Malcriado na hora do banho
Foi por uma dessas vezes, quando o menino já tinha 10 e sabia muito bem o que era um corretivo, que João acabou como está agora. Completamente pelado, com as pernas tremendo, ouvindo uma bronca do pai, Humberto, por ter alagado o banheiro mesmo depois do pai ter avisado que ele deveria brincar mais quietinho. O pai, um homem enorme desses que trabalham em construções, estava já se preparando para entrar no banho, e por isso calçava apenas chinelos, samba-canção e regata. Cansado por ter trocado a tranquilidade de um banho pelo trabalho de secar um banheiro, ele não estava nada feliz com o filho. Depois da bronca, levantou o menino, ainda com a bunda molhada, e começou a dar boas palmadas no filho. O som dos tapas ecoava no banheiro, entre choros, desculpas, e broncas. Você já tem dez anos! (Falava e dava uma boa palmada), está na hora (palmada) de aprender (palmada) a o-(palmada) -be- (palmada) -de-(palmada) -cer (PALMADA)!
O menino chorava profundamente no colo do pai, aguentando os tapas daquela mão que costumava levantar tijolos e fazer casas, mas agora só tinha um único alvo, muito branco e desprotegido. A mão, acostumada com o trabalho duro, não entendia a diferença entre os materiais, e surrava aquela bundinha mole de menino como se martelasse um prego.
Talvez por isso a mão cansou, e pensou que era hora de pedir auxílio às ferramentas. Humberto, ainda com o menino se debatendo no colo, parou momentaneamente para pegar o chinelo dos pés, havaianas tamanho 42 que o menino morria de medo só de ver. Quando viu que o pai não estava pra brincadeira e iria continuar a surra de chinelo, AHH! Gritou por favor! Por favor! Pai! Chinelo não, por favor! Eu vou me comportar!
Foi com essa harmonia que o chinelo de Humberto cantou. O baque seco da borracha na pele ardida, ritmo tão sem inspiração musical, soava melhor que uma sinfonia naquele banheiro, agora acompanhado das lágrimas e soluços de um menino que entendeu sua posição na orquestra. O pai batia sem dó, uma chinelada depois da outra sem pausas. Mas um bom maestro sabe quando parar a música, e Humberto, ainda que rústico, em matéria de sinfonia de choros era maestro. Quando viu o bumbum do filho ardido por inteiro, e percebeu que ele estava realmente arrependido de ter desobedecido, parou.
Levanta! Disse, acabou, meu filho... dói mais em mim do que em você, pode acreditar. O pai não gosta de te bater mas as vezes você não deixa opção. João então, o rosto e o bumbum vermelhos, desculpa, papai disse, e abriu os braços pra chorar no peito do pai. Quando se acalmou, o pai disse ao filho que deveria ir para o canto do banheiro de castigo, com o bumbum virado para o box, até o pai sair do banho. Mal sabia o menino o que o pai fazia dentro do box, admirando o bumbum marcado que tinha deixado no filho. Mas fica aí para a imaginação do leitor que não era só
o pé e o chinelo do pai que eram grandes... Terminado o banho, pai e filho, como vieram ao mundo, exceto que o filho ainda exibia as marcas da sua desobediência, foram até o quarto para se trocar e depois jantar.
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