês, o meu segredo, aquilo que eu verdadeiramente anseio! - é uma coisa que eu nunca disse a ninguém! - perceberam?.. - isto tem que ficar somente entre nós os três, porque senão é uma grande merda!» - fez mais um compasso de espera, tentando recobrar o fôlego e talvez aguçar-lhes a curiosidade, continuando cada vez mais arrastadamente como se estivesse aos poucos sendo acometido pela gaguez: - « O que eu... que eu gosto mesmo...e que pode salvar o nosso casamento, porque isso satisfaria não só a minha maior ambição, como seria a felicidade dela (embora ela vá dizer pudicamente logo que não) - era ver minha mulher, esta minha querida e adorada mulher, a ser "comida", por um gajo, estilo goooorila,.. ou então, e ainda melhor, por dois ao mesmo tempo, fazendo com ela uma sandes, como se os dois gajos fossem o pão e ela o conduto, que é como quem diz: - a febra! - Poooorra! que só de pensar falta-me o ar e começo a ter arrepios!» - dizia, respirando entrecortadamente, enquanto esfregava vigorosamente os braços, continuando sem perder o fio à meada: - « enquanto eu, sentado descansadamente num sofá e saboreando um bom whisky via este corpinho querido, a se contorcer de "tesão" ao ser "montado" e "recheado" ao mesmo tempo por dois imeeeeeensos "chouriços" deste tamanho (e abria os braços tentando mostrar o comprimento), ouvindo os seus gemidos atesoados e as suas suplicas lamurientas, pedindo que lhe metessem com força cada vez mais, como se as piças não fossem piças mas sim cobras gigantescas prontas a se meterem nas suas duas cavernas. - Porra!... tenho sonhado tanto com isso, que se os meus sonhos podessem ser realidade, podes ter a certeza - José meu amigo - que esta minha adorada e casta esposa, até por um elefante já tinha sido "comida"... Ah! Ah! Ah! (ihp) » - finalizou, rindo em falsete e aos soquetões como um velho e podre motor a falhar, de olhos semicerrados cochilando como se estivesse prestes a adormecer enquanto abanava sentenciosamente a cabeça, querendo com este gesto, talvez, demonstrar que todas aquelas palavras eram a expressão exacta das suas ânsias e sentimentos. Estas sórdidas afirmações, totalmente inesperadas, declamadas com uma sofreguidão balbuciante de uma concupiscência alucinada, mesmo vindo de um bêbado, caíram na mesa como uma autêntica bomba, deixando Tânia perfeitamente atónita e José se sobrancelhas arqueadas e olhos esbugalhados, olhando interrogativamente para os dois, transparecendo na sua cara toda a zombaria e incredulidade mal contida, motivada pelo ridículo e pelo inesperado da situação. « Francamente Garcia! isto é inconcebível! ...O que é isso de salvar o nosso casamento? você ficou louco...? não tem um mínimo de vergonha nem de pudor nessa cara...?» Perguntou Tânia veementemente, com a voz trasbordante de uma raiva dificilmente contida, de Face afogueada tingindo-se de escarlate, com lágrimas de profundo despeito e decepção enchendo-lhe os olhos que chispavam de ódio, enquanto se ponha subitamente de pé, determinada a abandonar a sala sozinha. Garcia, agarrando-a por um braço, obrigou-a novamente a se sentar, dizendo-lhe: - « Hei!... pssst... tem calma! ... mas que merda é esta Tâniazinha?, ... então, já não se pode ser honesto com ninguém?... - deixa-te de fazer fitas, porque o que eu disse é verdade e tu sabes muito bem que há muito tempo andas louquinha para ser "montada"! ... ou julgas que eu não me apercebo?... - Agora diz-me francamente: - seres "montada" por mim, - que até monto mal, - ou por outro gajo qualquer, - que seja montador profissional, não valerá o pecado? - anda! diz-me!?...não achas que ficas muitíssimo melhor servida com a troca?... não achas?...não achas que eu para além de ser teu amigo, estou também a ser um marido compreensivo e preocupado com as tuas necessidades?...» Totalmente estupeRocinanteta, Tânia sentou-se; - não, porque não se pudesse desprender Facilmente daquela mão que embora sempre igual agora parecia-lhe mole e viscosa, enchendo-a de nojo, mas, simplesmente, porque tentava evitar um escândalo chamando para a mesa a atenção dos demais. Ruborizada, tentando salvar ainda a "honra do convento", olhou desolada para José, pedindo com voz contristada: - « Por favor José, desculpe esta chocarrice de asneiras do meu marido, só compreensível por ele estar completamente embriagado!... - gostaria muito que esquecesse, se pudesse, este lamentável incidente.» Como se sentisse na obrigação de dar ainda uma melhor explicação, continuou: - «Posso lhe afiançar, que ele nunca, mas mesmo nunca, falou anteriormente desta forma tão indecorosa, nem nunca tocou, mesmo que levemente, nestes seus sonhos escabrosos e devassos. - Francamente, em Face de tamanha sordidez, fico sem saber exactamente o que lhe dizer, a não ser pedir-lhe mais uma vez desculpas!...» - Enquanto falava, pôs-se de pé, e novamente determinada a abandonar a sala logo que acabasse a explicação, finalizou: - « Como certamente compreenderá, ele com todas estas asneiradas, não só já me estragou a noite, como também o nosso casamento; - por isso, pedindo sinceramente que me perdoe, gostaria de me retirar antes que os meus nervos cedam e se arme aqui um escândalo dos diabos, o que, convenhamos, seria deprimente para todos...» « Por favor! sente-se e acalme-se, pois está demasiado nervosa! » - retorquiu José em tom apaziguador - «garanto-lhe que logo que os ânimos se serenem, ajudá-la-ei a levá-lo daqui para fora! » - prometeu, enquanto colocava a sua mão sobre a dela, num gesto de compreensão, tranquilizando-a. - Gentilmente, mas com algum vigor, fê-la se sentar oferecendo-lhe um "Madeira" e prosseguindo amigavelmente: - « Vamos lá Tânia! tome isto para se acalmar um pouco!, Vamos lá!... tenha calma, que isto também não é o fim do Mundo!...» - afagando-lhe suavemente um braço, continuou calmamente em tom paternalista: -«Muito embora compreenda perfeitamente a sua atitude, peço que não fique demasiado chocada com estas inconfidências do seu marido! - Como certamente sabe, ( e não veja nisto qualquer ideia ofensiva da minha parte) você é mulher de fazer perder a cabeça a qualquer homem, principalmente a dele que convive consigo diariamente! - julgo até que Garcia, deve estar certamente com alguns problemas sexuais, o que faz com que esteja recalcando inconscientemente algumas situações que o devem estar atormentando; - Para além disso, e como sabe, o sexo é algo de muito complexo, criando muitas vezes sentimentos antagónicos, nos quais, às vezes, só uma barreira muito ténue separa o desejo de nos darmos à de escravizarmos a pessoa com quem convivemos; - Por isso, idealizamos e sonhamos em algumas ocasiões, situações tão primitivas e tão escabrosas, que até a nós próprios nos escandaliza!... - Para além de tudo isto, a bebida é também um veiculo tremendamente desnibidor, que faz soltar a língua, inclusivamente aos mais calados, fazendo vir à superfície sentimentos tão bem guardados no nosso subconsciente, que nunca suporíamos em situações normais ter coragem de os revelar!... - De certa forma, é como se nos transformássemos de repente no Dr. Jeckil , ou se quiser, na parte sombria de nós próprios... » Tânia, sentia que tudo aquilo que José estava a dizer-lhe, com o intuito de a acalmar, era realmente lógico e verdadeiro, até porque ela própria, há muito que sonhava, sendo heroína de aventuras amorosas extra-matrimoniais tremendamente escaldantes, nas quais, desempenhava o principal papel com homens bastante diferentes uns dos outros, nos mais estranhos lugares e nas mais inconcebíveis situações, não estando por isso o marido muito longe da verdade... Para contrabalançar esta sua enorme lascívia natural que a afectava psicologicamente, traumatizando-a de tal forma que carregava sempre consigo, um sentimento de culpa por pecados de sonhos inconfessáveis e que a fazia, não poucas vezes, sentir-se uma rameira, sentimentos estes que a torturavam, devido sobretudo à forma austera como fora criada e aos valores sociais e humanos defendidos intransigentemente pelos progenitores, para os quais, sexo era tabu e conversa de mau gosto. - Devido a isso, ela, sempre procurara refrear essa sua impetuosidade natural, dedicando-se afincadamente ao trabalho, rodeando-se de uma fama de frigidez e racionalidade que não correspondia minimamente à verdade, já que o vulcão que existia no seu interior e que lhe incendiava constantemente os pensamentos, fazendo-a travar duras batalhas para conseguir vencer os seus instintos, era por demais doloroso e só a força de vontade é que o conseguia controlar, evitando, assim intransigentemente, que alguns dos seus sonhos viessem a ter a mínima chance de se tornar realidade, mais por uma questão de princípios éticos e morais, - que embora ultrapassados eram os seus valores - do que propriamente por não aspirar, - às vezes de tal forma que até doía, - a sua plena concretização. Talvez devido a esta sua forma de pensar, é que sentimentos contraditórios debatiam-se agora na sua consciência, pois, com aquelas inconfidências, o marido tinha entreaberto uma porta até então rigorosamente fechada a sete chaves, deixando-lhe antever a realização de muitas das suas ilusões e devaneios secretos, provocando-lhe por isso uma tremenda excitação, perfeitamente perceptível na forma como o seu peito palpitava. Tânia, estava como se estivesse "pedrada". - A sua confusão era tanta, que sentia como uma opressão no peito, só de pensar, quão idiota tinha sido até então, nunca querendo aproveitar um sem número de aventuras que lhe foram entretanto surgindo ao longo do casamento e que ela sistematicamente havia recusado, sobretudo por acreditar e defender o principio de: - matrimónio igual a fidelidade. Todos os seus sonhos e fantasias, sempre rigorosamente guardados, estavam a abrir rapidamente caminho através da sua outra personalidade, como um rastilho aceso ligado a um barril cheio de pólvora, com todas as consequências Facilmente perceptíveis. Há muito que é sabido que a luxúria não tem limites; - quem põe o limite somos nós. - Só que na realidade, às vezes, esquecemo-nos por uma pequena fracção de segundos desse pequeníssimo pormenor, e, quando damos por nós, uma reacção em cadeia abalou o nosso já de si instável "computador cerebral", desenvolvendo e criando uma série de pensamentos, acções e atitudes, que uma vez consumadas, torna humanamente impossível qualquer reposição da maqueta original. É incontestável, que na vida surgem-nos muitas vezes situações, que se pudessem ser analisadas nos minutos antecedentes, seriam naturalmente julgadas não só meras utopias, como também totalmente descabidas e sem qualquer hipóteses de concretização. Era este amalgama de sentimentos e pensamentos, perfeitamente desconexos, que fazia Tânia se sentir, ela própria, completamente irreconhecível, ao ponto de não conseguir entender as modificações que nela se estavam operando, como se a mulher que ela era ainda há pouco, - comedida, fiel e racional -, acabasse de ser amordaçada e trancada dentro de um armário, vindo para a luz do dia, uma outra, devassa e libertina, para a qual, só contava e de uma maneira obsessiva a completa satisfação de todos os seus desejos e devaneios sexuais, fosse de que maneira fosse, não lhe importando, se para atingir esse fim fosse necessário um homem ou quarenta, se um pau ou um vibrador, se um cão ou um cavalo... Devido a esta ânsia quase incontrolável de luxuria, Tânia ponderava com alguma apreensão a reviravolta extraordinária que a sua vida poderia tomar, alterando-lhe dramaticamente muitos dos valores que até ali julgara sólidos e inalteráveis; - por isso, e indo buscar bem ao fundo do seu cérebro ainda uma réstia de controle e de bom senso, tentou pesar os prós e os contra de qualquer atitude que tomasse: - « Entrar ou não entrar naquele caminho, praticamente sem regresso, era a principal questão! - O não entrar, significaria continuar sendo a mulher ponderada e fiel aos seus princípios éticos e morais, divorciada, - porque depois da confissão do marido não teria hipóteses de manter o casamento - com o senão de continuar cheia de sonhos e devaneios que certamente nunca chegaria a concretizar. - Entrar, - era por seu lado, deixar-se dominar por toda a carga sexual reprimida durante imensos anos, entrando em todos os devaneios do marido, nos seus próprios e certamente nos de muitos outros, que sós, ou em grupos, iriam entrando em turbilhão na sua vida, acabando por viver possivelmente nos maiores deboches e depravações, sem respeito por ela própria, pelo marido nem por ninguém.» A razão, dizia-lhe para cortar logo ali o mal pela raiz, voltando as costas aos dois e regressando imediatamente sozinha para o hotel, sem se deixar aprisionar na rede de deboche, que tanto o marido como José estavam lançando habilmente sobre ela, esperando ansiosos, que ela lhes viesse cair às malhas; - Com os dois, coniventes, tentando alcançar o mesmo fim: - um, o marido, tentando pressioná-la a entrar rapidamente no cerco, e o outro, com toda a subtileza, para não espantar a presa, manobrando habilmente, também com o intuito de fazê-la cair na armadilha - não havia dúvida, que naquela ocasião para Tânia, seria talvez muito mais acertado, em Face daquele concluo, bater em retirada. - Só que, as taras psicológicas e sexuais, são muito difíceis de debelar, ainda mais, quando elas estão adormecidas e trancadas num cofre e por incúria ou descuido o abrem e as deixam sair para a liberdade num clima tão carregado de erotismo como aquele. - « Talvez, se aproveitar estes dias para experimentar o que me estão a propor, possa descarregar toda a tensão que me agonia, e satisfazer, pelo menos uma vez, os meus anseios, voltando depois de saciada, quando as férias acabarem, à minha vida pacata e normal, como se tudo não tivesse passado de um sonho, - bom ou mau, quem sabe...?! » - pensava ansiosa e indecisa, criando com isso uma fenda nas suas já debilitadas defesas, que se alargava rapidamente, de tal forma, que fazendo-a perder o pouco controle que ainda tinha da situação a arrastava irremediavelmente para o caminho de momento mais fácil, no qual antevia, mesmo ali à sua mão, a imediata e plena satisfação dos seus secretos desejos: - «As profundas dietas de sexo acabaram!.. Já que a grande ambição de Garcia é ser " touro" e a minha própria - pelo que vejo - é ser puta, então, talvez o melhor seja mesmo começar por aqui, nesta terra estranha, fora das vistas dos meus amigos e conhecidos, aproveitando para ir para a cama com José, que me parece ser um homem viril, bastante do meu agrado pessoal, e que para além disso se esforçará - estou certa - para me proporcionar uma noite longa e inesquecível, ao contrário de Garcia, que nas poucas e raras vezes que actua, praticamente acaba antes de começar...» - continuava Tânia a pensar, cada vez mais motivada e decidida a entrar e experimentar o jogo. A metamorfose que se estava rapidamente a operar nela, fazia supor a qualquer bom entendedor das fraquezas humanas, que a grande paixão que ela sentia pelos automóveis, seria a muito breve trecho substituída pela das lides tauromáquicas. Mirando o marido, que com uma cara idiotizada a olhava sem a ver, abstraído como estava nos seus sonhos escabrosos, pensava com certa revolta, nas inúmeras brigas travadas entre os dois, principalmente devido aos seus caracteres totalmente opostos no campo sexual. - Nunca lhe tinha passado minimamente pela cabeça, que o remédio para todos aqueles problemas esteve sempre ali à mão e só por falta de um dialogo aberto e franco , (o que lamentavelmente acontece numa percentagem muito grande dos casais) é que nunca fora usado, provocando com isso mútuas insatisfações, que fizeram não poucas vezes, perigar o seu casamento. José, bom entendedor da psicologia feminina, pressentia a alteração que se estava a efectuar gradativamente em Tânia, não só devido à forma como ela lhe apertava fortemente a mão, respirando entrecortadamente, como também à forma intensa como o olhava, com seus olhos amendoados verde-mar a reflectirem todo um mar de ânsias e de promessas inconfessáveis. Praticamente seguro da receptibilidade dela, José, sem perder tempo, resolveu, dissimuladamente, deitar mais "lenha na fogueira", até porque, não eram todos os dias que lhe aparecia um marido assim tão desvairado, praticamente implorando que lhe "comessem" a mulher, - com ela, pelo seu lado e embora tentando disfarçar, morta de vontade para dar não só o primeiro passo, como todos os outros que certamente se seguiriam. Assim, e como uma velha raposa sitiando a vitima, começou a pressionar o desenrolar dos acontecimentos, colocando com afabilidade o braço ao redor do pescoço dela, num gesto de aparente reconforto, ao mesmo tempo que lhe ia falando em surdina junto ao ouvido num tom malicioso e cúmplice: - « Olhe Tânia! julgo que o melhor, é levarmos tudo isto na desportiva!... - O seu marido, - bem ou mal - confessou o que lhe ia na alma: e, neste caso, uma vez que tem a benção, o consentimento, e até, porque não, o veemente pedido dele para o "cornear", não vejo porque não alargar um pouco mais os seus horizontes sexuais, já que se for contar somente com ele, não é de esperar, francamente, grandes perspectivas para que isso algum dia possa acontecer... - sinceramente minha amiga! já que chegamos até aqui, porque não fazer-lhe o jogo?... da minha parte posso lhe garantir que estou disposto a tudo; e, isto para nós, que ninguém nos ouve, posso lhe confessar que um dos meus desportos predilectos sempre foi o sexo, tendo procurado me especializar em quase todas as modalidades, dedicando-me de alma e coração aos treinos, competições e derivações...» - depois, dando uma sorriso abafado como se estivesse achando graça às suas próprias palavras, continuou - « Olhe Tânia, já estou como nos anúncios » e colocando as mãos em concha junto à boca procurou imitar o som de um locutor de rádio: - « se o seu problema é grave e está procurando uma solução, porque não se socorrer de um verdadeiro machão? - não hesite porque para além de ser grátis e discreto, ainda será tratada com a maior consideração... contacte já José Amado Galvão um homem sempre cheio de tesão » O tom de voz empregue e a irreverência do "anúncio", fê-la dar uma sonora gargalhada, que foi aproveitada por ele da melhor maneira para seguir insinuando-se: - « se pensar bem, verificará que se continuar casada com esse marmanjo, certamente algum dia acabará por cair na tentação, até porque, a vida é curta e isso é muito bom!!! - Se isso constar no seu karma , - porque não abreviar o seu destino e começar mesmo hoje?, - diga lá Tâniazinha, porque não?... please?!!! » - implorava humoristicamente numa expressão implorativa erguendo as mãos para o céu. Todo aquele espirito irreverente fê-la sorrir; tapando divertida a Face com as mãos na vã tentativa de dissimular o humor que, como Rocinantea quente em manteiga, estava derretendo os poucos escrúpulos que ainda a tolhiam, Tânia aproximou a cabeça do peito de José, abanando lentamente a cabeça, como se estivesse a pensar: - « não é possível que isto me esteja a acontecer e, logo com um safado destes que tirou certamente o curso de tentação com o próprio diabo » De Facto, o maior prazer que José tinha na vida eram as mulheres e tudo o que sexualmente elas representavam, desde que fossem boas, responsáveis e de maior idade; gostava de dizer humoristicamente que era hermafrodita, já que possuía os dois sexos: - o masculino onde todos os homens o tinham e o feminino sempre na cabeça - Talvez por isso gostava de idealizar situações que sem serem demasiado sádicas ou masoquistas, ou, talvez, antes pelo contrário!!! eram completamente diferentes daquilo que se convencionou chamar "sexo normal", levando-o a procurar afincadamente mulheres, se possível hermafroditas como ele mas com os sexos ao contrário, totalmente desnibidas e pré-dispostas a aceitar quase todos os devaneios sexuais que surgissem num momento de inspiração ou tesão mesmo que eles fossem dos mais aberrantes. Tânia, uma inexperiente nestas andanças era como o cordeiro pascal pronta para o sacrifício; mesmo assim, ainda tentou lutar contra a maré, só que a levadia de lascívia que enfrentava era demasiado traiçoeira acabando, sem quase se aperceber, resolvida a levar a sua aventura até às últimas consequências; Facto aliás Facilmente perceptível ao vê-la como hipnotizada bebendo divertida as palavras dele, enquanto por baixo da mesa afagava-lhe a perna com o pé descalço, numa demonstração de quanto estava interessada em participar nas próximas "olimpíadas", desde que ele fosse o seu principal treinador ou mentor desportivo. Esta motivação, aliás já esperada, não escapava a um expert do gabarito de José, que, olhando maliciosamente para a sua quase pupila, antevia e gozava já, os treinamentos a que a sujeitaria, qual deles o mais escabroso, fazendo-a uma assídua praticante senão mesmo uma campeã na dificílima modalidade do "pentatlo sexual". Levantando-se, José dirigiu-se para trás de Tánia acariciando-lhe as costas e as nádegas, enquanto segredava-lhe ao ouvido, mas suficientemente alto para o marido ouvir, sugerindo que o melhor seria continuarem com aquela "amena" troca de impressões em sua casa, aproveitando para provarem um "Madeira" do século XVIII, que ele religiosamente guardava na sua adega privada para uma ocasião ultra especial como aquela que se avizinhava: - « Comemorar a companhia de um tesouro como você » dizia José, « merece bem que se brinde com um vinho tão raro e bom quanto você...» Por entre as brumas do caos em que o seu cérebro se encontrava, Garcia, apercebeu-se vagamente do convite, fazendo-o sair - como por encanto - do torpor que o tinha invadido, levantando de imediato a cabeça, e, como peru vasculhando o horizonte alteroso dos seus sonhos, girá-la, de olhos esbugalhados em direcção à mulher, procurando ansiosamente vestígios da sua anuência ou cumplicidade. - O seu nervosismo era tanto que antes mesmo de pressentir qualquer sinal de interesse da parte dela, assentiu quase instantaneamente com movimentos enérgicos e exuberantes da cabeça, - tão veementemente como um garoto guloso a quem tivessem perguntado se queria um rebuçado; - Tânia, de uma forma bastante mais comedida mas não menos interessada, limitou-se a estender a mão em direcção à de José, apertando-a como que selando o pacto, enquanto esboçava um sorriso enigmático, assentindo com uma ligeira inclinação de olhos e cabeça, parecendo-se estranhamente com uma jovem e recatada donzela ao receber, envergonhada, o primeiro convite amoroso... Embora com grandes dificuldades de equilíbrio, Garcia, foi mesmo assim o primeiro a se levantar de supetão, bastante apressado e determinado em chegar quanto antes à herdade, murmurando impaciente como um disco riscado: - « vamos, vamos a aviar, vamos... vamos embora!» ordenava, enquanto se livrava da cadeira, empurrando-a com a barriga das pernas para trás, tendo como meta a saída, mas só conseguindo o desejado equilíbrio amparado pelos dois porque as suas pernas trôpegas e vacilantes não agiam sincronizadamente com o seu cérebro. Chegaram assim cambaleantes depois de algumas pequenas derrapagens os três junto ao carro. - Garcia quis logo se sentar no banco traseiro, dizendo com voz entaramelada: - « Anda coisinha fofa! - senta-te ai à frente para que ele possa admirar a qualidade dos teus presuntos e até se deres um geitinho, também a dos teus marmelos! » José, que era o único dos três que estava perfeitamente sóbrio, já que praticamente não tinha tocado na bebida, entrou no carro, e enquanto arrancava murmurou para Tânia - «Julgo que o melhor é passar pelo vosso hotel e arranjar uma maleta com algumas roupas, pois assim se quiserem ficar uns dias na herdade já não haverá problemas! » «Boa ideia! » - concordou de imediato Tânia - « e já agora sobe também você para me ajudar enquanto o meu marido espera no carro » « Um caralho menina! - um caralho é o que deixas à espera! » - guinchou Garcia furibundo, continuando quase sem tomar fôlego - « ouve minha galdéria: - Para onde fores eu vou! - o que fizeres eu vejo! - se for preciso ajudar, ajudo! - isto assim é que vai ser, dê por onde der! Até porque o padre quando nos casou disse que nos deveríamos apoiar mutuamente nos bons e nos maus momentos » «Bom! não é preciso azedares! - faz como sempre fizeste: - calminho e bem comportado! - deixa-te ficar ai no carro, enquanto o José sobe comigo para me ajudar!» - retorquiu Tânia hipocritamente apaziguadora. «Queeeerias ! - o que é que pensas? - julgas que nasci ontem? - O José fica é aqui comigo enquanto tu sobes sozinha! - Quando tocar a foder eu quero estar ao pé pra ver! - Percebeste puta esperta!.» - explodiu o marido, enquanto resmungava por entre dentes, mesmo depois dela já ter entrado no hotel, continuando numa lengalenga que parecia não ter fim: - « Aquela puta já queria começar na fodelhice sem a minha presença! - Porra! Isso seria como pôr uma orquestra a tocar sem o maestro a reger! - puta que pariu as mulheres e toda a sua conice! Puta que a pariu!....» Para evitar a escandaleira que já se avizinhava logo ali à porta do hotel, Tânia optara por subir sozinha, enquanto José aguardava no carro por ela, com a resmunguice de Garcia martelando-lhe os tímpanos. Ainda bem que ela foi rápida, pois José estava quase mandando Garcia à merda, e só não o fez, porque a mulher era de Facto boa demais para se deixar perder, até porque as perspectivas futuras eram deveras aliciantes. «Pelo sim, pelo não, trouxe roupa para uma semana!» - exclamou Tânia, atirando a mala com certa violência e desprezo para a banca de trás bem em cima do marido, enquanto entrava agilmente no carro fazendo com que o vestido lhe subisse até às coxas.. Conduzindo velozmente a caminho da herdade, enquanto contava algumas piadas eróticas do seu extenso repertório que os fazia rir a "bandeiras despegadas", ia acariciando - quando a estrada assim o permitia - as magníficas pernas de Afrodite cobertas somente por um finíssimo par de meias negras e que eram mostradas em toda a sua extensão, deixando antever inclusivamente as calcinhas de renda preta, que como uma cortina semitransparente cobria as portas da felicidade. Massajando em movimentos rotativos e extremamente suaves entremeados lá de vez em quando por alguns apalpões mais fortes aquelas duas obras primas de endireitar o pau dum morto, José, aproveitava-se da torpeza cerebral provocada pelos três cálices de "Madeira" que ela tinha ingerido, procurando manter-lhe o desejo desperto, o qual, era aliás Facilmente perceptível pela forma como ela suspirava e escorregava no acento, fazendo o vestido enrolar-se praticamente até à cintura, enquanto ia abrindo lentamente as pernas como a conceder-lhe aos poucos novos espaços e oportunidades ao seu sentido do tacto... Atrás, praticamente deitado na bancada, Garcia cantarolava desafinadamente, apontando o dedo indicador ora para José, ora usando-o ritmicamente como se estivesse a dirigir um coro: És lobo mau, lobo mau, lobo mau, agarraste a Tâniazinha pra fazeres minhau, minhau... Hoje estou contente, vai haver festança com a grande piça que lhe vai entrar na pança... Esta cantoria, insossa e repetitiva, serviu de som de fundo durante uns bons quilómetros, para depois já saturado, passar qual poeta esganiçado à declamação, abrindo os braços em gestos teatrais e deturpando livremente e à sua maneira, o poema : Foder...sem dormir! chora...implora amada flor! pede que ele te meta, no canal do amor!... Põe um enfeite, com a tua mão alva de leite se eu morrer, no meu caixão. A lua é nova e eu vou enfim, ver a tua cona encher-se, graças a mim! Indiferentes a toda esta algaraviada pseudo-intelectual, José e Tânia continuavam a se excitar, tendo como som off os versos e poemas do marido e os suspiros e gemidos "atesoados" dela, que cada vez mais excitada, procurava com algum esforço abrir a braguilha de José, retirando para fora o pénis entumecido, com o qual começou a brincar com certa timidez passando suavemente os dedos pela cabeça . - José bastante atesoado, nem parou para pensar; - levantou o braço e agarrando-a suave mas firmemente pelo pescoço, puxou-lhe a cabeça para o meio das suas pernas. - Tânia, opondo-se inicialmente com tenue resistência, acabou por ceder torcendo ligeiramente o corpo e abrindo a boca deixou entrar para o seu interior como se fosse uma banana o vergalho, pondo José quase em estado de choque fazendo-o retesar o corpo enquanto emitia um silvo de prazer ao sentir os lábios carnudos rodearem-lhe a glande humedecendo-a de saliva: - « Oh Tâninha que boca maravilhosa esta!... umhhhh... que mamada divinal! Chupa o Dom Juan, engole-o todo!.... umhmmm... anda não pares, não pares que daqui a pouco tens um prémio... Ai que ele já ai vem... pronto! engole agora o leitinho... engole o leitinho todo para não me sujares as calças» - gemia ele entrecortadamente, esporrando-se, e pressionando-lhe a cabeça contra o caralho, fazendo-a mamar ainda com mais afinco com ele entalado na garganta engolindo às golfadas o esperma morno sem desperdiçar um pingo, enquanto o marido, de olhos cerrados e alheio ao que se estava a passar, continuava compenetrado em declamar os seus poemas, encolhido no banco traseiro. Algum tempo depois, Tânia endireitou-se, passando a língua pelos lábios à procura duma gota mais rebelde; desviando o olhar, como que envergonhada murmurou: « Podes crer que foi a primeira vez que fiz isto... e tu foste bastante ruim obrigando-me a engolir toda a porcaria...» - « Bom! deixemo-nos de falsas modéstias! gostastes ou não gostastes de mamar?» perguntou José minimizando a conversa « se não gostastes desculpa... se gostastes Isto foi só um aperitivo, quando chegarmos a casa continuamos com a diversão!...» Tânia, ainda pouco à vontade retorquiu: « Foi uma experiência nova, agora conduz com cuidado para podermos chegar inteiros ao nosso destino, porque ainda à pouco o carro só andava aos esses, como se ele se estivesse a se vir conjuntamente contigo...»
Adoraria compartilhar mais experiências caso se enterese me escreva nandinhobacaninha@bol.com.br
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