A pornografia tá destruindo o meu cérebro, mas…
Olá pessoal do site! Antes de contar o que tá acontecendo comigo, quero falar um pouquinho sobre mim.
Eu sou uma garota de 17 anos, e moro com meus pais no interior de São Paulo. Na escola, estou no terceiro ano do ensino médio e sempre fui uma ótima aluna, atenta, dedicada e elogiada pelos professores. Mas a verdade é que sou bastante tímida e sempre tive dificuldade em fazer amigos. Acho que muito disso se deve à postura super-protetora dos meus pais, que vivem me isolando de muitas coisas e ainda hoje procuram me manter dentro de uma bolha. A educação conservadora e rígida deles me fez crescer com o pensamento de que sou uma princesa, e que preciso me comportar como uma princesa em tudo. Mas aqueles que viveram com pais assim sabem que esse super-protecionismo nunca dá certo.
O que acontece é que a maioria dos pais conservadores não ensinam sobre sexo aos seus filhos. Não sei ao certo se é por vergonha, nervosismo, ou medo de falar algo errado, mas vejo que isso é fato. E o resultado é bastante óbvio: se nós não aprendemos com os pais, aprendemos fora. Aprendemos na escola, aprendemos com amigos e amigas, e aprendemos com a pornografia. E esse último foi exatamente o meu caso. Não vou entrar em detalhes de como tudo começou, porque quero manter o foco e não quero deixar o texto muito longo, mas foi através da pornografia que eu conheci o sexo e a masturbação. Isso aconteceu quando eu tinha 10 pra 11 anos.
É claro que, pela educação que eu tive desde pequena, tendo que fechar os olhos em cada cena mais quente que passava nos filmes e nas séries que assistia com meus pais, as coisas que eu consumia me despertavam muita culpa no começo. Quando eu fazia algo, me sentia muito triste e errada, e depois ficava um bom tempo sem fazer. Mas aos 14 anos, quando ganhei um celular do meu pai, foi que a coisa escalou muito. Assim que meus pais iam dormir, eu ia pro meu quarto e ficava lá deitada. Foi então que começou o meu vício. Lembro que era maravilhoso poder explorar tudo no meu celular, a hora que eu quisesse, entre as quatro paredes do meu quarto. Passei a ver pornô com cada vez mais frequência. Gozei muito. Depois que descobri as categorias proibidas e tabu, passei a desejar elas e sentir ainda mais prazer com elas. Depois descobri que isso é um efeito da pornografia, semelhante ao efeito da cocaína, que te faz desejar coisas cada vez mais pesadas e degradantes. Pesquisei as outras coisas que a pornografia faz com quem é viciado, e vi todos os riscos que as pessoas falam: a dessensibilização que ela causa, a objetificação das outras pessoas, as expectativas irreais, as comparações, o risco muito maior de insatisfação, a perversão que ela gera nos indivíduos e na sociedade, os problemas que ela traz para os relacionamentos. Li tudo, me informei sobre tudo. Mas a minha maior surpresa ao perceber que.. eu desejava aquilo…
Hoje eu sei que a pornografia é prejudicial. Sei e sinto na pele que ela está me mudando, que está condicionando e influenciando meu cérebro. Sei que a pornografia está me levando a tolerar e até desejar coisas que antes eu achava indecentes e repugnantes, e sou bem consciente do perigo disso. Sei que estou criando e alimentando uma série de expectativas e preferências irreais, impossíveis de satisfazer plenamente. Sei que estou reduzindo cada vez mais a minha possibilidade de sentir prazer num relacionamento com uma boa pessoa, a longo prazo. Sei que estou alimentando uma indústria que leva à degeneração dos indivíduos e da sociedade, sei que estou pervertendo minha mente ao ponto de prejudicar minhas tarefas por ficar pensando em putaria. Eu sei que isso só vai se agravar mais a cada vídeo, conto ou gozada que eu tiver. Mas gosto disso… sinto tesão com isso, um tesão incontrolável. Eu sinto que quero me afundar cada vez mais nisso, quero me tornar cada vez mais pervertida, cada vez mais doente por causa do pornô. Isso tá me fazendo sentir livre e viva de um jeito que eu nunca me senti, e eu fico pensando qual seria o meu limite, e só de tentar pensar no que eu posso acabar desejando mais pra frente já me deixa maluca.
O pornô tá destruindo o meu cérebro, e eu sei disso… mas quero mais mesmo assim. Hoje todos continuam me vendo como uma princesa, mas no meu quarto eu sei que sou completamente o oposto disso, e pra mim essa é a melhor sensação do mundo. Tem o meu lado que sabe que tudo isso é errado, e as vezes penso em fazer terapia pra tentar parar com isso, mas não sei se quero fazer terapia pra parar mesmo, ou se é apenas uma esperança que eu tenho de encontrar uma validação de uma terapeuta para esse meu comportamento. Uma coisa eu tenho certeza: agora tô toda molhada, só de escrever esse texto, e agora vou me masturbar bem gostoso. Por enquanto não quero saber de parar, vou continuar me masturbando toda vez que for no banho, toda noite e madrugada quando ficar acordada até tarde, e toda vez que eu ficar sozinha em casa e tiver uma oportunidade.
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Bea_08
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